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| | O Desenvolvimento é Insustentável Por Guilherme L J Falleiros 07/05/2007 às 23:37 Parece novidade, mas não é: a crise ecológica em que vive o planeta Terra, causada majoritariamente pela ação humana, já é assunto batido e rebatido na mídia mundial desde o fim dos anos 80. ?Superaquecimento global? é a nova palavra de ordem para substituir outras como ?efeito estufa? ou ?buraco na camada de ozônio?. Antes, achava-se que o fim da vida na Terra viria pela bomba atômica. Depois, foi-se lentamente percebendo que a bomba atômica não seria necessária. Não se trata de propagandear o apocalipse. Afinal, ?Ecologia? não é uma religião e os ecologistas não são uma seita cujos problemas não nos afetam. E o fim não está próximo: a agonia da raça humana será longa e próspera. Ecologia é uma ?realidade?, e disso sabem muito bem os políticos e economistas ?realistas? (seguidores do ideal materialista) que procuraram já há alguns anos a ajuda dos ecólogos para criar belos conceitos ? enxertando, como num ciborgue, capitalismo na ecologia ? tais qual o tagarelado desenvolvimento sustentável. O desenvolvimento sustentável seria a fórmula mágica de levar o mercado, a evolução material e o acúmulo de capital para além das fronteiras sagradas de onde a suposta separação entre humano e natureza não teria saído. O elo perdido mítico representado por personagens como índios, ribeirinhos, quilombolas, caipiras, nômades e todo o tipo de gente não submetida ao regime formal e alienante da propriedade e do trabalho deveria enfim ser transformado em mercadoria (seja pela monocultura da soja ou do pasto, seja pela exploração da diversidade sábia dos ?nativos?), dar lucro e ser incluído dentro do sistema capitalista, realizando sua utopia total. Entretanto, para o mal não só dos incluídos, mas também dos excluídos, o planeta resolveu reagir. Aliás, ele sempre reage ou, melhor dizendo, todos reagem. Mas só agora é que os ?realistas? estão percebendo isso. Perceber é fácil... É fácil falar em consciência ecológica. Mas não adianta nada ter consciência se ela não virar ação ecológica.
A América Latina tem sido apontada por especialistas multinacionais como o grande seleiro da renovação esquerdista mundial. Uma esquerda realista, não tenha dúvida, assim como não deixava de ser realista seu vultoso patriarca, Karl Marx. Certamente Marx não seguia o mesmo realismo religioso de um Max Weber, para quem o capitalismo triunfaria tragicamente até o fim da última gota de combustível fóssil (se conhecesse o biocombustível, não seria tão otimista). Mas não deixava de julgar realista ? e necessária ? a evolução, o desenvolvimento e a vitória do capitalismo para que, enfim, o Homem (com H maiúsculo, esse Marx!) se libertasse através do comunismo e pudesse progredir, ainda triunfante, dominando a natureza. Esse foco na dominação da natureza (uma desumanização da ?natureza?: transformação dos outros em coisa), no valor trabalho, no progresso, marcou o pensamento do século XIX, esquecendo-se um pouco do que os pensadores diziam um século antes (?nada se cria, tudo se transforma?: se cresce de um lado, se decresce de outro). Não é que ecologia não fosse o forte de Marx. É que, aplicada ?hoje?, a teoria de Marx é anti-ecológica. Pois assim como Marx achava que um país desenvolvido deveria subjugar um país não desenvolvido para colocá-lo no caminho da revolução, agora Lula acha que deve transformar a Amazônia em terra produtiva. E acha, como seus antecessores no poder, que o Brasil deve continuar crescendo (crescer, crescer, crescer até fazer PAC!). E não está sozinho: o foco dos presidentes esquerdistas latino-americanos no combustível, no petróleo da Venezuela, no gás da Bolívia, no álcool do Brasil, e na inclusão de todos aqueles que pensam diferente, mostra que, por mais que lhes neguem esse privilégio, eles são, sim, verdadeiros representantes da tradição marxista. Outro dia, num discurso para estudantes, o presidente Lula insistiu que eles agora iriam entrar para o mundo ?real?, na vida ?real?, do ?trabalho real?, e ele não estava falando da moeda inventada por seu antecessor. Afinal, o fundamento da ideologia materialista de Lula é o valor trabalho. Nada mais ?real? que o trabalho. Trabalhar muito, dar trabalho para todos, ninguém pode ser vagabundo. Vagabundo, não vender sua força de trabalho, andar livremente por aí, como um nômade, vagando... colhendo, coletando, caçando... O orgulho ?realista? de Lula, contudo, impede-lhe de cair na real: a Amazônia não agüenta tanto desenvolvimento. O Nordeste, em 10 anos, poderá se tornar um deserto. O Sudeste, em 10 anos, poderá ter suas cidades praianas invadidas pelo mar (será o fim dos farofeiros e do fim-de-semana na praia) ? cafezinho, então, pode esquecer: nosso solo se tornará infértil para o café. Em suma: se o desenvolvimento continuar, em 10 anos a vida no Brasil e na terra será muito pior. O desenvolvimento é indesejável, porque é insustentável.
