| Estudantes da UFBa entregam em ato solene a parte administrativa da reitoria Por Comando da Greve Estudantil da UFBA 10/08/2004 às 19:47 Os estudantes ainda em ocupação produtiva, decidiram por desocupar apenas a parte administrativa do prédio mediante a abertura do canal de negociações com o reitorado Os estudantes da UFBa, em greve desde o dia 15 de julho, reivindicando melhorias para a Universidade e contra essa Reforma Universitária, decidiram, em assembléia geral dos estudantes, terça-feira 03, por ocupar de forma simbólica o palácio da Reitoria. A ocupação se deve pela deliberação evasiva dos conselhos superiores da UFBa (ConsUni - Conselho Universitário e Consepe – Conselho de Ensino, Pesquisa e Extensão). A perspectiva do ato simbólico era chamar a atenção do Magnífico Reitor Naomar de Almeida Filho. O Magnífico não se sentiu sensibilizado com o ato, muito pelo contrário, acabou por cessar todas as negociações que haviam sido deliberadas no ConsUni. Hierarquicamente, o ConsUni está um patamar acima do Reitor, logo, ele não possuía o poder de postergar uma decisão deste Conselho. Na quinta-feira, 05, o reitor em exercício, prof. Franscisco Mesquita, recebeu dos estudantes um documento solicitando a reabertura das negociações iniciadas pelo ConsUni e a convocatória de um Consepe. Seguindo o prazo e as condições estipuladas no documento entregue, os estudantes ocuparam as salas da administração às 17h da sexta-feira, 06. Ontem, 09, em reunião extraordinária entre os estudantes e o reitorado, foi marcada a reabertura das negociações. Diante da posição do reitorado, o Conselho de Entidades de Base(CEB), que reúne os Diretórios e Centros Acadêmicos da UFBa, deliberou por desocupar a parte administrativa da reitoria mantendo a ocupação produtiva do prédio. Hoje, 10, pela manhã, os estudantes realizaram, em ato solene, a entrega das chaves das salas da administração aos pró-reitores. Durante o ato uma nota foi lida e entregue à sociedade e ao reitorado da Universidade Federal da Bahia na presença da mídia. Em seguida a chefe de gabinete do reitor, Isabela Pinto, e os pró-reitores Manoel José Carvalho, Dora Rosa, Neusa de Azevedo e Maerbal Marinho se reuniram com os estudantes, Marcos Trajano, Ademário Costa e Marcela Machado, escolhidos para negociar a reabertura das conversações com a reitoria em nome do movimento. Na reunião com os pró-reitores marcou-se uma audiência com o reitor às 15h de amanhã, 11. O intuito da audiência com o reitor é de se estabelecer uma comissão de estudantes, professores e reitoria a fim de se convocar os conselhos superiores, entretanto a convocação dos conselhos será ainda discutida. Na discussão é constatado que a “resolução aprovada no Consepe não tem a melhor forma, acho que não há nada que impeça a rediscussão no Consepe” afirma o pró-reitor Manoel José Carvalho. Por fim a reunião termina com a declaração dos pró-reitores de que irá se buscar uma resolução que seja a mais ampla possível e que esteja dentro da legalidade para não causar danos aos estudantes grevistas.
Email:: comando_de_greve@yahoogrupos.com.br >>Adicione um comentário Galera, minha opinião: Esta greve começou muito mal, pois é fato sabido de todos que as reinvidicações só foram feitas DEPOIS de declarada a greve. Mas as reinvidicações são justas e foi um passo positivo o Reitor ter acatado a negociação de TODAS. É verdade também que houve uma má vontade em garantir a reposição das aulas, mas a greve foi reconhecida e foi neste ponto que comecou a confusão e divergências. Ao meu ver, a ocupação da reitoria só fez atrasar as negociações e não teve nenhuma vantagem. A reposição das aulas era pra ser negociada quando acabasse a greve, já que ela foi reconhecida. E além disso já que as negociações foram aceitas não havia mais motivo para continuar a greve e em vez de invadirmos a reitoria, devíamos acabar a paralização. Quanto ao que dizem de que a greve é contra a reforma universitária, acho muito inconsistente esta luta, já que esta reforma não foi analisada devidamente e não há consenso geral de que esta reforma é realmente ruim. Além disso uma assunto NACIONAL, não pode ser combatido com uma greve local e desorganizada. Se os alunos em sua maioria realmente apoiarem uma luta contra a reforma universitária, esta teria de ser NACIONAL E GERAL. Fica aqui meu apelo: SIM PARA AS REINVIDICAÇÔES LOCAIS E REALISTAS, NÂO A UTOPIAS MIRABOLANTES. Afinal, todos são contra a guerra no Sudâo, contra a fome dos miseráveis, contra o imperialismo dos países ricos, etc... mas ninguém faria uma greve estudantil local, para lutar contra essas terríveis realidades... ou faria??? Bom, agora que os estudantes retomaram o diálogo, espero que a greve tenha um final positivo.  | O comentário acima tem uma série de pontos de vista expressados que, se refletem o grau de desinformação para o qual tem contribuído as distorções da imprensa aqui na Bahia sobre a greve estudantil e sobre a ocupação da reitoria da UFBA, ao mesmo tempo são marcos de uma posição bastante clara. Trata-se de uma posição com pouco contato com a realidade, que dialoga pouco com o real e mantém-se no limite de um "fetichismo do imediato", de uma "ideologia do palpável", plenamente compreensível mas jamais justificável. Mas prefiro deixar que os fatos falem por si. 1 - RECONHECIMENTO DE GREVE: o reitor está sendo extremamente antidemocrático na condução das negociações - coisa que, institucionalmente, nem a ele cabe. A instância legítima para tratar da atual situação do movimento grevista estudantil é o Conselho Universitário (CONSUNI), que já estava convocado para o dia 10 de agosto, mas cuja reunião o reitor suspendeu numa ópera bufa em três atos: a) primeiro, declarou que suspendia as negociações depois da ocupação da reitoria, atropelando decisão do próprio CONSUNI de se reunir no dia 10 - e o CONSUNI é instância superior hierarquicamente ao reitorado; b) denunciado o arbítrio do reitor, logo se arrumaram algumas "assinaturas" de professores para um documento que se dizia ser dos conselhos superiores da universidade (CONSUNI e CONSEPE - Conselho Superior de Ensino, Pesquisa e Extensão). Essas "assinaturas" eram apenas os nomes dos conselheiros digitados na página do informativo UFBA em Pauta (usado nos últimos dias como correia de transmissão do pensamento da reitoria), e não assinaturas reais. c) membros dos conselhos que não se alinham com a política do reitorado, como os profs. Luiz Filgueiras (ECO) e Graça Druck (CISO) denunciaram essa manobra, dizendo que foi um documento construído à base de telefonemas para a base de apoio do reitor Naomar Almeida, que não houve nenhuma reunião em que este documento tenha sido examinado. Com mais esta denúncia, a autoria do documento foi alterada para o que é mais próximo do real, sendo agora não mais um documento dos conselhos, mas sim (não sabemos até quando, o título pode mudar novamente!) uma "Nota pública de membros dos conselhos universitários e de ensino, pesquisa e extensão, sobre a ocupação da reitoria por estudantes em greve" (v. documento na íntegra em http://www.portal.ufba.br/destaques/nota_publica_conselhos/documento.html). Quanto ao reconhecimento, os próprios representantes da reitoria que apareceram para receber as chaves do setor administrativo do andar térreo e do subsolo, principalmente na pessoa do prof. Manoel José (pró-reitor de Extensão), admitiram que o reconhecimento da greve e a instrução da resolução 02/04 do CONSEPE ( http://www.portal.ufba.br/conheca/conselhos_superiores/consepe/resolucoes/resol_0204/resol_0204) ainda era pouco, e que se trata de uma resolução que não resolve o problema. O caso é que a política de "belisca-e-assopra" de Naomar continuou: na reunião com os representantes estudantis acontecida no dia seguinte, ele nem mencionou mais esses avanços. Parece uma tática de confusão, para que pensemos que o campo político da reitoria está dividido. 