Depois de 20 ativistas punks terem sido presos sem causa justa pela polícia gaúcha, uma manifestação saiu em direção ao 1o. distrito policial de Porto Alegre, onde soube-se que se encontravam os presos, para pressionar as autoridades policiais e governamentais a soltarem as vítimas. A passeata, que devia contar mais ou menos com umas trezentas pessoas, seguiu em direção ao distrito, onde o delegado responsável afirmou estarem os presos em outro distrito policial de Porto Alegre. Depois de idas e vindas, informações suspeitas etc, a manifestação acabou se dispersando, passando, para tanto, a contar com apenas umas cem pessoas.
Quando percorria uma das ruas de Porto Alegre, os ativistas depararm-se com uma viatura da polícia, que movia-se perigosamente pela rua, chegando a ameaçar alguns manifestantes com o carro. Neste momento, uma garrafa é jogada na viatura, fato que deu motivo para os policiais pararem o carro, revistarem muitos inocentes e prenderem uma garota, também sem causa muito esclarecida. Alguns ativistas crêem que a garrafa tenha sido arremessada por algum policial infiltrado, ou ativista descontente com a passeata pacífica. A polícia alegou que o motivo da prisão da ativista tenha sido tentativa de agressão aos policiais. O ocorrido deu abertura para que a brigada militar acionasse outros setores policiais, como a tropa de choque, que chegou num ônibus já se posicionando para enfrentamento. Algumas pessoas foram agredidas pelos policiais, que enervavam-se com a manifestação pacífica. Um medo geral assombrou a manifestação, pois os policiais estavam de fato com suas metralhadoras de bala de borracha prontas para atirar. Não fosse a presença de alguns repórteres independentes, a violência decerto seria fatal.
Hoje, dia seguinte ao ocorrido, acredita-se que não haja mais nenhum ativista preso. Na noite de ontem, militantes revoltados com a violência policial e descontentes com muito pontos do FSM 2002 organizaram-se numa reunião disposta a rediscutir o Fórum e a preparar algum ato em repúdio ao acontecido nas noite e tarde do dia 04/02. Nessa reunião estavam presentes militantes ativistas de todas as espécies, desde a esquerda mais tradicionalizada, chegando até a grupos que discordam amplamente da organização do Fórum e da postura dos partidos de esquerda. Foi uma oportunidade muito interessante, pois pôde-se colocar em prática o eterno diálogo entre as facções presentes. Chegou-se ao consenso de se escrever um manifesto que adotasse uma postura apartidária, visto que a pluralidade do grupo era infinda e que todos estavam ali com o interesse comum de repudiar a postura da polícia gaúcha e do governo do Estado apenas, sem promover seus grupos. Decidiu-se, pois, por que fizessem uma manifestação na Pontifícia Universidade Católica do RS (PUC) que sensibilizasse as pessoas para a violência policial cometida na cidade de Porto Alegre durante o Fórum Social Mundial. Além disso, debates nas rádios livres e comunitárias presentes no Acampamento da Juventude também foi fator de divulgação da denúncia sobre a violência policial.
No entanto, a vontade não foi suficiente. Porque era último dia do FSM e todos estavam muitos cansados (vale lembrar que a organização do Acampamento da Juventude programou eventos de todas as espécies em todos os horários, de modo que nos últimos dias os militantes presentes já não podiam ter mais qualquer energia física para montar uma manifestação de última hora), a tentativa de uma ato de protesto em repúdio à violência policial foi fracassada. Enquanto que no dia 04/02 o descontentamento das pessoas presentes no Acampamento da Juventude era certamente geral, no dia 05 compareceram apenas 20 pessoas para a manifestação na PUC. Pela urgência e falta de tempo disponível, a manifestação não pode ocorrer. Mas isso não significa que não faça parte do repertório de descontentamento da população, seja partidária ou apartidária, simpática a manifestações populares pacíficas ou violentas, com o facismo da policia mundial.
