Tendo já participado de algumas reuniões do CMI-BH, fui honrado com o convite para o Carnaval Revolução, cuja página está em  http://carnaval.linefeed.org

Estive lá por dois dias (sábado e domingo).

Não posso afirmar que a maioria dos participantes fosse burguesa ou filhinho de papai, como a crítica sob as fotos aqui disponibilizadas. A situação era muito distante desta possibilidade...

Diariamente deveria haver ali umas duzentas pessoas.

O número de carros, a maioria de modelo popular, na entrada do sítio era pequeno (uns dez), comparado com o dos participantes, muitos dos quais utilizaram onibus público, como eu, praticando sexo grupal compulsório, de tanta gente que havia dentro, em função de atraso nos dois que vieram de SP, os quais passaram a fazer o transporte de quem voltava para BH diariamente.

Estes eram desprovidos de ar condicionado, o que representa uma certa frugalidade e parcimônia, características incomuns em passageiros burgueses.

Não havia conforto algum que pudesse ser considerado excessivo. Sentávamos no chão para ouvir as palestras e havia uma longa fila para o almoço.

Um dos passageiros procurava evitar de ter de pagar R$ 2,00, alegando que estava "duro". Isto porque o dois ônibus diários BH-Confins (ida e volta) não tinham lotado e o preço de R$ 1,00 dependia desta condição.

Todos sabemos que a comida vegetariana é mais barata que a tradicional, não sendo esta opção motivo de aburguesamento de quem a adota... Muito antes pelo contrário. Era simples, o prato pequeno, exigindo que a maioria tentasse repetir a dose, coisa nem sempre possível.

Havia também uma cantina, onde eram servidos salgados e outras guloseimas também vegetarianos, não incluída nos R$ 4,00 da diária, como era o almoço. À noite era servida uma sopa à R$ 1,50, a qual não cheguei a apreciar, já que voltava para casa à noite.

A piscina era parte do sítio, cedido por, ou alugado do tio de uma das organizadoras do evento. Não creio que fosse necessário vedar seu uso por questões de rigidez doutrinária. Era normalmente utilizada durante os momentos em que não havia atividade programada (palestras, bandas, oficinas), tendo em vista a frequência nos ambientes nos quais estive presente.

Não tivemos nenhuma aula de guerrilha ou sobre como montar e desmontar um fuzil de olhos fechados.

Os temas com os quais tive contato foram:Hegemonia Cultural (Arthur Rocha), Marxismo e Anarquismo (Sílvia), Anarquismo e Religião (Dimas), Rádio Comunitária (José Guilherme/ABRAÇO e Flávio/Rádio Muda de Campinas), Prisão de Anarquistas (Rodrigo/Cruz Negra).

Meu sobrinho participou de oficinas sobre informática e música eletrônica. Houve também apresentação de bandas e grupos de teatro.

Havia uma necessidade reprimida de participar dos debates pela maioria dos participantes, motivo pelo qual a duração programada precisou ser prolongada.

Tenho divulgado o evento para meus amigos ainda mais alienados que eu, como sendo um dos poucos redutos do pensamento crítico disponível no mercado. Oopss!

Havia alguns "punks", com o cabelo esticado para cima, formando uma crista para fazer inveja à qualquer cristão... Eu era um dos raros não tatuados da redondeza.

Parabéns aos organizadores do evento. As poucas falhas que ocorreram são insignificantes, se comparadas com o valor do empreendimento para quem dele participou.

A crítica é muito comum e normalmente surge de quem nada faz para ser criticado.

Espero estar no próximo...

E se alguns dos críticos deste trabalho quiserem me convidar para atividade similar ou absurdamente melhor, farei de tudo para comparecer e avaliar sua competência em tal mister.