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| | Aborto na América Latina Por CLAM ( * ) 25/09/2005 às 20:34 ( * ) Centro Latino-Americano em Sexualidade e Direitos Humanos O quadro atual de leis pertinentes à diversidade sexual e ao aborto foi mostrado tendo como ponto de partida a América Latina. A advogada feminista peruana Roxana Vasquez, do Comitê Latino-Americano e do Caribe para a Defesa dos Direitos da Mulher (CLADEM) refletiu sobre a situação do aborto na região apoiada num estudo feito em 14 países entre 1995 e 2000 e atualizado em 2002. “Embora alguns casos, como o de aborto devido a estupro, tenham sido incorporados, e outras penas reduzidas, não podemos anunciar uma tendência à flexibilização, que abra caminhos para a descriminalização do aborto. Pelo contrário, existe uma corrente contra, apoiada num conceito errôneo de proteção da vida”, disse ela. Atualmente, Argentina, Bolívia, Colômbia, Chile, Peru, Equador, Honduras, Guatemala, Costa Rica e Nicarágua incluem esse conceito em suas constituições, suas legislações civis e em seus códigos de defesa da criança e do adolescente. “O aborto tem sido uma questão tradicionalmente tratada pela legislação penal. Sua incorporação às políticas públicas é recente”, analisou Roxana. Baseado nos diagnósticos nacionais dos estados latino-americanos, o estudo, realizado pelo Centro da Mulher Peruana Flora Tristán, mostra o tratamento penal para quem interrompe voluntariamente a gravidez em países que vão do México à Argentina. Porto Rico é o único dentre eles onde a prática não é penalizada, podendo ser realizada em estabelecimentos públicos de saúde. O Panamá se mostra como o país que tem o maior número de permissivos legais, enquanto em El Salvador, Colômbia, Chile e Honduras o aborto é completamente penalizado, sob qualquer circunstância. “A opressão penal só funciona contra as mulheres mais pobres”, disse Roxana. Alguns países, como o México, Peru e Bolívia, consideram aborto como um problema de saúde pública, devido a sua incidência como causa de morte entre as mulheres, especialmente adolescentes. “No Peru, segundo estatísticas de 2003, foram realizados 410 mil abortos, o que equivale a pouco mais de mil casos por dia”, revelou a advogada. “Por conta do problema da clandestinidade, não podemos chegar a números confiáveis. Não existem números estatísticos para todos os países e nem tampouco dados por idade, área geográfica ou por nível sócio-econômico. Existem estimativas não oficiais, porque as produzidas pelos Ministérios de Saúde referem-se às entradas e saídas dos hospitais públicos, os quais contabilizam abortos legais. Entretanto, essas estimativas nos dão uma idéia do tamanho do problema”. Na Colômbia, onde a prática é penalizada sob qualquer circunstância desde 1936, as estimativas mostram que são realizados de 200 mil a 400 mil abortos anualmente. Todos ilegais e clandestinos, já que lá não existe qualquer pernissivo legal. Segundo dados do Departamento Administrativo Nacional de Estatística (DANE) colombiano, o aborto inseguro corresponde a 16% das causas de morte materna no país, ocupando, há mais de uma década, a segunda posição neste ranking infeliz. “Os países enfrentam o dilema: despenalizar o aborto e diminuir a incidência de mortes causadas pelo aborto clandestino. Por quê essa situação se perpetua?”, questionou a advogada. “Na América Latina, a Igreja tem um poder forte. Os estados são laicos, mas na prática não”, afirmou. Segundo ela, Uruguai e México são os menos influenciados pela Igreja, enquanto nos países centro-americanos a Igreja tem maior influência. Em 2004, se o projeto de lei de Defesa da Saúde Reprodutiva tivesse sido aprovado, o Uruguai, considerado um dos países mais intensamente laicos, seria o primeiro da região a ter uma legislação francamente liberal em relação à questão. O projeto foi aprovado pela Câmara dos Deputados, mas não passou pelo Senado Federal, que decidiu manter a lei vigente no país desde 1938, a qual considera o aborto um crime, com determinadas exceções e atenuantes. Casos de aborto por mal-formação fetal (fetos anencefálicos, por exemplo) são permitidos em oito estados mexicanos. Na Argentina, a Lei provinciana 1044, válida somente para Buenos Aires, permite à mulher adiantar o parto a partir da 24ª semana, o que significa ter que carregar a gestação até pelo menos o sexto mês, para então poder abortar. No Brasil, a ação que reivindica o direito de grávidas de fetos sem cérebro abortarem aguarda julgamento pelo Supremo Tribunal Federal (STF). No dia 27 de abril, enquanto acontecia o debate na Alerj, o STF julgava em Brasília uma questão preliminar sobre o assunto. A maioria dos ministros — seis, de um total de 11 — deixou claro ser favorável ao aborto em caso de anencefalia. “O argumento de defesa da vida intra-uterina é inconsistente. Porque se fosse mesmo caso de defesa da vida, se defenderia o risco de morte da mãe em abortos clandestinos”, concluiu ela.
