Um juiz de São Gonçalo, região metropolitana do Rio, entrou com uma ação na Justiça contra o condomínio onde mora. Ele exige que todos os funcionários o chamem de "doutor".

De um lado o porteiro do condomínio, do outro o juiz estadual Antonio Marreiro, morador do prédio. Entre os dois um problema: o porteiro chama o morador de Antonio, às vezes só de ‘você’. O juiz exige dele outro tratamento, mais respeitoso.

O que parecia só desentendimento a ser resolvido em reunião de condomínio virou disputa judicial, em Niterói. Na ação, o juiz pede para que ele e seus convidados sejam tratados como ‘doutor’ ou ‘senhor’. Entre as justificativas está a que ele não é um cidadão comum.

Enquanto a ação não é julgada, a Justiça concedeu a ele o direito provisório de ser tratado como deseja, na portaria do prédio.

No edifício ninguém fala sobre o assunto. Nem o advogado do condomínio. É que o juiz Antonio Marreiro também conseguiu uma liminar todos e falarem sobre o processo. A multa é de R$ 1 mil.

“Neste momento eu prefiro não falar”, diz Geraldo Lemos, advogado do condomínio.

O juiz Antonio Marreiro não quis gravar entrevista. Ele disse apenas que não vai abrir mão de resolver os problemas dele com o condomínio na Justiça.

Segundo a Ordem dos Advogados do Brasil, não existe lei que defina como duas pessoas devam se tratar durante uma conversa.

“O que assusta mais é que isso é retrocesso muito grande, porque todo mundo é igual perante a lei e obviamente entre si mesmo. Então, eu acho que o que deve haver entre duas pessoas é respeito", afirma Carmem Fontenelle, vice-presidente da OAB do Rio.

Matéria do Jornal Nacional - Globo