No dia 13 de março, terça-feira à noite, com auditório da Câmara de Vereadores praticamente lotado, foi realizada audiência pública sobre o projeto "Portais da Cidade", com a presença de comunidade e organizações sociais, do secretário de mobilidade urbana Luiz Afonso Senna, secretária adjunta do plenejamento e vereadores. Os "portais da cidade" seriam estações rodoviárias de transbordo instalados no Largo Zumbi (ex-Epatur), Azenha e Cairu.

Em suas considerações iniciais, o secretário Senna, ao invés de falar, preferiu passar um vídeo, que se encontra na página da prefeitura. Quando a secretária-adjunta do planejamento, durante seu pronunciamento, aduziu que a contrariedade quanto ao projeto seria apenas quanto aos locais dos "portais", imediatamente as pessoas nas galerias se manifestaram contrariamente. Durante a audiência houve muitas manifestações de contrariedade, incluindo:

- associação de moradores da Cidade Baixa, que entregou abaixo-assinado com sete mil assinaturas demonstrando contrariedade com a instalação de um "portal" no Largo Zumbi, com o fato de não se ter providenciado estudo de impacto de vizinhança e ambiental e com a não apresentação de alternativas, e com o fato de o governo municipal não ter consultado as comunidades diretamente atingidas;

- duas entidades do movimento negro, que questionam a descaracterização de um espaço que consideram conquista sua, e ainda sua mudança de denominação para Zumbi-Açorianos;

- entidade representativa dos produtores da feira de sábado no Largo Zumbi mostrou-se contrária à instalação de "portal" no local, mostrando preocupação com o destino dos feirantes;

- associação dos comerciantes da Azenha, que questiona a localização do portal da Azenha, distante do eixo comercial do bairro;

- representante dos comerciantes do mercado público e dos moradores do centro afirmam que cortar o fluxo de ônibus para aquela região irá sufocar o comércio;

- organizações populares, indivíduos e vereadores destacaram o autoritarismo e falta de transparência do projeto, a contrariedade com o sistema de tranbordos que implicam os "portais", e a contrariedade com a instalação de mais três "shoppings" na cidade, a possibilidade de "quebradeira" no pequeno comércio, o alto custo do projeto (240 milhões), a ausência da secretaria do meio ambiente, a alternativa abandonada do metrô, e o fato de que o projeto não irá resolver as deficiências do transporte coletivo na periferia da cidade;

- vereadora Sofia Cavedon (PT) questionou o fato de se ter gasto dinheiro público promovendo os "portais" sem antes ser realizados estudos de impacto de vizinhança e ambiental;

- vereadora Maristela Maffei (PSB) diz que a cidade pode fazer um "levante" contra o projeto;

- vereador João Dib (PP), ex-secretário dos transportes, afirma que os "portais" são apenas uma "idéia", não um "projeto", e questionou sua viabilidade técnica;

- também se pronunciaram os vereadores Adeli Sell (PT), Margarete Moraes (PT), Carlos Todeschini (PT) e o deputado estadual Raul Carrion (PC do B), contrários ao projeto;

- vereadores Sebastião Melo (PMDB) e Ismael Heinen (PFL) fizeram pronunciamentos conciliadores e dúbios;

Ao final, o secretário Senna destacou que o custo do projeto é barato comparado ao custo do metrô, e que o custo é igual ao 3a. da Perimetral. Afirmou que acolherá sugestões que se enquadrem tecnicamente no projeto e descartará as críticas "ideológicas". A representante da Associação dos Moradores da Cidade Baixa disse que, se preciso for, os moradores "brigarão como leões" para impedir a instalação de um "portal" no Largo Zumbi.