Pois a América Latina parece estar querendo competir com a China para ver quem chega primeiro no começo do fim do mundo. Mas para além do fatalismo, existem soluções muito menos apocalípticas e muito mais sustentáveis que nossos presidentes poderiam adotar. Pensemos em algumas delas, aleatoriamente (eu penso aqui e você pensa aí): ? Instaurar o regime de trabalho de 3h diárias. Além de diminuir o desemprego, diminuiria também a quantidade de horas de trabalho no mundo, e a quantidade de queima de combustíveis fósseis. ? Substituir o transporte urbano motorizado por bicicletas coletivas (como aquelas com 5 acentos ou mais). Além de diminuir a queima de combustíveis fósseis, aumentaria a saúde e a alegria de viver das pessoas. ? Interromper o saneamento básico baseado em água e esgoto e substituí-lo pela permacultura. A permacultura é uma maneira ecológica de habitar, que utiliza meios como banheiro seco, adubo orgânico, horticultura, reaproveitamento de água da chuva etc., tornando as casas realmente sustentáveis, atacando problemas como a falta de água e a falta de comida. Esses são três exemplos simples, práticos e bem possíveis. Se em vez de colocar uma pessoa trabalhando 16 horas por dia, colocassem 5 trabalhando três hora por dia, alguém morreria de fome? Se em vez de passar 3h dentro de um ônibus no congestionamento, uma pessoa passasse 1h pedalando na bicicleta, alguém morreria de asma, bronquite ou tédio? Se em vez de instalar água e esgoto nas casas, fosse encampada a permacultura, alguém morreria de dengue? Trabalhando menos, quem não teria mais tempo para cuidar de uma hortinha e vagar por aí? Alguém pagaria caro por isso? Quem sairia perdendo? Pergunte-se: quem sairia perdendo com isso? E responda: os governos que adotam o desenvolvimento, o combustível ?fóssil? ou ?biológico? e a inclusão dos vagabundos estão do lado de quem?
URL:: http://punkcanibal.zip.net/ >>Adicione um comentário O autor afirma:
"Marx achava que um país desenvolvido deveria subjugar um país não desenvolvido para colocá-lo no caminho da revolução".
Marx diz:
"The burgeoisie, by the rapid improvement of all instruments of production, by the immensely facilitated means of communication, draws all nations into civilization."
No Manifesto do Partido Comunista está escrito:
"Devido ao rápido aperfeiçoamento dos instrumentos de produção e ao constante progresso dos meios de comunicação, a burguesia arrasta para a torrente de civilização mesmo as nações mais bárbaras. Os baixos preços de seus produtos são a artilharia pesada que destrói todas as muralhas da China e obriga a capitularem os bárbaros mais tenazmente hostis aos estrangeiros. Sob pena de morte, ela obriga todas as nações a adotarem o modo burguês de produção, constrange-as a abraçar o que ela chama civilização, isto é, a se tornarem burguesas. Em uma palavra, cria um mundo à sua imagem e semelhança."
