Porque rejeitamos a idéia de Arte?

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Arte como toda faculdade humana existe dentro de um contexto social. E afinal, qual é o contexto da arte? Ao contrário do que o senso comum postula, a arte exerce ainda sim uma função social. Geralmente de agente virtual de poder. Isto quer dizer que a arte se esvaziou na sua funcionalidade e se tornou mero fetiche, que muitas vezes nem mesmo chega a se materializar, gerando assim um mercado ridiculamente especulativo, composto por uma grande massa de banqueiros, socialites e artistas de sobrenome que juntos compõem cerca de 1% da população mundia. É neste meio que a "arte" é produzida, realizada,reproduzida, comentada e criticada, é este o pequeno mundo da arte contemporânea. Sendo assim fica claro o papel da arte dentro da sociedade.

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O grande erro dos "artistas revolucionários" está na idéia de que é concebível transformação social de dentro para fora (arte-sociedade). Tal idéia é tão absurda quanto a de movimentos contraculturais acharem que é possível fazer uma revolução partindo de um guetto de adolescentes. Qualquer levante que tenha como fim a revolução social deverá ser articulado fora dos guettos e inseridos dentro das classes exploradas. A arte por sua vez ainda é mais miserável, é um guetto dos ricos. Cabe ao errante uma segunda chance, o de abandono da arte como ferramenta revolucionária.

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Qualquer tipo de faculdade humana deve ser observada do ponto de vista social, sendo assim a arte só é utilizável para qualquer fim minimamente "progressista" se o agente, ou "artista" se transfigure em um corruptor. Um corruptor que pretende ser picareta, charlatão, sarcárstico e disposto a passar a perna no público ignorante da "grande arte". Quadros plagiados, descaradamente de mal gosto, com mensagens subliminares, maneirismos, etc. Atividades que podem lhe render frutos financeiros, que taticamente podem significar mais tempo livre para a sabotagem ilegal do cotidiano do burguês e do próprio "artista".

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A palavra "arte" e "artista" hoje perderam qualquer tipo de significação que não seja a manutenção de poder. Sendo assim reconhecemos sua ilegitimidade como faculdade humana, considerando a atual relativização das artes devido ao estardalhaço das vanguardas históricas (crise do indivíduo, morte da arte, morte do autor, inexistência do objeto artístico, etc). Não existe assim absolutamente qualquer diferença entre "arte" e artesanato, nem de "arte" e vida a não ser pelo social, ou seja um objeto qualquer se torna "arte" pelo toque mágico legitimador de um curador, marchand, artista ou qualquer tipo de animal que vive no meio "artístico". E sobre o "artista" o que se pode dizer? O "artista" morreu, todo ser vivo é criador e "artista" em potencial, sendo assim rejeitamos também este termo ignóbil e mistificador. Porém entendemos que a liguagem define a cultura, sim, somente depois de uma reestruturação política e social. Que a linguagem se foda então, mas a arte junto. Então vamos ao próximo tópico que é muito mais importante: Porque rejeitamos o capital e o estado?