Chutometria abortista
(Quantos abortos são realizados anualmente no Brasil? Quantas mães morrem em decorrência da prática de abortos?)
Já em 1961, o Pe. Roberto P. Almeida, tradutor de "Deontologia do aborto: aspectos jurídicos, estatísticos e morais", de G. Perico, escrevia o seguinte adendo na obra por ele traduzida:
Muito embora, em conferências especializadas ou em círculos fechados, médicos, juristas e moralistas apresentem estatísticas alarmantes referentes ao aborto clandestino e terapêutico difundido entre nós, principalmente nos grandes centros urbanos (Rio, São Paulo, Porto Alegre), faltam, entretanto, dados seguros e pesquisas realmente científicas a respeito. As cifras de 100 ou 500 mil por ano, só em São Paulo, procedem do "ouvi dizer", "calcula-se".
Por essa razão, na impossibilidade de se encontrar dados científicos, preferimos referir dois testemunhos que, de nenhum modo, alteram a gravidade do problema, também no Brasil.
O Professor Almeida Júnior, na sua obra Lições de Medicina Legal, 1957, assim se expressa: "As bases para a estatística dos abortos criminosos são tão inseguras que alguns autores (entre os quais, em seu compêndio de Medicina Legal, Etienne Martin) preferem, neste particular, abster-se de dados numéricos.
"A respeito da Capital Paulista, existe o interessante trabalho de Zamitti Mamanna, de 1917. Atribuía ele a São Paulo, naquela época, cinco mil (5.000) abortos por ano. Saudando-o, em nome da Sociedade de Medicina Legal e Criminologia, em sessão em que conferia ao Autor do trabalho o prêmio anual "Oscar Freire", fizemos um pequeno reparo: o jovem médico de então apresentou os resultados de sua estatística, mas não disse como chegou a eles.
"Por que 5.000? Não serão apenas 3.000? Não subirão a 10.000?
"Cremos que não tínhamos naquele tempo nenhuma base que permitisse conclusões dignas de fé. E suponho que não temos até agora"(1).
O texto acima permanece atual. A única resposta honesta à pergunta "quantos abortos são praticados anualmente no Brasil?" é: não sabemos.
Vejamos com alguns exemplos, quanto são inconsistentes algumas das "estimativas" da taxa anual brasileira de abortos.
A) No lançamento da "Política Nacional de Direitos Sexuais e Direitos Reprodutivos" pelo Ministério da Saúde no dia 22 de março de 2005, a agência de notícias do Ministério informou:
"Segundo estimativa da OMS, no Brasil, 31% das gravidezes terminam em abortamento. Todos os anos ocorrem, de acordo com as estimativas, cerca de 1,4 milhão de abortamentos espontâneos e/ou inseguros, com uma taxa de 3,7 abortos para 100 mulheres de 15 a 49 anos"(2).
O Ministro Humberto Costa não disse, porém, quando foi que a ONU, por meio da OMS (Organização Mundial de Saúde) fez essa estimativa, quais foram os métodos utilizados, a amostragem pesquisada, nem a margem de erro. Apenas afirmou que, segundo as Nações Unidas (?), ocorre no Brasil 1,4 milhão de abortamentos por ano.
B) Em 1990, o Jornal do Brasil dizia que a mesma ONU havia estimado que o Brasil era recordista mundial de abortos, com uma taxa anual de 3 milhões:
"Estatísticas da Organização Mundial de Saúde (OMS), apresentadas em seu último relatório em Genebra, na Suíca, apontam o Brasil como recordista mundial de abortos. O número de interrupções de gravidez no país é maior do que a taxa de anual de nascimentos. Os dados mostram mais de três milhões de abortos anuais contra apenas 2.779.255 registros de nascimentos em 1988" (3).
Será que, então, segundo a ONU, a taxa anual de abortos caiu de 3 milhões em 1990 para 1,4 milhão em 2004? Ou será que a ONU nada tem a ver com tais estimativas?