O autor escreveu:
"Aplicada "hoje", a teoria de Marx é anti-ecológica."
Marx escreveu:
"The development of civilization and industry in general has always shown itself so active in the destruction of forests that everything that has been done for their conservation and production is completely insignificant in comparison."
Finalmetne, Engels escreve, na obra 'O Papel do Trabalho na Transformação do Macaco em Homem':
"A ciência social da burguesia, a economia política clássica, só se ocupa preferentemente daquelas conseqüências sociais que constituem o objetivo imediato dos atos realizados pelos homens na produção e na troca. Isso corresponde plenamente ao regime social cuja expressão teórica é essa ciência. Porquanto os capitalistas isolados produzem ou trocam com o único fim de obter lucros imediatos, só podem ser levados em conta, primeiramente, os resultados mais próximos e mais imediatos. Quando um industrial ou um comerciante vende a mercadoria produzida ou comprada por ele e obtém o lucro habitual, dá-se por satisfeito e não lhe interessa de maneira alguma o que possa ocorrer depois com essa mercadoria e seu comprador. O mesmo se verifica com as conseqüências naturais dessas mesmas ações. Quando, em Cuba, os plantadores espanhóis queimavam os bosques nas encostas das montanhas para obter com a cinza um adubo que só lhes permitia fertilizar uma geração de cafeeiros de alto rendimento pouco lhes importava que as chuvas torrenciais dos trópicos varressem a camada vegetal do solo, privada da proteção das arvores, e não deixassem depois de si senão rochas desnudas! Com o atual modo de produção, e no que se refere tanto às conseqüências naturais como às conseqüência sociais dos atos realizados pelos homens, o que interessa prioritariamente são apenas os primeiros resultados, os mais palpáveis. E logo até se manifesta estranheza pelo fato de as conseqüências remotas das ações que perseguiam esses fins serem multo diferentes e, na maioria dos casos, até diametralmente opostas; de a harmonia entre a oferta e a procura converter-se em seu antípoda, como nos demonstra o curso de cada um desses ciclos industriais de dez anos, e como puderam convencer-se disso os que com o "crack" viveram na Alemanha um pequeno prelúdio; de a propriedade privada baseada no trabalho próprio converter-se necessariamente, ao desenvolver-se, na ausência de posse de toda propriedade pelos trabalhadores, enquanto toda a riqueza se concentra mais e mais nas mãos dos que não trabalham."  | Guilherme L J Falleiros:
"Instaurar o regime de trabalho de 3h diárias. Além de diminuir o desemprego, diminuiria também a quantidade de horas de trabalho no mundo, e a quantidade de queima de combustíveis fósseis."
Nicolas Sarkozy:
"As 35 horas foram uma catástrofe para a economia francesa. O problema da França é que temos 1% a menos de crescimento do que as grandes economias no mundo. Por quê? [u] Porque se trabalha menos aqui do que alhures. Eu quero liberar as possibilidade de se trabalhar mais na França. Por que meios? Vamos encorajar as pessoas que queiram trabalhar mais, ganhar mais. Hoje tudo é feito para desencorajar a obtenção de horas extras. Eu permitirei a toda empresa facilitar as horas extras, não pagar mais encargos sobre elas. Todo assalariado que fizer horas extras, de maneira voluntária, não pagará impostos sobre elas?"
Bertrand Russel:
"O caminho para a felicidade e para a prosperidade é a redução organizada do tempo de trabalho,
Se o trabalhador comum trabalhasse quatro horas por dia, haveria o suficiente para todos e não haveria desemprego - assumindo um moderado senso de organização. Essa idéia choca os abastados, porque eles estão convencidos de que os pobres não saberiam como usar tanto lazer. Nos Estados Unidos, os homens freqüentemente trabalham longas horas mesmo quando estão bem financeiramente; tais homens, naturalmente, se indignam com a idéia do lazer para assalariados, exceto na forma do cruel castigo do desemprego; de fato, eles não gostam de lazer nem mesmo para seus filhos. Estranhamente, enquanto querem que seus filhos trabalhem tão duro que não tenham tempo para serem civilizados, eles não se importam que suas esposas e filhas não tenham absolutamente nenhum trabalho. A inutilidade esnobe, que em uma sociedade aristocrática se estende a ambos os sexos, é, sob uma plutocracia, confinada às mulheres; isto, entretanto, não a torna mais sensata
Devido à total ausência de controle central sobre a produção, produzimos uma imensa uma imensa quantidade de coisas de que não precisamos. Mantemos ociosa uma parcela considerável da população trabalhadora, que se torna dispensável justamente porque se impõe o sobretrabalho à outra parcela.
