Atentados a bomba contra o movimento democrático e popular no Rio de Janeiro

Em finais da década de 1970 e início dos anos oitenta, o movimento popular avançava nas lutas pelas liberdades democráticas, por melhores condições de vida e trabalho, pela reconstrução das suas entidades representativas; por anistia ampla, geral e irrestrita; pela derrubada da ditadura militar. Era um momento de grande efervescência política.

A ditadura militar tentava deter o crescente ascenso do movimento popular, procurava intimidá-lo, e a suas lideranças. Uma onda de atentados terroristas começou a ocorrer no intuito de detê-lo.


Democratas e religiosos foram ameaçados e seqüestrados. Bancas que vendiam jornais oposicionistas ao regime foram atacadas com bombas no início de 1980.


No dia 27 de agosto de 1980, três bombas explodiram no Rio de Janeiro. Uma causou a morte de D. Lyda Monteiro, secretária da Ordem dos Advogados do Brasil. Outra, no gabinete do vereador Antonio Carlos Carvalho, destruiu as salas, feriu gravemente o sr. José Ribamar de Freitas, seu tio e companheiro de luta, e atingiu mais quatro funcionários. Uma terceira, na madrugada, atingiu e danificou a sede do jornal Tribuna Operária.

Em 1981, durante as comemorações do Dia Internacional do Trabalhador ? 1º de maio ? num atentado malogrado, uma bomba explodiu num carro, no colo de um militar (entre os executores, um sargento do Exército morreu e um capitão ficou ferido), no estacionamento do Rio Centro, onde cerca de 20 mil pessoas assistiam a um show de música popular brasileira.


O atentado ao gabinete de Tonico

Com o objetivo de intimidar o MR-8 e atingir Tonico, cujo gabinete se tornara um centro de apoio à rearticulação das lutas populares, uma bomba foi enviada à Câmara, endereçada a Antonio Carlos.

Na mesa do gabinete de Tonico, junto à correspondência, às 14h30min, ao abrir um pequeno embrulho de 10 x 5 x 1 cm, o sr. José Ribamar de Freitas, seu tio e assessor político, foi jogado pelos ares, pela força da explosão.

José Ribamar, à época com 63 anos, jornalista aposentado, ficou cego, teve o braço esquerdo amputado, perdeu três dedos da mão direita, todos os dentes e cerca de 80 % da audição.

O atentado não lhe tirou a vida porque o teto do gabinete explodiu, destruindo duas salas e uma parede de eucatex. Outras quatro pessoas foram atingidas: uma funcionária, grávida de seis meses, foi levada ao hospital (com ferimento na cabeça, necessitou de sutura com 14 pontos), um funcionário sofreu um infarto e outras duas funcionárias tiveram contusões e escoriações.

À época, o deputado Raymundo de Oliveira denunciou que "a bomba não foi colocada apenas com o propósito de ameaçar; era para matar mesmo. Se o teto não tivesse estourado, a explosão teria sido mais violenta, e todos que estavam na sala fatalmente morreriam".