Todos sabemos a fama que o Grêmio tem no cenário futebolístico brasileiro. Sua origem racista e burguesa é até hoje motivo de orgulho para alguns gremistas. Torcida esta que entoa hinos racistas em todas as partidas de futebol, sobretudo quando se trata do clássico GreNal (Grêmio X Internacional). Isto porque o Internacional foi o primeiro clube do Rio Grande do Sul a romper com as barreiras raciais, abrindo suas portas para negros e mestiços. Sua mascote é justamente o ?Saci?, personagem negro do folclore brasileiro. Por outro lado, em sua listagem, João Saldanha coloca o Grêmio como um dos clubes elitistas que mais resistiram à presença de negros. Lupicínio Rodrigues sabia disso, mas mesmo assim compôs o hino que se tornou oficial para o clube, afinal de contas, o Lupicínio amava o Grêmio de coração. O fato do hino de um dos clubes mais racistas do Brasil ter sido composto por um negro é motivo de tristeza por parte de alguns torcedores (brancos) gremistas, os que mais se identificam com o nazismo. Cogita-se que 90% dos nazistas que residem no Rio Grande do Sul torcem pelo Grêmio, o restante não gosta de futebol.

Interessante ainda é observar algumas atitudes da torcida gremista em campo, como, por exemplo, entoar hinos racistas em espanhol, chamar a torcida do Inter de ?macacos?, imitar macacos quando jogadores negros pegam na bola etc. Para se ter uma idéia, há uma torcida do Grêmio que se chama ?Alma Castelhana? que considera o Sul o seu país (slogan de todo neonazista separatista residente na parte sul do Brasil), e consideram os nordestinos como ?sub-raças?. A ?Super Raça Gremista? também não fica atrás, pois também são responsáveis pelas pérolas racistas em campo (o fato de chamar a torcida colorada de ?macacos?, por exemplo). O Grêmio é, como diriam alguns, a Lazio do futebol brasileiro...

Os torcedores do Grêmio geralmente se autodenominam como ?Divisão Panzer? (as tropas nazistas de Hitler). Interessante é que isto despertou uma reação irônica por parte da torcida do Internacional, que passou a classificar-se como ?Exército Vermelho?, já que este era defensor de uma causa igualitária (o comunismo) e saiu-se vencedor da 2ª Guerra Mundial contra as tropas de Hitler.

A ânsia da torcida gremista para que o seu clube volte à 1ª divisão do futebol brasileiro é muito grande. Para isto tem à sua disposição uma gama de árbitros que estão ?errando? deliberadamente em jogos contra os demais times adversários, sobretudo os que representam o estado de Pernambuco: Santa Cruz e Náutico. Mas, além disso, há o uso do terror fascista por parte não só das torcidas organizadas, mas também dos atuais responsáveis pelo clube.

Em matéria no jornal Folha de Pernambuco de domingo (23/10), o jornalista André Albuquerque retratou alguns dos e-mails recebidos ultimamente pelo site dedicado ao Santa Cruz, CoralNET ( http://www.coralnet.com.br), vejamos o que diz o jornal:

"A guerra da partida entre Santa Cruz e Grêmio já começou. Isso é o que pode ser constatado quando se abre a caixa de e-mails do site oficial do clube pernambucano. Lá, os gaúchos prometem serem brutais com os torcedores tricolores que forem ao Rio Grande do Sul para assistir ao jogo. Lembrando apenas que no primeiro confronto entre os clubes, na fase passada, em uma atitude no mínimo antiquada, o vestiário coral esteve com a água desligada. A delegação do Santa precisou tomar banho no hotel. Já no Recife, o ônibus dos gaúchos foi apedrejado pelos torcedores locais.

Pelos correios eletrônicos enviados à Coralnet, os gremistas estão pretendendo intimidar os tricolores. Para se ter apenas um pequeno exemplo de como eles estão encarando a partida, basta ler o que escreveram: ?Estamos preparando uma surpresa para quando chegarem aqui. Pena que vocês não têm torcida pra vir. Já nós somos diferentes. Rio Grande do Sul é minha pátria. Sofrerão muito mais do que disseram. Serão molestados. Nem saiam pra rua quando estiverem aqui. Vamos caçar vocês. Serão estrangeiros em nossa terra?, diz um deles.

