Un chiste y los neoidiotas

"El episodio ocurrió en uno de esos extraños autobuses cubanos llamados ''camellos''. Había un calor de mil demonios y no cabía un alma en aquel amasijo socialista de gentes y sudor tropical. De pronto un viejo con aspecto de loco, o de alcohólico, gritó a todo pulmón: ''¡Quiero ver a todos los soldados gringos colgados!'' Los pasajeros lo miraron en silencio. El viejo sonrió con picardía y volvió a la carga: ''¡Colgados de paracaídas sobre La Habana!'' Y los pasajeros rompieron a aplaudir alegremente."

Fonte:El viejo y los despiadados pacifistas, de Carlos Alberto Montaner.

Ok, ok, vou traduzir a piada:

"O episódio ocorreu num desses estranhos ônibus cubanos que são chamados de "camelos". Fazia um calor de mil demônios e não cabia mais uma alma naquele amasso socialista de gentes e suor tropical. De repente, um velho com aspecto de louco, ou de alcoólatra, gritou a plenos pulmões: "Quero ver todos os soldados gringos pendurados!" Os passageiros olharam para ele em silêncio. O velho sorriu com picardia e voltou à carga: "Pendurados em seus pára-quedas, sobre La Habana!" E os passageiros aplaudiram alegremente."

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Cuba. Um antigo amor que é difícil de ser esquecido ou abandonado pelos neoidiotas de carteirinha. Um dos melhores livros que li na minha juventude foi o "Manual do Perfeito Idiota Latinoamericano", de Plinio Apuleyo Mendoza, Carlos Alberto Montaner e Alvaro Vargas Llosa. Não vou entrar em detalhes sobre o livro, mas acredito que o termo "idiota latinoamericano" está ultrapassado. Hoje em dia temos os neoidiotas. O pior é que o neoidiotismo é forte e, na maioria dos casos, irreversível (as razões da irreversibilidade serão dissecadas futuramente).

Ontem mesmo eu fui dar uma caminhada ao redor do esgoto, quero dizer, ao redor da Lagoa Rodrigo de Freitas com um amigo e disse a ele: "Ah, que falta fazem os marxistas de antigamente!" Com os marxistas de outrora, era possível conversar. Aliás, se você não tivesse uma boa formação cultural e um intelecto aguçado, corria o risco de ser sumariamente ridicularizado. Vejam bem, não estou dizendo que eles estavam certos. Afirmo, apenas, que eles eram bem preparados e que não era brincadeira de criança discutir com eles. Antigamente o quanto? Afinal de contas, eu tenho vinte e seis anos, não sou nenhum ancião. Antigamente nos anos dourados do meu pai, por exemplo. Ou do meu avô. Mas ainda era possível encontrar um ou outro bom marxista até o final do período que a História insiste em chamar de Guerra Fria.

Com os neoidiotas, a melhor coisa a fazer, geralmente, é ignorá-los. Eles não costumam fazer mais do que repetir clichés e ladainhas obsoletas (quando não são totalmente absurdas).

Existem vários tipos de neoidiotas. O neoidiota inocente, por exemplo, é o que se engaja em manifestações porque acredita estar fazendo o que é certo. Acredita que, ao dizer não a uma guerra, está dizendo sim à vida. É um fim nobre, sem dúvida, mas convenhamos: os neoidiotas inocentes que pululam de branco pelas avenidas não fazem mais do que servir aos objetivos de grupetos e organizações que apóiam guerrilhas e o terrorismo. Pois é, faz sentido alguém ser "contra a guerra" mas ao mesmo tempo ser "a favor da guerrilha narcoterrorista das FARC" ou da "democracia humanitária" que existe em Cuba? Faz sentido autodeclarar-se pacifista (independente da cor da pele, convenhamos) mas ter vibrado de alegria quando as twin towers caíram ou com cada demente que se explode em algum mercado de Tel Aviv? Essas pessoas têm um estranho conceito de "paz"... Claro, existem os indivíduos que não querem a guerra simplesmente por ser uma guerra e por todos os sofrimentos que uma guerra traz. Esses não são neoidiotas. São os poucos pacifistas que ainda fazem algum sentido. Por que você não quer a guerra? Porque não gosto de guerras. Por que você não quer jiló? Porque não gosto de jiló.

Existem os neoidiotas convenientes: pessoas que não sabem nada de nada e que têm um QI de ameba, mas que andam com os intelectualóides universitários só para impressionar aquela maconheirazinha peituda e de axilas felpudas que dá para todo o mundo. E temos os neoidiotas ilustrados, que são aqueles que gostam de ler os máximos expoentes do pensamento neoidiota: Leonardo Boff, Frei Betto, etc... Como reconhecê-los? Andam sempre com uma Caros Amigos no sovaco, óculos sujos e barbicha esquisita. Eles são os mais perigosos, pois sabem ler e as suas leituras são - Boff! - fantásticas! Deve ser por isso que propagam por aí as suas teses mirabolantes, que são logo consumidas e digeridas pela multidão de outros neoidiotas, por exemplo: "Os norte-americanos culparam Osama Bin Laden por um ato de terrorismo que ele não assumiu, e que na opinião de muita gente foi ato dos próprios americanos pra justificar uma guerra." Detalhe: pérolas desse tipo são repetidas a torto e a direito por gente que não cansa de acusar o Olavo de Carvalho de ser paranóico ou de estar delirando.

