Lembro bem, por ocasião da queda da União Soviética, a notícia, que uma delegação de militares estadunidenses veio ao Brasil e explicou aos brasileiros que o inimigo da democracia não era mais o comunismo e sim as drogas, que deveriam ser combatidas. Os brasileiros então pediram dinheiro.

Naquela época, ou não havia drogas no Brasil ou o assunto era de importância secundária para os meios de comunicação. A prioridade era o perigo vermelho. O comunismo era o bicho papão.

Mas, os estadunidenses não pedem, mandam. Hoje em dia, todo e qualquer crime é praticado apenas por traficantes: Traficantes mataram, traficantes assaltaram, traficantes seqüestraram, traficantes metralharam, traficantes contrabandearam, traficantes tudo.

O perfil dos bandidos mudou, de ladrões de galinhas passaram a ser traficantes. Mesmo os que ainda só roubam galinhas.

Forçam o Brasil a reprimir o tráfico de drogas (é o que dizem, porém a verdade parece ser bem diferente, do que quase todos nós, imaginamos) para que elas não alcancem suas cidades. Mas não dizem o que fazer com os presos e as celas superlotadas.
Não permitem que se gaste em construção de presídios e, o mais importante, em treinamento adequado e pagamento de salários dignos aos policiais e agentes penitenciários. A segurança do brasileiro não lhes interessa.
No dinheiro destinado aos bancos e ao FMI não se toca, é sagrado.
Se não, nosso Presidente não recebe os elogios do mundo financeiro e o risco Brasil aumenta.

Os policiais são mal pagos e corruptos. Mal vistos pela sociedade ordeira e pelos criminosos. Moram em favelas, junto aos miseráveis, malfeitores e pequenos traficantes que devem prender. São os seus vizinhos.

Os grandes criminosos e traficantes, é claro, não moram em favelas, seria absurdo imaginar isto. Ocupam casas em bairros nobres e coberturas, em locais privilegiados, são senadores, deputados, governadores, juízes, promotores e desembargadores. Deste modo a atuação dos policiais fica restrita às favelas. E o tráfico não acaba nunca.

Assim como no Brasil, onde os problemas devido as diferenças sociais são enormes, deve ser o que acontece também entre os israelenses e os palestinos.
Aqueles tem uma renda anual de 17.000 dólares e estes de apenas 700. Vinte e quatro vezes menos!
Como pode haver coexistência pacífica? A rixa entre eles é por motivos religiosos, mas esse é, certamente, um agravante muito importante.

Aliás por que os ingleses não deram para os israelitas terras nas ilhas britânicas e sim áreas que pertenciam aos muçulmanos, tradicionais inimigos dos israelitas? É o mesmo que dar terras dos franceses aos alemães ou vice-versa.
Não funciona. E a Organização das Nações Unidas (ONU) ainda aprovou. Que idiotas.

A mídia e os governantes, que estão sempre ao lado dos ricos, limitam-se a criticar os traficantes, ladrões de galinha e favelados e a combate-los como um mal que deve ser extirpado para que seja possível um mundo melhor.
Esquecem-se que eles mesmos os criaram.

Agora, nos seus prédios e coberturas de frente para o mar tem que abaixar-se para não serem atingidos por balas perdidas provenientes dos morros às suas costas.
São Paulo agradece muito, por não ser montanhoso.

Deveriam saber que o homem é covarde. Poucos são os que, tendo uma boa renda ou salário, uma boa família, uma boa casa, um futuro promissor ou seja "pão e circo", arriscariam perder tudo cometendo uma ilegalidade grave qualquer. Covardia pura.
Permitam ao pobre ter uma vida razoável e verão que ele não é criminoso!

Criminosos são os que sabem-se impunes (ricos, poderosos, políticos) e os miseráveis, desiludidos e desesperados que, como feras acuadas, enfrentam um Golias todo poderoso, em confronto quase sempre suicida.

Raros são os criminosos compulsórios ou seja os que praticam crimes pelo crime em si. Estes tem que ser “tirados de circulação”. São perigosos.

Devem ser raros, obrigatoriamente. Se muito freqüentes o que está errado é sociedade que os define como tal. Erram então as leis, por serem exigentes demais.

Nada portanto de considerar pobres como criminosos. Nem prender só criminosos pobres. São por demais numerosos!
Não existe cadeias em suficiência.
O FMI não deixa!