Mas a fúria gaúcha não se resume apenas a um ou dois gremistas. A Coralnet está recebendo dezenas de e-mails diariamente. A maioria deles é dos torcedores do Grêmio. Nas correspondências, eles estão por dentro do que está acontecendo por aqui: ?Porto Alegre está de olho na pressão fora de campo. Ninguém vai subir na marra. O pega pra capá será dentro de campo. Já levaram ferro duas vezes e por causa desta palhaçada que estão promovendo vão acabar levando o terceiro. Ninguém é bobo. Cambada de varzeanos (jogador de várzea)!?, afirmou outro torcedor, se referindo à mobilização da Federação, clubes e políticos em relação às últimas falhas da arbitragem? (Folha de Pernambuco, 23 de outubro de 2005).

Enfim, como já foi dito, não só a torcida (organizada ou não-organizada), mas também os dirigentes tiveram a ousadia de desligar a água para os ?inferiores nordestinos? do Santa Cruz. Já a torcida fascista chamada ?Alma Castelhana? foi a responsável por acordar os jogadores do Náutico em plena madrugada soltando rojões. No final da partida entre Grêmio e Náutico esta mesma torcida provocou um tumulto violento contra os jogadores do time pernambucano. Mas se já não bastassem às provocações e ofensas dessa torcida, agora foi a vez da imprensa gaúcha entrar no clima.

Segundo o site oficial do Grêmio, em matéria postada nesta quinta, o árbitro Wagner dos Santos Rosa, que apitará o confronto deste sábado no Arruda, já sofreu pressão das torcidas organizadas do Santa Cruz:

?...Em duas oportunidades atuando em jogos do time pernambucano, o árbitro foi bastante pressionado pelas torcidas organizadas do time coral. Em uma partida contra o Santo André, pela primeira fase, o árbitro foi ameaçado de ter seu telefone e endereço divulgados na internet caso prejudicasse o Santa Cruz...?

?...As ameaças voltaram a acontecer no quadrangular semifinal na decisiva partida contra o Avaí quando o Santa Cruz precisava vencer para garantir a classificação...?

Demonstrando no mínimo falta de informação (a partida contra o Santo André foi na fase semifinal) e esquecendo do que foi feito com o Clube Náutico Capibaribe e com o próprio Santa Cruz em Porto Alegre, o site ainda finaliza a matéria com um comentário digno dos maiores picaretas, que acreditam prever o futuro: ?...Coincidência ou não, as pressões provavelmente voltarão a ocorrer e o Grêmio está preocupado com o que possa acontecer...?

Nós, torcedores do Santa Cruz e pernambucanos em geral, respeitamos a qualquer um que venha disputar uma partida em nosso estado e contra nossos clubes, apesar da violência generalizada e descerebrada das torcidas organizadas despolitizadas que dominam atualmente o futebol brasileiro. Mas as práticas da torcida gremista não são de marginais descerebrados que cultuam a violência despolitizada, pelo contrário, defendem uma linha política e ideológica repugnante e criminosa que tem como pilares o racismo e o preconceito. Somos violentos com quem é violento conosco, já dizia Malcom X, revolucionário e ativista negro.

Na Europa, tal ideologia racista ganhou um terreno tão grande que quase não se pode ir ao estádio sem que se veja alguma faixa escrita: ?Morte a judeus e negros!?. Assim é com a torcida da Lazio (Irreducibili), do Real Madrid (Ultras Sur), Borussia Dortmund (Borussenfront) etc. Queremos que aconteça o mesmo em nosso país? Não!

Devemos dizer que, por outro lado, surgiram torcidas organizadas anti-fascistas que são referências na luta contra o racismo, algumas delas são: Brigadas Autônomas Livornenses (do Livorno), Bukaneros (do Rayo Vallecano), St. Pauli Fans (do Sankt Pauli), Ultras Santa Boys (do Santa Clara) etc.

Particularmente, temos o orgulho de pertencer a um clube (Santa Cruz) que, tal qual o Internacional no Rio Grande do Sul, foi o primeiro clube no estado de Pernambuco a abrir as portas aos negros e mestiços, a estudantes e trabalhadores em geral. Teófilo Batista de Carvalho, vulgo ?Lacraia?, foi o primeiro negro a jogar no futebol pernambucano e a vestir a camisa do Santa Cruz. Desde então o clube ficou conhecido como o ?time do povo?, o ?mais querido clube das multidões? (já que o número de torcedores aumentava qualitativamente).

As atitudes do Grêmio (tanto de sua torcida como a dos dirigentes que desligaram a água do vestiário para os jogadores do Santa Cruz) devem ser repudiadas por qualquer anti-fascista.