Quando esse método se revela inadequado, fazemos a guerra: colocamos um monte de gente para fabricar explosivos e outro tanto para explodi-los, tal como crianças que acabaram de descobrir os fogos de artifício. Combinando todos esses mecanismos, somos capazes, ainda que com alguma dificuldade, de manter viva a noção de que uma grande quantidade de trabalho manual é o quinhão inevitável do homem comum"
Thomas More:
"Dir-se-á talvez: Seis horas de trabalho por dia não são suficientes para as necessidades do consumo público, e a Utopia deve ser um país muito miserável. Mas não é este realmente o caso. Ao contrário, as seis horas de trabalho produzem abundantemente para todas as necessidades e comodidades da vida, e ainda um supérfluo bem superior às exigências do consumo. Compreendereis facilmente se refletirdes no grande número de pessoas ociosas existentes nas outras nações. Antes de tudo, são essas quase todas as mulheres, que em si já constituem a metade da população, e a maioria dos homens, ali onde as mulheres trabalham. Em seguida, esta imensa multidão de padres e religiosos vagabundos. Somai ainda todos esses ricos proprietários vulgarmente chamados nobres e senhores; acrescentai também as nuvens de lacaios e outro tanto de malandros de libré; e o dilúvio de mendigos robustos e válidos que escondem sua preguiça sob o disfarce de enfermidades. E achareis, em resumo, que o número dos que, por seu trabalho, provêm ao gênero humano de todas as necessidades é bem menor do que imaginais. Considerai também como são poucos aqueles que a trabalhar estão empregados em coisas verdadeiramente necessárias. Porque, neste século de dinheiro, onde o dinheiro é o deus e a medida universal, grande é o número das artes frívolas e vãs que se exercem unicamente a serviço do luxo e do desregramento. Mas se a massa atual dos trabalhadores estivesse repartida pelas diversas profissões úteis, de maneira a produzir mesmo com abundância tudo o que exige o consumo, o preço da mão de obra baixaria a um ponto que o operário não poderia mais viver de seu salário. Suponde, pois, que se faça trabalhar utilmente aqueles que não produzem senão objetos de luxo e os que nada produzem, embora comam o trabalho e o quinhão de dois bons operários; então, concebereis, sem dificuldade, que disporão de mais tempo do que necessitam para prover às necessidades e mesmo aos prazeres da vida, quero dizer, os que se fundam na natureza e na verdade."
Paul Lafargue:
Se as crises industriais se seguem aos períodos de supertrabalho tão fatalmente como a noite se segue ao dia, arrastando atrás de si o desemprego forçado, e a miséria sem saída, também levam à bancarrota inexorável.
Uma boa operária só faz com o fuso cinco malhas por minuto, alguns teares circulares para tricotar fazem trinta mil no mesmo tempo. Cada minuto à máquina equivale, portanto, a cem horas de trabalho da operaria; ou então cada minuto de trabalho da máquina dá à operária dez dias de repouso. Aquilo que se passa com a indústria de malhas é mais ou menos verdade para todas as indústrias renovadas pela mecânica moderna. Mas que vemos nós? A medida que a máquina se aperfeiçoa e despacha o trabalho do homem com uma rapidez e uma precisão incessantemente crescentes, o operário, em vez de prolongar o seu repouso proporcionalmente, redobra de ardor, como se quisesse rivalizar com a máquina. Ó concorrência absurda e mortal!
