“As empresas criaram duas categorias de usuários de telecomunicações no Brasil. A primeira é a dos usuários residenciais que são tratados como um fardo. O outro tipo de usuário é o usuário corporativo que recebe tratamento vip”.Com esta declaração o presidente da Federação Interestadual dos Trabalhadores Telefônicos – FITTEL, José Zunga, demonstra que o debate sobre política de telecomunicações no Governo Lula começa a esquentar.
Para Zunga, ao eleger Lula o povo mostrou desejo de mudança. Quando privatizou as telecomunicações, FHC anunciou a criação de uma agência para fiscalizar as empresas e garantir a qualidade dos serviços. Segundo o sindicalista, no entanto, a realidade é bem outra. “A ANATEL é um elefante branco inoperante e incompetente que se limita em defender os interesses das empresas. As fiscalizações acontecem com data e hora marcada e todos os relatórios da Agência têm dados maquiados”, denuncia. E continua: “as empresas se dão ao luxo de esperar o acúmulo de defeitos em determinadas regiões, para depois enviar um técnico. Lojas foram fechadas e nenhuma providência foi tomada”, afirma Zunga.
Ele avalia ainda que a privatização no Brasil foi realizada sem considerar o perfil dos usuários. “As empresas possuem 20 milhões de linhas encalhadas nas prateleiras. Além disso, os usuários estão devolvendo linhas por falta de condições de pagar o serviço. A FITTEL realizou estudos que mostram a falência do modelo adotado. Os empregos prometidos não foram gerados e a precarização dos serviços é tamanha que as empresas têm cadeira cativa no balcão de reclamações dos PROCONS em todo o Brasil”, conclui.
A direção da FITTEL está reunida em João Pessoa, no Hotel Caiçara, para preparar o IX Congresso Nacional da categoria e discutir a política tarifária do governo Lula, entre outros temas de interesse específico da categoria.