Não vou fazer agora a taxonomia do neoidotismo. Quero discorrer um pouco sobre Cuba - um amor comum a todas as espécies de idiotas da velha guarda e neoidiotas contemporâneos que encontramos no zoológico. Quando qualquer um se atreve a levantar a voz para criticar El Comandante, chovem reclamações de todos os lados. Começam todos falando ao mesmo tempo, numa tentativa de intimidar. Alguns chegam a se levantar das cadeiras. Depois da chuva de perdigotos, quando os neoidiotas finalmente começam a silenciar e você se atreve a abrir novamente a boca, uns dois ou três se adiantam, abanam o ar com desprezo e dão um sorrisinho irônico para o lado. Você pode ter dito: "Dois mais dois são quatro", "José Saramago é um escritor português" ou "sua mãe é uma cadela". Não interessa: irão, invariavelmente, abanar o ar com desprezo e dar o típico sorrisinho irônico para o lado. Se, mesmo depois disso, você ainda insistir em falar sobre Cuba, o(a) neoidiota ilustrado mais próximo ajeitará os seus óculos engordurados e começará a discursar sobre a maravilha que são a educação e a saúde em Cuba. Mesmo que isso não tenha nada a ver com o assunto, diga-se de passagem. Se você falou sobre os presos políticos, o(a) sujeito(a) responderá com a educação e a saúde em Cuba. Se você falou sobre a miséria na Ilha-Cárcere, ele(a) igualmente responderá com a educação e a saúde em Cuba. Se você falou sobre a cor da guayabera de Fidel Castro, novamente ouvirá um emocionado e belíssimo discurso sobre educação e a saúde em Cuba. Para tudo, educação e a saúde em Cuba. Só isso. São os principais dogmas do neoidiota.

No dia 8 de fevereiro de 1981, Owen Delgado Temprana, um garoto de apenas 14 ou 15 anos de idade, refugiou-se com 13 membros da sua família na Embaixada do Equador em La Habana. A Embaixada foi tomada de assalto pelas forças especiais cubanas, que utilizaram bombas de gás lacrimogênio e entraram no prédio. Espancaram a família inteira. Owen Delgado Temprana, apavorado, gritou: "Parem! Parem!" Um dos guardas começou a descarregar golpes de bastão com todas as suas forças na cabeça do garoto, que caiu morto. Os seus pais e os outros familiares foram presos. Ah, mas temos que levar em conta a educação e a saúde em Cuba.

Num episódio mais recente, vinte e um cubanos (três menores de idade) entraram na Embaixada do México em Cuba. Vários agentes do governo "humanitário" de Fidel Castro entraram e os retiraram à força. Do lado de fora, os mercenários das brigadas de intevenção rápida, munidos de barras de ferro, esperavam por eles para fazerem a "justiça comunista". Ah, mas temos que levar em conta a educação e a saúde em Cuba.

No dia 9 de janeiro de 1959, no Acampamento Militar de Columbia, em Ciudad Libertad, o próprio Fidel Castro disse, ou melhor, mentiu: "E quero dizer ao povo e às mães de Cuba, que resolverei todos os problemas sem derramar uma só gota de sangue. Digo às mães que nunca terão que chorar por nossa causa." No endereço  http://members.aol.com/aguadacuba/cs/fusilado.htm é possível conferir uma relação contendo os nomes de alguns dos fuzilados e assassinados pelo regime castrista. Ah, mas temos que levar em conta a educação e a saúde em Cuba.

Por que é tão ruim viver em Cuba? Oh, que pergunta difícil! Talvez Víctor Llano a tenha respondido muito melhor do que eu, que não posso fazer mais do que citar episódios isolados e um ou outro exemplo do terror comunista em Cuba. Vamos citar mais um exemplo: os campos de concentração castristas, as UMAP (Unidades Militares de Ajuda à Produção). Nas UMAP, milhares de homossexuais, religiosos e jovens que, por gostarem de jazz e vestirem calças largas eram considerados "escória contra-revolucionária" foram encarcerados e torturados. Sim, Cuba tem os seus gulags. Piores do que os da Sibéria Soviética, sem dúvida, porque em Cuba faz calor. Ah, mas temos que levar em conta a educação e a saúde em Cuba.