Email:: clam@ims.uerj.br URL:: http://www.clam.org.br >>Adicione um comentário Atualmente vemos nas manchetes a onda de crimes diversos; assassinatos, corrupção, tráfico de drogas, sem falar nas guerras e na ganância pelo poder. As pessoas que praticam estes atos tentam justifica-los e não sentem o mínimo de remorso nem compaixão pelas suas vítimas. Se eu não os pratico não é por que as religiões dizem que isso é errado, mas é porque a minha consciência não me permite. O mesmo acontece em relação ao aborto, que para mim é algo tão desumano quanto estes outros crimes citados. O valor da vida de um ser humano não se mede pelo tamanho do seu corpo. Hoje, não se pode alegar ignorância, no sentido de se dizer que o feto é só um pedaço de carne, pois a ciência já comprovou que o mesmo sente tudo que qualquer ser humano sente, e luta para não ser morto pelo abortista. Talvez estas pessoas estejam desinformadas ou a vida de um ser humano não tenha nenhum significado para elas. Outra alegação falsa em prol do aborto é a que diz se estar preservando a vida das mães que morrem tentando abortar clandestinamente. No entanto as mulheres que morrem tentando abortar poderiam evitar essa morte se não fossem abortar, enquanto as crianças que morrem abortadas não tem opção nenhuma a não ser aguardar o golpe fatal ou ter a sorte que alguém de bom coração se compadeça delas e lhe salve a vida. O aborto só seria aceitável se para a criança nascer a mãe tivesse que morrer, e mesmo assim seria muito doloroso para uma mãe e para um médico de sentimentos, se tornando uma grande prova para a mãe e para o médico. Um outro argumento equivocado é o que afirma que se tivermos um número menor de miseráveis a qualidade de vida deles tendem a melhorar, por tornar possível uma melhor distribuição de renda. Também, dizer que o aborto poderá ser um meio de controle social, com um conseqüente controle da miséria, é um raciocínio equivocado, pois, não basta sanar a miséria material enquanto a miséria espiritual ou moral permanece, sendo o infanticídio pelo aborto uma marca da miséria e decadência moral de uma sociedade. No entanto a má distribuição de renda já é um efeito de um mal moral da humanidade, proveniente do egoísmo, o qual abafa no ser humano todos os bons sentimentos, gerando indiferença e falta de amor e compaixão entre as criaturas humanas. Enquanto houver dureza nos corações a miséria continuará existindo na sociedade. E mesmo nas sociedades onde a miséria material foi extinta, se ainda continuam miseráveis moralmente, as sociedades mais pobres serão exploradas por elas. Ser a favor do aborto é compartilhar desse indiferentismo para com a vida humana, onde a falta de compaixão por um minúsculo ser indefeso denuncia uma dureza de um coração divorciado desse sentimento sublime que é o amor. Melhorar a qualidade de vida das pessoas sacrificando outras vidas é comodismo dos que não querem se sacrificar por um mundo melhor preferindo sacrificar crianças indefesas. Isso não é questão de religião, mas antes de tudo é uma questão ética e moral, e mais ainda é uma questão de sentimento e consciência. Não haverá paz no mundo, nem acabará a miséria enquanto o ser humano não vencer o seu próprio egoísmo. Ninguém será realmente feliz com a consciência manchada pelo sangue de tantas crianças arrancadas brutalmente dos ventres de suas mães.
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