Em Acari no Rio, a polícia tenta sem sucesso impedir milhares de favelados famintos de retirar restos de alimentos sob os escombros de um depósito do Ceasa destruído pelo fogo. Em Guarulhos, fiscais da prefeitura fraturam o crânio de um perueiro ao atirá-lo de cima de uma ponte, numa intimidação para impedir mil perueiros clandestinos de trabalhar nas ruas da cidade.
Na mesma proporção que a fome se multiplica nas periferias, no nordeste, no Vale do Jequitinhonha; o lucros dos banqueiros se multiplica a cada balanço.
As várias quadrilhas do mundo financeiro, como sempre, continuam estourando suas champanhes francesas no alto de suas coberturas. O Bradesco, por exemplo, festeja o roubo de mais de um bilhão de reais só durante este primeiro semestre, o que significa que, a cada final de dia 5 milhões de reais são surrupiados de comerciantes e industriais ladrões de trabalhadores e de trabalhadores para abarrotar ainda mais os cofres da quadrilha.
Enquanto isso o governador de São Paulo, como qualquer outro governador que se preze, cumpre seu papel de lacaio de banqueiros, industriais e latifundiários, bloqueando celulares pré pagos dos ladrões de varal do Carandirú, construindo prisões para desempregados que furtam para comer, e cortando as magras bolsas dos estudantes pobres nas universidades públicas. Tudo isso sem deixar de dedicar um tempo para, juntamente com o Presidente e a Prefeita de São Paulo, lamber os sapatos do Blair, porta-voz do neoliberalismo britânico.
Alvimar Bessa
Projeto Periferia
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