C) Em 1993, a Dra. Zilda Arns Neumann, coordenadora da Pastoral da Criança, assustada com a quantidade de abortos que se diziam praticar no Brasil "segundo pesquisas da ONU", foi consultar a Organização Pan-Americana de Saúde (OPAS, repartição regional da OMS) e recebeu por fax a seguinte resposta em 11/03/1993:
1. A Organização Mundial de Saúde e a Organização Pan-Americana de Saúde não auspiciaram, financiaram nem realizaram qualquer estudo ou investigação sobre abortos no Brasil.
2. Tampouco temos conhecimento de algum estudo ou investigação que tenha sido feito com bases cientificamente sólidas e cujos resultados possam extrapolar-se confiavelmente para todo o país.
3. Em algumas publicações oficiais da OMS ou da OPAS, publicam-se informações de fontes nacionais, também oficiais. Porém, neste caso não temos conhecimento de se haver feito com informação referente ao Brasil e de âmbito nacional.
4. Faz três ou quatro anos, um professor brasileiro fez uma publicação jornalística com dados sobre abortos, assinalando que era uma informação da Organização Mundial de Saúde. Nessa oportunidade nossa Representação enviou uma nota esclarecedora, no sentido do exposto nos pontos anteriores [...].
5. Lamentavelmente, não é a primeira vez que, levianamente, se toma o nome da Organização Mundial de Saúde e/ou da Organização Pan-Americana de Saúde para dar informações que não emanam dessas instituições. (4)
D) Em 1971, a Enciclopédia Abril, no verbete "Aborto", fazia referência a uma pesquisa realizada em 1965, sem informar a fonte nem os métodos:
"No Brasil, um levantamento realizado em 1965 revelou a cifra de cerca de 1,5 milhão de mulheres internadas em hospitais, com complicações determinadas por abortos provocados. Aproximadamente oito em cada dez mulheres eram casadas" (5)
Tal informação é obviamente exagerada: 1,5 milhão de mulheres internadas em hospitais por causa de aborto?! Nem hoje o Ministério da Saúde, tão ávido por legalizar o aborto, chega a afirmar essa cifra:
"Como reflexo dessa situação, no ano de 2004, 243.998 internações na rede SUS foram motivadas por curetagens pós-aborto, correspondentes aos casos de complicações decorrentes de abortamentos espontâneos e inseguros" (6).
D) Há estatística para todos os gostos. Se você achou exagerados os números acima, veja o seguinte, de autoria de Correia da Silva, em 1948. A estimativa é citada em 1965 pelo grande médico-legal Dr. João Batista de Oliveira e Costa Júnior, que adverte, contudo, acerca da falibilidade dos resultados:
"No Brasil, pelas estatísticas de Correia da Costa, de 1948, proporcionalmente ao seu índice populacional, os dados se aproximam aos da grande nação do hemisfério norte: 412.472 abortos, com a diferença, somente, de que, segundo as estatísticas fornecidas pelos Centros de Saúde de São Paulo, 90% dos abortos são provocados" (7).
Conclusão:
Não sabemos, nem temos condições de saber quantos abortos são praticados por ano no Brasil. Qualquer número entre dez mil e dez milhões pode servir de resposta.
Se levarmos em conta os microabortos, provocados logo no início da gravidez por substâncias ou dispositivos que impedem a implantação da criança no útero (como o DIU, a pílula do dia seguinte, a minipílula...) sem dúvida o número é enorme (e tende a crescer, graças ao Ministério da Saúde que pretende espalhar os microabortivos em massa, ocultos sob o nome de "contraceptivos de emergência"). No entanto, a grande maioria das usuárias não é informada sobre o efeito abortivo de tais drogas ou artefatos. Além disso, como ocorrem logo no início da gravidez, tais abortos são assintomáticos. Facilmente se confundem com um sangramento menstrual.
