A comunidade cinematográfica mexicana, que lamenta ter caído da produção de 100 filmes nos seus anos de pujança, para os cerca de 20/ ano atuais, está indignada com o teor da carta de Jack Valenti, presidente da Motion Pictures Association of America (MPAA), escrita em inglês para Vicente Fox, o presidente do México. Jack Valenti é uma espécie de 'embaixador vitalício' do cinema americano e o teor da carta, escrita em 8 de janeiro e só divulgada um mês depois, ameaça o cinema mexicano e o país com retaliações econômicas.
"Senhor Presidente", diz a carta de Valenti, "baseado em anos de experiência em atividades relacionadas com a evolução da industria do cinema através do mundo, lhe asseguro que esta classe de imposição só pode causar dano a um importante setor cultural e econômico, e urge examinar as repercussões negativas do imposto nos investimentos e atividades de exibição, produção e distribuição dos filmes mexicanos e estrangeiros no México."
Em resposta ao que a classe cinematográfica mexicana chama de "inqualificáveis ameaças", foi elaborada uma carta aberta de solidariedade ao presidente Fox com pedido de abaixo assinado (
mariademicoyoacan@yahoo.com.mx) que agora corre o mundo na velocidade da internet. Diz a carta que "este gênero de ingerência não é original nem novidade, já que a MPAA costuma praticá-la contra qualquer nação que pretenda desenvolver sua cinematografia e proteger a sua indústria do monopólio avassalador de Hollywood." Jack Valenti cria de fato um incidente diplomático oficial ao ter enviado cópia da sua carta para o embaixador dos Estados Unidos no México, Tony Garza e do México nos Estados Unidos, Juan José Bremmer Martino. Veja a íntegra desta carta, divulgada pelo movimento da classe cinematográfica mexicana, na presente edição do 'Jornal da Mostra'.
Segundo avaliação da revista de Hollywood 'Screed Daily' (leia íntegra do artigo em
http://www.screendaily.com/story.asp?storyid=11161), o incidente acontece num momento em que os grandes estúdios americanos estão aumentando os seus investimentos no cinema mexicano, com parcerias que tem dado boa visibilidade internacional aos filmes mexicanos como nos casos de "E Sua Mãe Também/ Y su Mamá También", de Alfonso Cuarón , e "O Crime do Padre Amaro/ El Crimen del Padre Amaro" (
http://www.mostra.org/exib_filme.php?filme=289), de Carlos Carrera. Texto e edição: Leon Cakoff (
jornaldamostra@mostra.org) 