Crônica

Suruba com o G8...

Logo após o A20, aquele ato na Av. Paulista contra a ALCA e seus agentes, um amigo com traumatismo craniano e intoxicado pelo gás lacrimogêneo me convidou para uma “parada da pesada” uma suruba com um tal do Grupo dos 8... Imaginei oito gatas ou gatos para um tremendo sexo intenso... Tempo depois o individuo já recuperado me encontrou no Metrô, fomos para a estação Genova, antes paramos em um boteco, acorrentamos as bicicletas e tomamos vários conhaques e discutimos a estratégia de ação direta da suruba, comeríamos (canibal e sexualmente) todo mundo, pactuamos que não iríamos comer um ao outro... Chegamos a grande mansão, cercada pela policia, grades, exercito e federais, quando vi não acreditei, imaginei tudo aquilo embolado na piscina, soldado enrabando general, cães de guarda comendo políticos... Viajei por alguns instantes, uma enorme chaminé provocava uma espessa nuvem química de poluição, quando me dei conta estava lá dentro do bacanal, me serviram em bandeja de prata um coquetel com elementos químicos de uma multinacional ligada a produção de medicamentos, depois um quitute de mescalina alterada geneticamente e potencializada em laboratório do EUA, me entulharam de tudo quanto existe da porcaria de produtos transgênicos e contaminados por agrotóxicos... Enquanto isso lá fora, alguns indigentes eram trazidos forçadamente para os porões da mansão para futuras experiências genéticas... Charutos acesos com dólar, vinhos e bebidas esquisitas com cem anos de idade, drogas, homens, mulheres e transgêneros, e eu já sem razão no meio do bacanal, rebolando ao som da internacional, lá pela madrugada ouvia-se gritos, tiros, explosões do lado de fora, ruídos, tambores, marchas, da janela vi uma chama enorme encobrir a rua e todos ativistas em frente ao bacanal capitalista... Sinto um frio intenso, quando recupero minha lucidez, estou deitado em uma mesa de mármore, olho para traz, um individuo com um ídolo enorme de pedra na mão, com a efígie de Ronald Reagan, enfiou na minha bunda! Desmaiei, horas depois acordei em uma espécie de laboratório, umas dez pessoas com ternos, roupas verdes, cinzas, aplicavam um monte de coisas em minhas veias, um chumaço de algodão tampava minha bunda dilacerada que sangrava... Agonizei, mas levantei com a força de um exercito, estava fosforescente de tanta tranqueira química que injetaram em meus canos, fui para o salão central com o membro em riste, passei o pau em tudo que vi pela frente... Quebrei o pacto e comi meu camarada, o cão de guarda, cavalos, a melancia, o ponche, presidentes, políticos, oficiais, soldados, a parede, as empregadas e um punhado de investidores de Wall Street, fui de andar em andar uivando nu e com o chumaço de algodão na bunda, vi laboratórios produzindo transgênicos, poluentes, armas, vírus mortais, churrasco de seres humanos, dinheiro falso, planos de invasões em paises vizinhos, preservativos sabotados, tortura em todos os níveis, assassinatos, corrupções, monstruosidades indescritíveis, só fui parar no térreo, cercado por uma porção de indivíduos com escudos e armas em punho, já imaginei mais uma suruba, me desceram o sarrafo, gritei, rachei o crânio, perdi mais uma vez os sentidos e minha lucidez... Uma semana depois já dado como desaparecido, recolhido pelo exercito da salvação no meio fio, agarrado ao busto de Margareth Tatcher, mais tarde fui encontrado por uns amigos internado na Santa Casa em São Paulo, com a bunda arrombada, com um G8 tatuado a ferro quente na minha testa, com a boca banguela, meus dedos sofreram incisões, perdi minha digital, meu pau inchado e todo esfolado, meu corpo todo roxo, perfurado por anzóis com hematomas espalhados pelo corpo todo, fui internado como indigente, meus documentos desapareceram, meu amigo desapareceu, depois dessa fui abandonado pelos demais, com suspeita de soro-positivo, nunca mais achei a tal estação Genova do Metrô, muito menos a tal mansão, não me lembro da cara do G8, vivo hoje só e de lembranças, com o corpo tremulo, preso dentro de casa, vou a missa de vez enquanto, virei papa hóstias, vivo comendo hambúrguer e tomando coca-cola sem saber se toda aquela orgia no momento do bacanal realmente aconteceu, se existe realidade lá fora ou se foi apenas mais uma viagem...
Ygor