O número se reduz muito se forem contados apenas os abortos de crianças maiores, que deixam vestígios visíveis depois de expulsas. No entanto, não há qualquer meio seguro de se estimar quantas dessas crianças são mortas. Nem sequer o número de curetagens é uma base segura, pois nem toda curetagem é feita por causa de um aborto provocado. Vários incidentes obstétricos podem ocasionar a internação da mulher para raspagem do útero, inclusive o abortamento espontâneo.
Falsificação:
Além disso, há um interesse especial dos promotores do aborto em manipular dados e fraudar informações. Isso foi confessado abertamente pelo ginecologista e obstetra norte-americano Dr. Bernard Nathanson, um dos fundadores, no final da década de 60, da Liga Nacional para os Direitos do Aborto, nos Estados Unidos e diretor, a partir de 1971, da maior clínica de abortos do mundo: o Centro de Saúde Sexual, em Nova Iorque. Hoje, convertido à causa pró-vida e profundamente arrependido pelos abortos que praticou (60.000 sob suas ordens e 5.000 pessoalmente por ele) ele explica como a falsificação de estatísticas foi eficiente para mudar a opinião do povo norte-americano sobre o aborto:
"É uma tática importante. Dizíamos, em 1968, que na América se praticavam um milhão de abortos clandestinos, quando sabíamos que estes não ultrapassavam de cem mil, mas esse número não nos servia e multiplicamos por dez para chamar a atenção. Também repetíamos constantemente que as mortes maternas por aborto clandestino se aproximavam de dez mil, quando sabíamos que eram apenas duzentas, mas esse número era muito pequeno para a propaganda. Esta tática do engano e da grande mentira se se repete constantemente acaba sendo aceita como verdade.
Nós nos lançamos para a conquista dos meios de comunicações sociais, dos grupos universitários, sobretudo das feministas. Eles escutavam tudo o que dizíamos, inclusive as mentiras, e logo divulgavam pelos meios de comunicações sociais, base da propaganda" (8).
Esse método, que funcionou nos Estados Unidos, foi usado depois em outros países:
"Quando mais tarde os pró-abortistas usavam os mesmos ?slogans? e argumentos que eu havia preparado em 1968, ria muito porque eu havia sido um de seus inventores e sabia muito bem que eram mentiras" (9).
Mortes maternas por aborto
Ao contrário do número de abortos, o número de mortes de mães em decorrência da prática de aborto é facilmente conhecido. Eis os dados disponíveis a qualquer internauta que visitar a página do Departamento de Informação e Informática do SUS - DATASUS (10):
Ano 1996 1997 1998 1999 2000 2001 2002
Número de mulheres mortas em gravidez que terminou em aborto 146 163 119 147 128 148 115
Como se vê, também no Brasil (e não só nos Estados Unidos, como disse acima Dr. Nathanson) o número anual de mortes maternas por aborto não chega a duzentos. Um número insignificante, que não interessa aos abortistas. Por isso, também aqui entre nós há tendência de falsificá-lo.
Em 25 de dezembro de 1997, a deputada Jandira Feghali (PC do B/ RJ), presente em um discurso sobre o aborto ocorrido no plenário da Câmara, assim se referiu aos pró-vida:
"Quem está dizendo ser a favor da vida está, na verdade, condenando 300 mil mulheres à morte todo ano, que morrem em consequência dos abortos clandestinos em mãos de curiosos"(11).
A deputada pró-aborto usou um número pelo menos 1.500 vezes maior que o real!
Aqui, como nos Estados Unidos, nas táticas empregadas em favor da causa abortista, "nada há de novo debaixo do sol": a mentira está a serviço da morte. Aliás, o demônio, "homicida desde o princípio", é também o "pai da mentira" (Jo 8,44).
1) PERICO, G. Deontologia do aborto: aspectos estatísticos, jurídicos e morais. Tradução de Pe. Roberto P. Almeida. Campinas, s/e., 1961. p. 32-33.
