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Resumo:

Em 1994 levantou-se no estado mexicano de Chiapas o Exército Zapatista de Libertação Nacional (EZLN), formado majoritariamente por indígenas maias. Numa transformação muito peculiar, esta guerrilha mudou de uma estratégia que tinha como fundamental a organização política e militar da população para a tomada revolucionária do poder, para outra em que predominam práticas, formas de organização, discursos e objetivos que têm a comunicação e a criação de mecanismos de participação como elementos fundamentais. Deixou de almejar a tomada do poder, passando a ter como horizonte uma democracia que se constrói na mesma medida em que aquelas práticas vão se estabelecendo. A primeira parte da dissertação aborda a pesquisa de campo realizada entre dezembro de 1998 e fevereiro de 1999. A segunda e a terceira parte correspondem à narrativa histórica das origens e transformações da estratégia do EZLN e do contexto até o começo de 1997, quando os principais aspectos da estratégia atual já estavam dados. A confrontação da narrativa histórica com a pesquisa de campo permite, nas conclusões, a realização uma análise que aponta alguns paradoxos da experiência zapatista.