Nem sequer as hediondas cifras de milhares de fuzilados, centenas de milhares de prisioneiros políticos e mais de dois milhões (!!!) de exilados conseguem fazer com que o neoidiota enxergue a realidade de Cuba. Antes da Revolución, a ilha era um dos países mais prósperos da América. Hoje, Cuba disputa o "troféu miséria" com o Haiti. E é um páreo duro! Ah, mas temos que levar em conta a educação e a saúde em Cuba.

Há alguns dias, recomendei a leitura do artigo intitulado: "Los Derechos Humanos en Cuba". Ah, mas temos que levar em conta a educação e a saúde em Cuba.

Ah, mas temos que levar em conta a educação e a saúde em Cuba. Ah, mas temos que levar em conta a educação e a saúde em Cuba. Ah, mas temos que levar em conta a educação e a saúde em Cuba!...

Ok, vamos começar pela saúde em Cuba. Francisco Linares, sindicalista independente em Camagüey, classificou o serviço nas clínicas odontológicas como sendo péssimo. Segundo Francisco Linares, um dos maiores problemas é a falta de instrumentos, anestesia, materiais e... dentistas. Acontece que muitos dentistas e técnicos estão largando os serviços para se dedicarem a atividades onde possam receber uma remuneração melhor (ou seja, menos miserável, nos padrões cubanos).

A mãe de um menino de seis anos que tinha duas verrugas padeceu os horrores da burrocracia da saúde pública cubana ao ponto de ter que recorrer a um curandeiro. É isso aí, um cu-ran-dei-ro. Naturalmente, não deu certo e ela optou por esquentar uma agulha no fogão e queimar ela mesma as verrugas do filho: "Dizer que Cuba é uma potência médica, quando na verdade é uma impotência. Impotência médica é a frase exata que descreve o sistema que acabou com a minha paciência." O artigo completo pode ser conferido em:  http://www.cubanet.org/CNews/y02/may02/21a6.htm. Há um ditado popular em Cuba que reza: "O melhor hospital cubano é aquele onde você tem um amigo."

Pois é, a maravilhosa saúde em Cuba não passa de mais uma propaganda mentirosa do comunismo. Na verdade, em Cuba há uma profunda discriminação, uma atenção médica deficiente, escassez de medicamentos e represálias contra os médicos que desejam sair da Ilha-Presídio.

O médico venezuelano Dr. Rafael Muci-Mendoza, que esteve em Cuba e viu de perto, relatou algumas coisas numa carta que enviou ao Embaixador cubano na Venezuela. A carta, na íntegra, pode ser lida no link:  http://www.cartadecuba.org/la_verdad_de_la_salud.htm. Seria cômico se não fosse trágico, mas a tal Neuropatia Óptica Cubana, que o regime insistia em atribuir a uma enorme variedade de fatores, era na verdade o resultado da miséria e da fome. O Dr. Rafael Muci-Mendoza explica isso e muito mais: "Pude apreciar duas classes de médicos. Uns, os 'esquecidos', à sua sorte, distanciados do partido comunista, são os que ocupam os escaninhos mais baixos da pirâmide médica, sem esperanças de ascender. Esses não assistiram às minhas palestras. (...) A outra classe, que chamarei de "nomenclatura", os que estão no vértice, tinham acesso à escassa tecnologia e eram guardiões zelosos dos livros (...). Esses, privilegiados do sistema, têm acesso aos banquetes, viajam ao exterior com os dólares, esquecendo dos pobres colegas que ficaram em casa. A sociedade cubana é uma sociedade triste onde é necessário falar baixinho para que o Estado policial não ouça, onde se ascende sendo fiel e denunciando (...). A medicina avançada que ostentam está apoiada numa engenhosa propaganda, mas na realidade é uma triste fanfarrice."

Vamos à educação, à maravilhosa educação cubana? Miriam García Chávez, presidente do Colegio de Pedagogos, uma mulher com mais de vinte anos de experiência em educação, afirma que as crianças sem sapatos, mal vestidas, que vão às escolas sem desjejum, são crianças que não têm condições e tampouco o desejo de aprender. Os professores dos ensinos fundamental e médio (traduzi assim, mas os termos são primaria e secundária), dos cursos pré-universitários e das universidades não podem garantir a alimentação de suas famílias com os salários miseráveis que recebem.

Quem faz a apologia da educação cubana, em aberta cumplicidade com o regime criminoso do ditador-assasino Fidel Castro, esquece de contar que o sistema educacional cubano determina que a universidade é somente para os revolucionários. Quem não tem uma boa recomendação por escrito do Comitê de Defesa da Revolução da sua vizinhança simplesmente não tem direito a estudar ou a trabalhar. Muitos cursos universitários estão fechados a quem não tem "confiabilidade ideológica". Essa é a "educação para todos" que Cuba oferece?

Francamente, meus caros neoidiotas, francamente... Um sistema educacional sustentado num caráter ideológico excludente não é justamente o contrário do que as suas propagandas defendem? Vocês realmente acreditam nas mentiras que vomitam, ou estão apenas querendo fazer com que acreditemos?