2) MINISTÉRIO DA SAÚDE. Notícias. Ministério da Saúde lança política nacional que amplia acesso ao planejamento familiar. 22 mar. 2005. Disponível em
3) NÚMERO DE ABORTOS SUPERA O DE NASCIMENTOS NO BRASIL. Jornal do Brasil. Rio de Janeiro, 12 abr. 1990, p. 7.
4) O texto está em castelhano e é subscrito pelo Dr. David Tejada-de-Rívero. Os grifos são nossos.
5) ENCICLOPÉDIA ABRIL. São Paulo: Abril, 1971. v. 1, p. 19. Verbete "Aborto".
6) MINISTÉRIO DA SAÚDE. Notícias. Ministério da Saúde lança política nacional que amplia acesso ao planejamento familiar. 22 mar. 2005. Disponível em
7) COSTA JÚNIOR, João Batista de O. Por quê, ainda, o abôrto terapêutico? Revista da Faculdade de Direito da USP, São Paulo, volume IX, p. 317, 1965.
8) Fonte: "Eu pratiquei cinco mil abortos", conferência pronunciada pelo Dr. Bernard Nathanson no Colegio Médico de Madrid em 5 de novembro de 1982, publicada pela revista Fuerza Nueva. Os grifos são nossos. Disponível em:
9) Idem.
10)
http://www.datasus.gov.br 11) FONTES, Leandro. Carismáticos tumultuam a sessão sobre o aborto. O Globo. Rio de Janeiro, 26 nov. 1997, p. 8. Os grifos são nossos.
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Eu tenho um fantasminha que me segue em todos os lugares. Ele se transforma. Algumas vezes é um bebê, outras tem entre 1 e 3 anos de idade, algumas vezes - a maioria ultimamente - ele é um adolescente.
Eu tinha 34 anos quando matei o meu filho. Se tivesse deixado ele viver, ele teria nascido em agosto, no mesmo mês que sua mãe. Não há um momento de minha vida que ele não está comigo. Nosso relacionamento tem mudado. No passado, sempre o via como meu acusador ou meu juiz. Hoje, meu filho morto já não é mais meu juiz, mas um fantasma muito triste, cujo sorriso eu jamais vi.
Estava grávida de 21 semanas. Já tinha sentido ele se mexer na minha barriga. Para mim não existe um argumento fácil do tipo "era apenas um pedaço de tecido". Uma semana a mais, e eu teria passado do limite legal para um aborto no estado onde eu morava. Existem muitos, assim chamados, "fatores atenuantes" que me levaram a matar o meu bebê em suas 21 semanas de vida.
Até 3 dias antes do aborto, eu não sabia que estava grávida. Eu fiz 3 exames de gravidez que deram negativo e achava que o meu estômago crescia devido a um tumor parecido com aqueles que mataram vários membros da minha família. O movimento que eu senti no meu útero eu ignorei achando que fossem gases. Sem fazer idéia da minha condição, continuei a fumar 3 maços de cigarro por dia e a abusar do alcool e das drogas, na maioria metanfetaminas. Estava num casamento abusivo e fracassado e meu bebê não foi concebido com amor - ele foi concebido em extrema violência.
Eu ia deixar de fora todos estes argumentos acima, mas lhes contei sobre eles por uma razão bastante importante: a indústria do aborto mencionaria qualquer um destes argumentos ou todos eles como razão suficiente para que eu matasse meu bebê, pois eles consideram que qualquer gravidez "inconveniente" é abortavel, e, embora a minha não colocasse a minha vida em perigo, ela era mais do que "inconveniente". Aqueles que oferecem o aborto farão com que você acredite que todos estes 3 fatores me absolveriam da culpa e tornariam o assassinato de meu filho perfeitamente "ok" como se fosse a extração de um dente do siso, doloroso, lamentável e estressante, mas totalmente necessário.
