Deserdados - Grupo de Discussão e Ação

05/12/2002

Nossos companheiros palestinos vivem um dilema de resolução praticamente impossível: se forem passivos diante da violência de Israel, continuarão sendo massacrados e ridicularizados. Se forem ativos e responderem à violência israelense com atentados terroristas, contribuirão para a continuidade do governo fascista de Ariel Sharon, já que o povo de Israel nutrirá um grande ódio pelos palestinos.

A mídia, que sempre é parcial, trata os palestinos como "terroristas sanguinários perturbadores da paz" e coloca Israel como "o único Estado desenvolvido, soberano e livre do Oriente Médio, que, por isso, gera um ódio nos muçulmanos reacionários". Besteira. A região da Palestina já era ocupada por árabes antes mesmo da chegada dos hebreus, mais de 2000 anos antes de Cristo. Não tem nada de "inveja" de Israel.

Com o apoio da Inglaterra e dos Estados Unidos, os judeus começaram a invadir a Palestina através do sionismo, movimento criado no final do século XIX que defende o retorno dos judeus a Sion (nome bíblico de Canaã), a "Terra Prometida". Excelente! Então eu irei dizer que Fernando de Noronha é a minha terra prometida e irei invadi-la, expulsando os atuais moradores do local. Quem sabe até consigo apoio das potências ocidentais e a mídia irá dizer que Fernando de Noronha é meu e que os opositores da minha ocupação são terroristas perturbadores da paz!

Em 1947 a ONU aprovou a criação de um estado israelense e, um ano após, árabes da Palestina, do Egito, do Líbano, do Iraque, da Jordânia e da Síria, inconformados, declararam guerra a Israel. Os sionistas venceram (também pudera: tinham o apoio dos Estados Unidos!), e então ? pasmem ? 75% das terras palestinas foram incluídas no território israelense, o estado árabe-palestino deixou de existir e mais de dois terços da população muçulmana abandonaram suas casas e tornaram-se refugiadas. Refugiadas em seu próprio país!

Os Estados Unidos, como única superpotência mundial após a queda da URSS, deu (e dá) total apoio aos sionistas, já que muitos judeus milionários "patrocinam" o país que arrebentou quase todo o mundo. George W. Bush, querendo aparecer como alguém "bonzinho", disse que apóia a criação de um estado palestino desde que Yasser Arafat, o líder da OLP (Organização para a Libertação da Palestina), saísse do comando. Obviamente, os palestinos nunca irão querer que seu líder deixe o poder por um capricho dos aliados dos sionistas.

E o pior é que a ONU, a Organização das Nações Unidas, além de apoiar a criação de Israel nas terras que pertenciam aos palestinos, atualmente não faz absolutamente nada para tentar apaziguar o conflito. Com aquela história de ser "neutra", não pode ajudar os palestinos porque iria desfavorecer os israelenses, e vice-versa. Como se isso não bastasse, qual membro da ONU vai querer ser contrário aos interesses dos Estados Unidos e arriscar ter seu país incluído no "eixo do mal" estadunidense? Prova disso é a aprovação da resolução que obriga o Iraque a se desarmar porque, segundo Bush filho e seu subordinado Tony Blair, Saddam Hussein fabrica armas de destruição em massa. Não é os Estados Unidos que tem o maior arsenal bélico do mundo?

Mas voltando ao conflito Palestina-Israel, podemos afirmar que os atentados terroristas praticados pelos árabes palestinos são totalmente justificáveis. Ora, imagine um palestino que tinha casa e família na sua pátria, foi obrigado a deixar tudo para trás com a invasão dos sionistas, se tornou um refugiado (em seu próprio país, repito), é humilhado constantemente pelos israelenses, tem que pedir permissão para fazer absolutamente tudo e convive com vários toques de recolher. Será que ele tem alguma expectativa de vida no futuro? Então basta um grupo terrorista propor que ele morra explodindo vários israelenses que este palestino irá virar homem-bomba facilmente.

Não que eu esteja apoiando os atentados, porém, esta parece ser a única forma de combater o terror israelense. Não basta matar governantes, pois outros os substituirão. Já que a ONU está mais preocupada em dizer amém a tudo que os Estados Unidos propõe, resta para os palestinos arquitetar ataques terroristas para tentar ter um mínimo de dignidade, nem que seja num outro mundo.

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