2 - GREVE SEM MOTIVO: essa é a ladainha do reitor e dos segmentos que o apóiam. Na verdade o que se pretende aqui é fazer uma analogia como o movimento sindical, em que a construção social-histórica do instrumento "greve" tem como um de seus elementos uma negociação freqüente de pautas relativas a uma relação de exploração capitalista, e onde este instrumento é severamente limitado por uma lei específica, que restringe os limites de uso deste instrumento à institucionalidade - espaço onde se sabe que a voz do trabalhador não ecoa. O fato político "greve estudantil" não se construiu da mesma forma e nem muito menos se regula pelos mesmos instrumentos da greve de trabalhadores; sua dinâmica é muito mais fluida. Na presente greve o que se pretende, dentre outras coisas, é barrar a reforma universitária que está sendo proposta pelo governo federal; seria preciso trazer a discussão para a UFBA de uma forma que todas as pessoas interessadas pudessem participar. Eu acho que seria complicado estimular a participação na discussão sobre reforma universitária, modelos de estrutura universitária, autonomia e financiamento das IFES e outros temas sem paralisar as aulas. Como seria possível conciliar essa discussão, em que algumas entidades como a FASUBRA (sindicato nacional dos técnico-administrativos), o ANDES (sindicato nacional de professores) e a ANDIFES (associação nacional de reitores de federais) chegam a ter acúmulo histórico de décadas, com atividades corriqueiras como aulas, projetos de pesquisa, monografias, atividades de extensão e trabalho? Assistindo debates entre autoridades e simulando acúmulo de conhecimento? Esse é um primeiro ponto. Existe outro: grande parte da pauta estudantil ( http://www.midiaindependente.org/pt/blue/2004/07/286901.shtml) está circulando pelos conselhos desde pelo menos a greve de 2000; outra parte está parada mesmo depois de aprovada, como o projeto de segurança para a UFBA aprovado em 2000 pelos conselhos superiores, que prevê aproximação como comunidades vizinhas, reativação da guarda universitária e de cooperativas de gestão da segurança universitária, dentre outros pontos. Seria impossível, conhecendo a conjuntura dos conselhos, pressionar de outra maneira. É nesse sentido que vai a exigência da suspensão do calendário acadêmico retroativa ao dia 15 de julho: há professores em unidades como a Politécnica que estão se colocando contrariamente ao movimento estudantil e continuaram dando aula durante o período em que a APUB ainda não havia decretado greve, ameaçando estudantes participantes do movimento com reprovações por falta. Suspender o semestre, reavaliar o calendário acadêmico ou qualquer outra medida semelhante, se aprovada depois do movimento, vai causar mais prejuízo aos estudantes que se for tomada agora. E, pra piorar, siginifica perder a queda de braço para a truculência de alguns professores mais autoritários, que não compreendem o alcance das reivindicações estudantis e querem vencer pelo terror. 3 - GREVE NACIONAL: puxar uma greve nacional vai ser uma das coisas mais difíceis. Sabemos que a UFCG (Universidade Federal de Campina Grande-PB), a UFPB (Universidade Federal da Paraíba), a UFS (Universidade Federal de Sergipe) e a UEM (Universidade Estadual de Maringá-PR) estão em greve por motivos semelhantes aos nossos, mas existe aí um porém na decretação de uma greve nacional, que é o grupo majoritário na direção da UNE, o bloco liderado pelo PCdoB/UJS (que aqui na UFBA hegemoniza o grupo O Novo Sempre Vem). Aqui na UFBA, este bloco tem assumido posição de apoio ao reitor, e se retirou do movimento desde que a ocupação foi realizada; só tem comparecido a momentos institucionais, como os Conselhos de Entidades de Base (CEBs) e assembléias (por sinal, uma assembléia de greve cheia como foi a dessa semana depois de mais de quase um mês de greve é um bom indício do interesse do alunado da UFBA no movimento, nunca tinha visto algo assim). Quando os representantes do CONSEPE ligados ao grupo Flores de Maio (Unidade na Luta/PT) foram destituídos de suas representações, o bloco PCdoB/UJS fechou posição com eles no sentido de não reconhecer a legitimidade das últimas reuniões, embora tenha participado delas. Mas o que vale aqui nem sempre vale longe daqui. Retiramos um delegado para o CONEG (Conselho Nacional de Entidades Gerais - reunião de todos os DCEs do país), Vinícius (Quilombo - Articulação de Esqurerda/PT), que ao chegar lá teve sua inscrição boicotada, porque a direção majoritária não reconheceu a ata do CEB que o elegeu. No mais, relatos de pessoas de outras universidades dão conta que a UNE não tem interesse algum em puxar greve alguma. Se a questão é articular uma greve nacional, vai ter que ser assim: na base, por fora da UNE. Embora ainda existam pessoas dentro da entidade que têm interesse em fazer a manifestação chagar a nível nacional, sua voz não é a da maioria da diretoria. Embora disponham de ajuda de custo e outras benesses, basta que a direção majoritária saiba de suas intenções para que essa ajuda de custo "chegue atrasada". 