Amigos cheios de boa intenção num momento ou em outro disseram coisas do tipo: "Com toda aquela nicotina, e drogas, você teria tido um filho gravemente debilitado; o aborto foi a coisa mais benevolente a ser feita". "Considerando quem era o pai, a criança poderia ter sido um assassino em série; foi melhor abortar". "Foi o resultado de quase um estupro num casamento violento e abusivo; foi melhor abortar". "Você foi forçada a faze-lo pelo seu marido maluco enquanto estava fraca; pelo menos você não é responsável". "Você fez a melhor e a única coisa a ser feita; a vida continua".Eu tenho que lhe contar minha estória, porque se existe um caso que exemplifica o aborto supostamente livre de culpa, este caso é o meu. Eu ouvi todo tipo de racionalização - cada um deles. Eu tenho vivido por trás das muralhas da opinião pública, do politicamente correto, e da sabedoria convencional, do tipo sinta-se bem e estou aqui para dizer-lhe que tudo isso é insensatez pura e completa.Eu acredito que num nível interior primitivo todos sabemos - realmente sabemos - que o aborto é um assassinato da pior forma. Dizer a nós mesmos que é qualquer outra coisa é puramente estar num estado de negação. Todas as camadas meticulosas de maquiagem que passamos não servem para nada. Sabemos o que é por aquilo que é. E este conhecimento puro da alma não pode ser apagado ou erradicado por nenhuma das racionalizações do tipo sinta-se bem que possa existir na face da terra.Odiar-se a si mesma é o pior pecado? Eu certamente sei que é o pior sentimento. Depois que eu matei o meu filho, o ódio a mim mesma se tornou a minha vida. Subconscientemente eu pensava que o suicídio era uma saída muito fácil (da mesma forma que a injeção letal é uma punição muito fácil para muitos dos assassinos verdadeiramente crueis). Assim, eu não matei o meu corpo físico como tinha feito com meu filho; ao invés, eu cometi o suicídio espiritual e emocional.
Criei uma personalidade totalmente nova. Desde então, os psiquiatras me disseram que o que eu fiz não é raro, bastante parecido com vítimas de abuso infantil, que se "dividem", e se transformam em outra pessoa para poder lidar com o abuso. Durante os 17 anos seguintes, várias vezes eu não reconhecia, literalmente, a pessoa do outro lado do espelho. O ódio a mim mesma coloriu todos os momentos em que eu acordava ou dormia. Era como se eu tivesse apertado um botão invisível de auto-destruição.Divorciei meu marido para então entrar num outro casamento desastroso com um homem que eu não amava, que sabia ser totalmente dependente e incapaz de um trabalho honesto, e continuei a deixar que fosse usada por ele e pela família dele por 13 anos. Bem no fundo, estava convencida que merecia tudo aquilo. Minha auto-estima tinha desaparecido totalmente. Todas as coisas que eu gostava de fazer na minha antiga vida estavam agora fora dos limites; eu não me permitia sentir prazer nas coisas. Um sono sem sonhos era o meu único descanso, e isso não acontecia com frequência. Quando acontecia de eu rezar, era uma oração secreta: eu rezava para morrer, para simplesmente deixar de existir. Eu acreditava na vida depois da morte, e sabia que o próprio inferno não podia ser pior do que a vida que eu estava levando.A dor me espreitava e me emboscava nos momentos menos esperados. Uma cena na TV, uma passagem num livro - sempre sobre alguém perdendo a chance de ser mãe. Era vencida pelo tipo de chôro atormentado, em soluços que mais parece um espasmo do que um chôro. Eu só queria me deitar, dormir e jamais acordar. Vivi neste inferno auto-imposto por 16 anos. Então, em 1997, um problema no coração que eu tinha desde criança de repente piorou, e decidi me mudar de volta para a costa leste para morrer. Como sempre, eu estava em último lugar na minha lista de prioridades. A minha razão principal para a mudança era para que o parasita com quem eu tinha me casado tivesse uma chance melhor de trabalho depois que eu tivesse morrido.Viver novamente na costa leste e no mesmo estado onde tive uma juventude feliz era como gotas d'água numa planta quase morta. A mudança total de ambiente fez o primeiro racho na concha do meu ódio próprio. Vagarosamente comecei a ser eu mesma novamente.Foi no outono de 1997 que aconteceu aquilo que finalmente me libertou. Fui convidada para visitar a Igreja Ortodoxa Grega de Todos os Santos. Embora em minha juventude eu tivesse estudado quase todas as religiões principais, jamais tinha entrado numa igreja cristã ortodoxa. De repente, eu me senti em casa. Todos os pedaços de minha vida começaram a se encaixar. Embora eu não conhecese ninguém ali exceto quem tinha me convidado, inegavelmente eu estava em casa. Depois de receber instruções de meu pai espiritual, em 1998 fui crismada. Durante a confissão antes da minha crisma, eu finalmente, depois de quase duas décadas vagando no inferno, me despojei do meu fardo. Meu pai espiritual, um sacerdote ortodoxo ... colocou suas mãos em mim, e em nome de Cristo, perdoou-me pelo assassinato de meu bebê. Eu estava livre.
