Sumário do Relatório da CNPCT preparado pelo
A delegação do Movimento Nacional de Direitos Humanos (MNDH) irá avaliar a situação do combate à tortura no Brasil a partir dos resultados da Campanha Nacional Permanente de Combate à Tortura - CNPCT e da atuação do governo Fernando Henrique.
A Campanha Nacional Permanente de Combate de Tortura (CNPCT) iniciou seus trabalhos em outubro de 2001. Ela é resultado do pacto contra a tortura firmado pelo Estado Brasileiro e a sociedade civil organizada em 2000. A CNPCT é composta por uma Central Nacional, que comporta um Sistema de disk-denúncias chamado SOS-Tortura (0800 707 5551), e centrais estaduais, que enviam as alegações de tortura recebidas pelo SOS para órgãos competentes do sistema de justiça e segurança, como o Ministério Público e Corregedorias de Polícia.
A Coordenadora da CNPCT, Rosiana Queiroz, explica que a iniciativa é muito mais que um simples sistema de disk-denúncia: “A campanha tem como objetivo fomentar a mobilização e o monitoramento da sociedade em relação ao crime de tortura, além de servir como base de formulação de uma nova proposta para o sistema de justiça e segurança brasileiro”.
Dados da Campanha Nacional Permanente de Combate à Tortura
Em um ano de trabalho, o SOS-Tortura recebeu 23.709 ligações, sendo que apenas 1629 se transformaram em alegações de tortura. O resto se divide em ligações mudas, trotes e pedidos de informação.
Segundo estudo da Coordenação da campanha, o alto índice (54%) de ligações mudas ou que a pessoa vem a desligar em seguida pode indicar o medo ou insegurança em denunciar. Os estados com mais alegações registradas foram, respectivamente, São Paulo (17,22%), Minas Gerais (12,67%) e Bahia (9,04%). Todos estes dados estão no relatório da Campanha Nacional Permanente de Combate à Tortura, lançado em novembro do ano passado.
O documento mostra que o principal agente da tortura são os policiais militares e civis, que estão, respectivamente, em 26,8% e 26,16% das alegações de tortura. O relatório revela ainda que o local principal onde acontece o crime é na delegacia, representando aproximadamente 25% das denúncias. Outra conclusão do relatório é o fato de a vítima ser homem e jovem, com este perfil aparecendo em 69,7% das alegações. No que se refere à cor da pele, o relatório mostra que do total de denúncias, 35,38% não informaram a cor, 31,25% se apresentaram como pardas, 23,98% como de pele branca e 8,06% cor da pele negra.
O relatório apurou ainda que há 91 casos de tortura em andamento nos tribunais estaduais. Destes, 58 são ações penais de tortura (casos em que a denúncia principal é da prática de tortura) e 33 são crimes em que a tortura é alegada e entra como parte do processo, mas não é o crime principal. Dos 58 casos, 25 possuem sentença, sendo 15 com condenação em primeira instância, ainda podendo receber recursos.
Propostas para o governo brasileiro no combate à tortura
Além da apresentação dos resultados da campanha, os representantes da sociedade civil irão fazer recomendações ao novo governo sobre como atuar no combate à tortura. Entre elas, estão:
tornar eficaz a lei de tortura, reformulando o processo de investigação criminal que dificulta a apuração dos fatos; chamar a atenção dos atores jurídicos, especialmente do Judiciário e Ministério Público para a eficácia da lei de tortura;
reformular completamente o sistema de Justiça e Segurança Pública, especialmente no que concerne a corporação policial; e refundar o Pacto Nacional contra a Tortura, estabelecido em 2000 pelo Estado Brasileiro e a sociedade civil organizada.
