O nazismo a serviço dos EUA
Celso Brant
A Segunda Guerra Mundial resultou em um grande malogro para a Humanidade. Em que se constituiu essa guerra? Quais os seus objetivos? Na verdade, a sua razão de ser foi a união das nações livres contra a pretensão de Hitler de fazer da Alemanha uma nação hegemônica, a que todas as outras ficassem subordinadas.
Foi a mais devastadora de todas as guerras, com cerca de 50 milhões de vítimas, centenas de cidades destruídas, países devastados e populações inteiras assoladas pela miséria e pela fome. E o resultado, qual foi? A se acreditar no que diz a história, foi a destruição do nazismo. A realidade, porém, aponta no caminho oposto. A Alemanha é que foi derrotada. Mas não o nazismo que, de fato, foi o grande vitorioso.
A união dos países que lutaram pela liberdade visava impedir que a Alemanha conquistasse a hegemonia e, com isso, dominasse o mundo.
A Alemanha foi derrotada. Mas a União Soviética e os EUA, que haviam ajudado a vencer a Alemanha, uma vez terminada a guerra, resolveram dividir entre si o butim da vitória e ficar com a hegemonia, que haviam negado à Alemanha. E como o nazismo era o instrumento mais apropriado para impor o seu domínio ao mundo, esses dois países passaram, a partir daí, a usá-lo para fazer valer a sua vontade.
Há, pois, um erro na afirmação de que o nazismo foi derrotado na última grande guerra. Ao contrário, ele foi o grande vitorioso. Vencido foi Hitler. O nazismo, não! Ele domina, internamente, a política externa dos EUA, esteve presente no relacionamento da União Soviética com os países por ela dominados, e inspirou a política dos judeus, que foram as suas maiores vítimas, com os povos árabes.
A primeira demonstração da adoção do nazismo como norma de política dos EUA foi o lançamento da bomba atômica sobre Hiroxima, em 6 de agosto de 1945. A bomba foi lançada porque, segundo protocolo firmado com a União Soviética, os russos deveriam entrar na guerra dois dias depois, e os EUA desejavam estabelecer, antes disso, a hegemonia sobre a Ásia.
Não havia nenhuma razão militar que aconselhasse o uso de artefato militar: os japoneses já estavam batidos e nada mais podiam fazer. A bomba atômica sobre Hiroxima destruiu a cidade, causou cerca de 66 mil mortes e feriu 69 mil pessoas. Dois dias depois, a 8 de agosto, cumprindo o acordo firmado, a União Soviética declarou guerra ao Japão e movimentou as suas tropas para ocupar a Manchúria.
Três dias após o lançamento da primeira bomba, quando o mundo, ainda atônito, tomava conhecimento do espantoso morticínio, os Estados Unidos lançaram a segunda bomba atômica. Mais 65 mil vítimas, para quê? Para avisar a todos os povos, e em especial aos do Terceiro Mundo, que a sua hegemonia era para valer e que, para mantê-la, os EUA não vacilariam em cometer toda espécie de violência.
O lançamento dessas bombas atômicas, sem dúvida o maior e o mais frio crime cometido em toda a história da Humanidade - não foi autorizado por Hitler. Mas cometido, com certeza, pelo nazismo, agora a serviço dos EUA.
Os EUA e a União Soviética chegaram, em várias oportunidades, a superar, em sua maneira de agir, os métodos nazistas, de que se tornaram herdeiros. No Vietnã, os EUA usaram o agente laranja para destruir plantações e condenar à morte milhares de seres humanos.No caso da aldeia de My Lai, os soldados do mais poderoso exército do mundo fuzilaram friamente as mais pobres e frágeis criaturas, mulheres, velhos e crianças, sem lhes dar a menor possibilidade de defesa. No Afeganistão, o exército soviético utilizou o "fogo líquido", nova arma química que, ao ser pisada, segundo o "Jane's Defense Weekly", "explode em chamas que sobem, permanecem queimando e produzem uma fumaça que causa mortes".
O mundo se uniu para derrotar a Alemanha, na última Guerra Mundial, não por causa de Hitler, mas da hegemonia. Tendo a União Soviética desistido da pretensão de ser sócia do domínio do mundo, todas as nações devem agora se unir para pôr fim à ignominiosa hegemonia dos EUA.
Celso Brant é escritor, economista e secretário do Trabalho de Minas Gerais
Texto publicado na Tribuna da Imprensa