No seu estudo sobre as máquinas, o Sr. F. Passy cita a seguinte carta de um grande industrial belga, o Sr. M. Ottavaere: "As nossas máquinas, embora sejam as mesmas que as das fábricas de fiação inglesas, não produzem o que deveriam produzir e o que produziriam essas mesmas máquinas em Inglaterra, embora as fábricas de fiação funcionem menos duas horas por dia. [...] Trabalhamos todos duas longas horas a mais, estou convencido de que, se trabalhássemos onze horas em vez de treze, teríamos a mesma produção e, por conseguinte, produziríamos mais economicamente.
Eis a grande experiência inglesa, eis a experiência de alguns capitalistas inteligentes, ela demonstra irrefutavelmente que, para reforçar a produtividade humana, tem de se reduzir as horas de trabalho e multiplicar os dias de pagamento e os feriados, e o povo francês não está convencido. Mas se uma miserável redução de duas horas aumentou em dez anos a produção inglesa em cerca de um terço (7), que ritmo vertiginoso imprimiria à produção francesa uma redução geral de três horas no dia de trabalho?
Para forçar os capitalistas a aperfeiçoarem as suas máquinas de madeira e de ferro, é preciso elevar-se os salários e diminuir as horas de trabalho das máquinas de carne e osso."
É melhor vagabundar.  | Marx diz:
"The burgeoisie, by the rapid improvement of all instruments of production, by the immensely facilitated means of communication, draws all nations into civilization."
Sim, mas não é o mesmo Marx que diz que esse desenvolvimento é um estágio necessário para o surgimento do comunismo?
Marx escreveu:
"The development of civilization and industry in general has always shown itself so active in the destruction of forests that everything that has been done for their conservation and production is completely insignificant in comparison."
Mas o autor não está dizendo que a teoria de Marx, aplicada hoje, é anti-ecológica porque Marx não tinha uma crítica da exploração da natureza. Ele o diz porque Marx não tinha, nem poderia ter, a concepção ecológica que temos hoje naquela época. E a concepção ecológica que o autor defende incluí a crítica ao desenvolvimento sustentável, que parece ser o máximo que o esquerdismo chegou. Há também um forte papel da indústria no comunismo, que continua produzindo riqueza, apenas em bem distribuídas.
Quanto a Engels sua visão da natureza é extremamente limitada, e não muito diferente de outros da sua época. O erro que me aparece ocorrer aí é tirar conclusões que não se seguem das premissas dadas pelos textos de Marx e Engels.
Quanto ao comentário do Cyborg, acho que você conseguiu mostrar que simplesmente reduzir a jornada de trabalho seria tão passível de crítica quanto o desenvolvimento sustentável.  | Janos Biro, veja como o Marxismo atual compartilha com a sua visão e com a visão do autor do texto no que se refere ao desenvolvimento:
"Ao passo que as revoluções anteriores acarretaram um desenvolvimento mais amplo e mais racional das forças produtivas, nas sociedades superdesenvolvidas de hoje, porém, revolução significaria a inversão dessa tendência: eliminação do super-desenvolvimento e de sua racionalidade repressiva."
Herbert Marcuse Para Marx, o capetalismo é um mal necessário, porque tudo o que ocorre é necessário. Marx não quer dizer que o capetalismo precisa existir, Marx apenas constatou que ele existe; é por existir que o capetalismo é um mal necessário. E não poderia ser de outra forma: se as coisas ocorrem da forma que ocorrem é porque elas tem que ocorrer assim mesmo, pois se tivessem de ocorrer de forma diferente, ela teriam ocorrido de forma diferente.  | Eu não desconsidero o valor das críticas de Marx ao capitalismo, eu só acho que ele era determinista quanto ao resultado necessário do capitalismo, e acho que ele está errado nisso. Ele também via o capitalismo como necessário, não apenas porque ocorreu, mas porque não poderia deixar de acontecer. E ele acha isso porque essa era a tendência do pensamento da época, o cientificismo.