4 - GUERRA NO SUDÃO, FOME DOS MISERÁVEIS E A REFORMA UNIVERSITÁRIA: ninguém falou durante a greve inteira em acabar com a guerra do Sudão, com a fome dos miseráveis nem em nada disso, como você desqualifica. A referência ao imperialismo e a organizações financeiras multilaterais presente no discurso de muitos de nós que ocupamos a reitoria é apenas um reconhecimento da quantidade de elementos que se articulam naquilo que parece ser apenas uma questão local - e isso me faz remeter ao seu próprio conceito do que seja utopia. Vejamos a utopia a partir de uma situação concreta: falta de um teatro para a escola de teatro da UFBA. Essa situação poderia ser a da falta de um campo de prática de saúde, poderia ser a da faltam cadáveres na faculdade de medicina... mas vamos nos ater à falta de teatro na escola de teatro. Sem teatro, não há como praticar, não há como montar peças, não há como ensaiar, como estudar cenografia, elementos mais físicos da estrutura arquitetônica do teatro que podem contribuir ou atrapalhar na encenação - e sem esses detalhes, convenhamos, o ator ou a atriz saem da universidade com uma formação extremamente deficitária, para dizer o mínimo. Mas por que não há teatro? Porque não há dinheiro. Por que não há dinheiro? Leia o documento "Gasto social do governo central" ( http://www.fazenda.gov.br/portugues/documentos/2003/Gasto%20Social%20do%20Governo%20Central%202001-2002.pdf) que você vai entender por quê - o documento é todo baseado em estudos do Banco Mundial (como o documento "Inequality in Latin America & the Caribbean: Breaking with History?", de 2003) e da Konrad Adenauer Stiftung. Você vai ver que a opção do governo para o custeamento do ensino superior é o FIES, sistema de bolsas de ensino, ao invés de investimento pesado em abertura de vagas e financiamento ampliado a instituições públicas de ensino superior. Ou seja: há documentos do governo federal apontado a redução de financiamento para as IFES - o que quer dizer que não vai ter dinheiro para o teatro. Mas os estudos do Banco Mundial e a opinião de membros de organizações financeiras multilaterais (FMI, Banco Mundial, etc.) indicam que o terceiro mundo atualmente é o maior mercado para o ensino superior. A juventude nos países de terceiro mundo está chegando agora às universidades, a quantidade de pessoas que faz vestibulares aumenta a cada ano. Entretanto, os dados do Brasil indicam a opção governamental nos últimos anos; se em 1968 cerca de 70% das vagas de ensino superior estava no setor estatal, hoje 75% das vagas está no setor privado. A opção - grave, socialmente excludente - foi expandir o ensino superior a partir do setor privado. E - para levar a discussão para a reforma universitária - agora que o setor privado está passando por uma crise de inadimplência, chegam projetos de lei que ampliam o sistema de bolsas e criam isenções fiscais para o setor. Com a opção política de redução de investimento no setor estatal do ensino público e de ampliação do ensino superior a partir do setor privado, temos o conjunto - bem esquematicamente - do que leva ao corte das verbas para a reforma do teatro da escola de teatro: a expansão capitalista no ensino superior, a mercantilização do ensino. Não acho que falar de imperialismo, FMI, Banco Mundial seja utopia. É a realidade mais crua. E, pra falar a verdade, a guerra no Sudão e a fome dos miseráveis tem mais a ver com a reforma universitária do que você pensa - e embora realmente não seja uma greve estudantil que vá acabar com esses problemas, pelo menos podemos barrar a privatização do ensino público superior e construir um novo ensino público que favoreça os setores que historicamente tiveram acesso barrado a ele.
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