Na mais recente "reportagem jornalística", apresentada no "Jornal Hoje" de 27 de fevereiro pelos mercenários Carlos Nascimento e Sandra Annenberg, insiste a emissora na surrada e já desmoralizada tecla de tentar vincular o vulgo Fernandinho Beira-Bar como "o maior fornecedor de armas para as FARC", que também estaria por trás dos últimos acontecimentos violentos na cidade do Rio de Janeiro, sem jamais apresentar qualquer indício ou prova concreta contra a organização revolucionária.

Mas quais os verdadeiros objetivos dessa campanha de guerra suja e seus principais personagens?

Está claro que o principal promotor da campanha é o Departamento de Estado norte-americano cujo objetivo estratégico de implementar a ALCA depende agora mais do que antes do seu poder de pressão sobre os governos sul-americanos, em especial o brasileiro, para a formação de uma força militar mercenária multinacional sob comando ianque para intervir diretamente no conflito armado colombiano e neutralizar o principal obstáculo ao projeto de neocolonização do continente, mais ou menos nos mesmos moldes da invasão da República Dominicana em 1965 no governo ditatorial de Castelo Branco, durante o qual foi criada a Rede Globo de Televisão associada ao grupo Time/Life norte-americano.

À campanha de desinformação vincula-se também, além da família Marinho/Globo, os atuais governantes do Estado do Rio de Janeiro, que não resistem a uma investigação moral mais profunda do seu passado e presente político, senão vejamos:

Primeiro, quem é realmente o senhor Anthony Garotinho? Oriundo da cidade de Campos, onde foi prefeito e várias vezes acusado de corrupção, já demonstrou em várias oportunidades o seu caráter questionável. Ocupou durante a campanha para Presidente os estúdios da reacionária Rede Record para tentar vincular a prisão na Colômbia do traficante e assassino Fernandinho Beira-Mar com as FARC – Exército do Povo sem ter apresentado qualquer prova, demonstrando assim o seu oportunismo e carreirismo para chegar ao Palácio do Planalto. Na mesma campanha presidencial assumiu publicamente que recebeu dinheiro de uma seita religiosa norte-americana cujo nome se negou a revelar. Por que se negou? Já o seu ex-assessor de segurança pública, Luis Eduardo Soares, abandonou o governo denunciando categórica e publicamente que não aceitaria mais trabalhar com um governador conivente com a banda podre da Secretaria de Segurança Pública, conhecida como grupo Astra.

Por outro lado, no mais recente escândalo envolvendo a máfia dos fiscais estaduais e federais durante o governo Garotinho, seu ex-secretário de Fazenda, Carlos Sasse, o acusou em depoimento na CPI que apura o escândalo ao afirmar que o ex-governador impediu a apuração de irregularidades de fiscais em Campos, cidade da qual foi prefeito. Outros ex-assessores da Secretaria da Fazenda o estão acusando de ter sido conivente com tais elementos corruptos, fato que levará a CPI criada para investigar o mar de lama a convocar uma possível acareação entre Garotinho e seus acusadores.

Segundo, quem é o senhor Josias Quintal, atual Secretário de Segurança Pública? Foi oficial da polícia militar durante a ditadura e membro do sinistro DOI-CODI, sigla esta vinculada a torturas, assassinatos, desaparecimentos e ocultações de cadáveres e outros crimes, todos considerados graves pelo Código Penal Brasileiro. E mais, por que o senhor Quintal se sentiu tão molestado e nervoso quando foi tomada a decisão de transferir o inquérito que apura a corrupção fiscal do âmbito da Polícia Civil estadual para o Ministério Público Federal? Terá tal reação do secretário a ver com o fato de um fiscal irmão seu está sendo também investigado?

A verdade é que em seu esforço para proteger o governo Rosinha/Garotinho e a narco-direita do Rio de Janeiro, a desqualificada Rede Globo omite de propósito que quem arma o tráfico no Rio continua sendo a banda pobre da Polícia carioca que foi combatida sem trégua durante o governo de Benedita da Silva e que quem o treina em táticas de guerrilha, ao contrário do que insinua a emissora reacionária, não são as FARC-Exército do Povo, que não têm interesse nenhum em arranjar mais inimigos, mas sim são ex-recrutas e mesmo militares da ativa com instrução contra-guerrilheira. Diga-se que muitos deles são recrutados pelos traficantes por uma questão econômica, ou seja, entram no crime ou por causa do desemprego ou dos vergonhosos e humilhantes salários que recebem ou receberiam na chamada iniciativa privada legal.

Coincidentemente, sete meses após a posse do mafioso e fascistóide Álvaro Uribe Vélez como presidente da Colômbia, cuja campanha histérica de derrotar as FARC em quatro anos foi financiada com dinheiro do narcotráfico e cujo resultado eleitoral foi de apenas 25% dos votos válidos, apesar do apoio midiático e das pressões paramilitares para obrigar os eleitores a votarem, a realidade e os fatos vêm demonstrando que sua ditadura civil não só não tem sido capaz de ajoelhar os rebeldes como seu exército oficial e paramilitar tem sofrido duros e demolidores golpes, com quase duas mil baixas no decorrer do ano. Na mais recente ação da guerrilha das FARC-Exército do Povo, um pequeno avião de propriedade da embaixada norte-americana em Bogotá que fazia um vôo de espionagem contra-guerrilheira, foi derrubado no sul do país com cinco tripulantes, sendo um sargento informante colombiano e quatro oficiais ianques vinculados à CIA, todos capturados vivos, tendo sido justiçados o sargento do exército de Uribe e um oficial americano por se negaram a acatar a voz de prisão e tentarem fugir, permanecendo os três gringos sobreviventes em poder da organização como prisioneiros de guerra sujeitos à troca por guerrilheiros presos pelo governo.

Não podendo ganhar a guerra no campo de batalha, a oligarquia colombiana e o imperialismo se esforçam através dos meios de desinformação sob seu controle utilizando as mais sórdidas e cínicas montagens para tentar amenizar as derrotas que têm sofrido, daí a necessidade de desqualificar o movimento guerrilheiro na mídia, vinculado-o com o narcotráfico e o terrorismo. Por que nunca apresentam provas? Acaso as recentes provocações e pressões do governo de Uribe contra os governos legítimos de Lula e de Chávez para declarar as FARC-Exército do Povo como organização terrorista e narcotraficante não reflete o desespero de um governo que além de ilegítimo é subserviente a Washington? Aceitará o legítimo governo Lula tal insolência e intromissão uribista? Chávez já respondeu à altura essas provocações.

Resumo da ópera: eis o verdadeiro motivo do recorrente surto de histerismo da Globo e do atual governo do Rio ao atuarem como porta-vozes convictos da embaixadora dos Estados Unidos no Brasil. Você decide: tem tudo a ver?