Recuperar o amor próprio me levou a recuperar algo que eu achava que estivesse perdido para sempre... O que me traz ao motivo porque estou lhe contando a minha estória. Quando eu comecei as aulas sobre religião ortodoxa, eu li tudo o que podia sobre a visão ortodoxa a respeito de tudo. Tudo o que li dizia que os cristãos ortodoxos eram contra o aborto. Então perguntei quando e onde o grupo ortodoxo de Direito-a-Vida se reunia. Tremenda gafe, vagamente parecida com um arrôto barulhento num coquetel sofisticado. Eu aprendo rápido; e jamais cometo o mesmo erro duas vezes.
Sondei cuidadosamente a questão, e ao poucos, aprendi que as organizações de caridade, os comitês de alimentos, as reuniões para arrecadamento de fundos, eram todos politicamente corretos. Até mesmo o retiro de fim de semana esporádico feito no monastério, que eu tinha o hábito de participar, era prazeroso. Mas aborto? "Não é da conta de ninguém e é uma escolha particular de cada mulher, mas continuando, a que comitê de alimentos você pretende unir-se?"
Perdão, mas é da minha conta sim. Não é sua escolha particular matar o seu filho, e, se eu puder persuadi-la a não cometer o mesmo ato horroroso que destruirá a sua vida, como eu fiz, então é meu dever faze-lo.
Existe um enorme silêncio na Igreja Ortodoxa a respeito do aborto. Estranho, mas todo mundo que me diz que "é uma escolha particular da mulher" é mãe e/ou avó. Talvez elas tenham medo de que suas filhas ou netas possam ter que encarar uma gravidez que lhes perturbará a vida e desejem uma saída de emergência.
Eu não estou lhe pedindo que saia em passeatas e acene pôsters e faça abaixo-assinados ou mesmo que coloque um adesivo no paralamas de seu carro. Eu não faço nada disso. Eu não sou o tipo de ativista que esfrega cartazes nas caras das pessoas. O negócio é o seguinte: Na próxima vez que alguém, mesmo um(a) amigo(a) muito querido(a) ou um membro de sua família lhe disser que "é escolha da mulher", não diga nada. Apenas lhes dê uma cópia deste artigo. Se a leitura deste texto puder fazer com que uma pessoa comece a reconsiderar o seu ponto de vista "pró-aborto? eu terei feito o meu papel.Eu daria a minha própria vida para ser capaz de voltar no tempo e deixar meu filho nascer. Mas eu não posso. Eu rezo para que o fato de você mostrar para alguém - apenas uma pessoa - esta estória, faça com que alguém pare e reconsidere antes de fazer a mesma coisa horrivel que matou o meu filho e quase acabou comigo.
Eu não preciso de nenhum argumento lógico e perfeito. Você sabe, na sua alma, que o aborto é o assassinato de seu filho... eu lhes peço agora, quebre o silêncio e fale, não em passeatas e demonstrações, mas calmamente, conforme você lê isso agora, uma criança de cada vez.