- Chocolate Bis, da Lacta, que pertence à Kraft Foods;
- Salsicha Carrefour; Sopão Maggi de carne com legumes, da Nestlé;
- Sopão Knorr de alinha com macarrão e legumes; e
- alimento para cães Bonzo, da Purina (1).
É a quinta vez que a soja transgênica é encontrada em um produto Knorr, e a terceira em um produto da Nestlé (2). O Carrefour foi a única empresa a declarar que, em função do resultado dos testes, está tornando as medidas adotadas ainda mais rigorosas, a fim de prevenir o uso de transgênicos em seus produtos (3).
“A Nestlé, a Knorr e a Kraft Foods não utilizam ingredientes geneticamente modificados na Europa, onde os consumidores rejeitam os transgênicos. Porquê, então, tratar o consumidor brasileiro como um consumidor de segunda classe?“, questiona Mariana Paoli, coordenadora da campanha de Engenharia Genética do Greenpeace. “Os fabricantes, importadores e distribuidores de alimentos devem parar imediatamente de utilizar componentes transgênicos em seus produtos, pois eles oferecem riscos à saúde e ao meio ambiente”.
O cultivo e comercialização de qualquer transgênico continuam proibidos no Brasil por sentença judicial, enquanto várias exigências não forem satisfeitas – entre elas, o Estudo de Impacto Ambiental (EIA/RIMA) (4). Em contrapartida, a Comissão Especial sobre Alimentos Geneticamente Modificados da Câmara dos Deputados aprovou, nesta terça-feira (12/03), proposta do deputado Confúcio Moura (PMDB-RO) que visa a liberação dos transgênicos (5).
“Além de desrespeitar as leis brasileiras, estas empresas contrariam a opinião da maioria dos brasileiros, que diz não aos transgênicos”, completou Mariana.
Pesquisa de opinião do Ibope sobre transgênicos, encomendada pelo Greenpeace em julho do ano passado, constatou que 74% da população prefere consumir um alimento convencional a um transgênico, e 67% acha que os transgênicos não devem ser liberados para plantio comercial enquanto não há um consenso na comunidade científica sobre a sua segurança para o meio ambiente e para a saúde humana.
Para o Greenpeace, as autoridades brasileiras devem retirar estes produtos do mercado. A organização ambientalista enviará à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), assim como a todos os órgãos estaduais de Vigilância Sanitária cópia dos laudos, exigindo que as providências necessárias sejam tomadas.
Mais informações: Mariana Paoli, coordenadora da campanha de Engenharia Genética do Greenpeace – (11) 9146.6591
Tatiana de Carvalho, da campanha de Engenharia Genética do Greenpeace – (11) 9742.3732
Tica Minami, coordenadora de comunicação do Greenpeace – (11) 9900.7796
Nicolas Farfel, assessoria de comunicação do Greenpeace – (11) 9169.7957Fotos dos produtos disponíveis sob solicitação
Notas ao Editor: 1. Veja íntegra dos laudos do laboratório Interlabour Belp Ag dos produtos contaminados com transgênicos no site do Greenpeace:
http://www.greenpeace.org.br/transgenicos/pdf/laudos_março2002.pdf 2. Veja listas anteriores de produtos contaminados com transgênicos no site do Greenpeace:
http://www.greenpeace.org.br/transgenicos/comendo.asp 3. Veja íntegra da carta enviada pelo Carrefour ao Greenpeace, onde a empresa reitera seu compromisso em manter seus produtos livres de transgênicos:
http://www.greenpeace.org.br/transgenicos/pdf/carta_carrefour.pdf 4. A exigência de estudo de impacto ambiental (EIA/RIMA) é garantida pela Constituição Federal e pelas resoluções do Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama), além de uma sentença judicial em vigor. O juiz Antônio Prudente, da 6ª Vara da Justiça Federal (DF), deferiu, em 27 de junho de 2000, sentença proibindo a comercialização da soja transgênica da Monsanto sem a realização do EIA/RIMA. As Resoluções 001/86 e 237/97 do Conama também exigem o Estudo de Impacto Ambiental par atividades potencialmente prejudiciais ao meio ambiente, incluindo a introdução de transgênicos.
5. Desde 1998, os Ministérios da Ciência e da Tecnologia, da Agricultura e a Indústria de Biotecnologia tentam liberar a soja transgênica no País. Os setores favoráveis aos transgênicos insistem que é de competência da Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTN-Bio) o trabalho de identificar os riscos potenciais dos transgênicos à saúde e ao meio ambiente e, conseqüentemente, exigir o Estudo de Impacto Ambiental (EIA/RIMA). Por outro lado, ambientalistas e a sociedade civil ressaltam a necessidade da avaliação prévia de impacto ambiental, já que não é possível conhecer riscos potenciais antes da realização da mesma. No Brasil, avaliações de risco para transgênicos nunca foram realizadas.