Marx acreditou estar falando de uma ciência da sociedade. Como se os elementos da sociedade se comportassem como elementos da física ou da química. É nisso que se baseia sua dialética.
Não duvido que o marxismo se atualiza, só acho que não é necessário atualizar o marxismo uma vez que podemos partir de um ponto completamente diferente de Marx e chegar numa crítica e numa proposta muito mais coerente (ainda que com menos apelo popular).
 | Quando Marx diz que o capitalismo é um mal necessário, ela tá fazendo um juízo de realidade, não um juízo de valor.
O capitalismo é necessário porque aconteceu na História Huamana. A realidade é necessária justamente por ter acontecido da forma que aconteceu, e não poderia ser diferente justamente porque ocorreu da forma que ocorreu.
E a História provou ser o capitalismo um mal necessário: todos os países que fizeram a revolução proletária eram países feudais ou semi-feudais. Nestes países só havia miséria a ser socializada. Resultado: o marxismo ajudou a derrotar o feudalismo mas o resultado não foi socialismo, mas capitalismo de estado.  | É simplesmente uma tautologia dizer que o que aconteceu é necessário que tenha ocorrido porque aconteceu. Oras, não estou dizendo que o capitalismo pode não ter ocorrido, apenas que ele não precisava ocorrer porque a história não está pré-determinada. E se ela não está pré-determinada, como fazer uma ciência dela aos moldes newtonianos de Marx?
Eu compreendo que a revolução proletária não funcionou porque as coisas não estavam como Marx as previu, e meu palpite é já jamais estiveram e jamais vão estar. O capitalismo também muda e se adapta, ele se adaptou a Marx, uma revolução proletária está prevista e não terá efeito algum. Não há riqueza a ser socializada nem no mais rico dos países, porque Marx estava desconsiderando toda a natureza humana e se importando apenas com o funcionamento científico da sociedade.
Marx é como Jesus, falou algumas coisas bonitas mas é completamente inútil para os dias de hoje. Os índios, por exemplo, não querem viver em socialismo, não querem socializar riquezas, querem viver em comunidade. E muitos de nós não apoiamos o socialismo porque ela projeta uma sociedade que não deixa de ser européia, e não queremos viver em mais uma idéia européia (como vivemos hoje), queremos ser nós mesmos. Marx tinha boas intenções, mas ele hoje não passa de uma armadilha para atrair os espíritos rebeldes, como Goldstein no livro 1984. Temos que nos libertar desse dogmatismo, a liberdade não nos será dada por teorias.  | A Liberdade não é doada, é construída. E todo aquele que deseja ser livre só pode fazê-lo por seus próprios meios, pois a Liberdade não cai do céu a ninguém. A emancipação da classe que trabalha é tarefa dela própria, e não da classe que a explora. Emancipação, certo. Mas a classe operária não é a única que está presa, somos todos prisioneiros. Essa emancipação me parece apenas acabar com os privilégios de certos presos e dividir as celas igualmente, mas não sair da prisão, que é a civilização. Te respondi lá no seu artigo, que ficou muito bom. Obrigado pela oportunidade de diálogo. Espero que tenha ficado claro que minha visão é orgânica, não é técnica ou determinista.  | Ilustre Ciborg,
Vou ser curto e grosso (sem trocadilhos em referência à minha masculinidade):
1)Marx transforma o juízo de realidade em juízo de valor. Constantemente... Portanto ao notar que o Capital tem o poder "real" de se expandir, ele acaba aceitando - e defendendo! - que a burguesia seja expansionista. Você nunca leu nada do Marx defendendo o imperialismo? Vasculhe na memória... Ou numa biblioteca...
2)Não se justifica o "ecologismo" de Marx citando uma única passagem dele em que reclama da destruição de florestas... O fato é que Marx acreditava que o DESENVOLVIMENTO do capital era uma necessidade histórica (simplesmente por ser "real") rumo ao "socialismo".
3)Sua postagem sobre "jornada de trabalho" só complementa tudo o que eu disse... A direita não quer o direito à preguiça. Mas Marx não é tão taxativo quanto Lafargue em defesa desse direito.
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