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| | Uma reflexão sobre a Luta Antimanicomial Por Alessandro Campos 26/04/2003 às 19:13 Uma reflexão sobre a Luta Antimanicomial e algumas semelhanças com quem podemos lutar "Enquanto um estiver preso ninguém estará livre!" Múmia Abu Jamal
Uma diversidade enorme de posturas e questionamentos dentro do Movimento da Luta Antimanicomial podem nos ajudar a entender sua história e conseqüentemente a traçar seu destino. São semelhanças com lutas e resistências que duram décadas e até mesmo séculos. Lutas e resistências de cada história de vida, de cada cidadão do mundo que carrega no corpo a herança de batalhas enfrentadas nas mais diferentes épocas e situações. Começou antes mesmo da grande internação, comentada por Foucault em sua ?História da loucura?, e se estende até agora, hoje, aqui mesmo onde você está. Todos os movimentos sociais, as lutas populares, as insurreições e revoluções, trazem algo em comum: um profundo desejo de mudança. Uma insatisfação em relação à maneira que as coisas são feitas. Um desconforto por sentir e saber que podemos e devemos mudar o está aí. Pela não conformidade do que lhe foi dado. No abandono da passividade em troca da ação e da vontade em desobedecer.
Logo após a Segunda Guerra Mundial um ministro de um país europeu disse: ?Então perseguiram os judeus, e eu que não era judeu, não fiz nada. Perseguiram os ciganos, e eu que não era cigano, não fiz nada. Perseguiram os homossexuais, e eu que não era homossexual, não fiz nada. Será que se algum dia eu for perseguido alguém fará alguma coisa por mim?? Provocador, não? Não se trata de fazer algo apenas, mas na maneira que nos revelarmos com essas necessidades de mudanças.
Sendo assim, pense na seguinte descrição:
?Mulher, idosa, lésbica, pobre, negra, presa, louca e brasileira?.
Você pode colocar está descrição na condição de um homem que a conclusão seria a mesma: está ferrad@!
O fato é de que sendo homem ou mulher todos estão sujeitos a infelicidade, a dor, ao abandono, ao preconceito, a exclusão, ao rótulo, a injustiça, ao medo, ao rancor, ao desespero, a dúvida, ao silêncio, a violência... pelo simples fato de que somos humanos, e os humanos estão sujeitos a essas coisas. Situações que nos envolvem, por enquanto.
Pensemos mais.
Uma criança não sabe bem o que é ser uma criança, então o mundo da ?adultecência? dá um jeito de dizer o que é. E porque ela deveria ter a obrigação de saber isso? Vai de um extremo ao outro, vai da criança de 2, 3 anos nas carvoarias do interior, até aquela que tem depressão e stress por que os pais acharam que era melhor ela aprender inglês bem cedo para não ter ?sotaque?, e 5 horas de estudos de inglês, além do balé, da natação, da informática, do piano, do dever de casa, do Dragon Ball, devem dar... Já os velhos. Bem, estes a gente joga fora, não servem mais, afinal de contas, meus pais não cuidaram dos pais deles, eu não irei cuidar dos meus, e provavelmente os meus filhos não cuidarão de mim... é que sempre foi assim, dirão alguns!
A frase seguinte então: ?Eu não tenho nada contra, desde que não cheguem perto de mim!? Tolerância à diversidade sexual não é nada simples. Todos (todos quem?) dizem que não tem preconceito contra a sexualidade de ninguém, mas sabe como é, né? Na casa do vizinho pode, mas na minha não! Por falar nisso, sabiam que durante muito tempo, mulheres que tentaram usar calças, ou sair ?desacompanhadas?, ficar grávida sem casar, se apaixonar por pessoas de outra raça, classe social, religião, lésbicas então, iam direto para o hospício? É sério! Viado é palavrão e Deus não gosta! Vai para o inferno e não tem escapatória!
Pobre nem se fala. Cuidado que é contagioso! Não Ser podem até enganar de alguma maneira, compram isso ou aquilo e se dá um jeito, mas não ter... no mínimo vai para o inferno também, pois Deus Mercado castiga! Tem que ter, qualquer porcaria, mas tem que ter! Apesar que temos bastante coisas por aqui. Temos fome, medo, violência, indiferença, abandono. Olha, temos bastante coisas mesmo! O quê? você quer mais? Está bem. Temos corrupção, lavagem de dinheiro e manipulação política. Temos crianças usando drogas e se prostituindo, temos esquadrões da morte e torturas nas delegacias, temos apatia e silêncio para nossas dores. Chega, né?
Mudando de assunto, se alguém te falou que aqui tem respeito e ?democracia racial? para afrodescendentes e indígenas e você acreditou, eu sinto muito, mas te enganaram! Sim, na maior cara de pau te enganaram! Virou até piada: o negro rico com seu Mercedes é parado por policiais e estes de cara perguntam onde ele roubou! Índio é preguiçoso e já dizia o jesuíta José de Anchieta: ?Esse povo não conhece outra linguagem alem da chibata e da espada!? E você também acreditou que ele gostava dos índios? E olha que não te revelaram nem a metade das mentiras que tem por aí. Ué, eu não falei que estava mudando de assunto? Ainda se trata do mesmo ponto, uma coisa tem haver com outra. Não vou nem falar isso de novo então.
Quanto ao sistema carcerário temos a prova escarrada da exclusão social, da perseguição, do roubo do direito, e claro, dos ?Direitos Humanos defenderem bandido?... tsc,tsc,tsc,tsc... Não vai me dizer que você acreditou nisso também? Penitenciarias que não corrigem, não orientam, não ensinam, não recuperam, não respeitam, não toleram, e nem a punição acontece, a não ser que consideremos o assassinato, a tortura e o terror como punição. Muitos mitos tomam conta da imaginação, enquanto muita selvageria e miséria tomam conta da realidade. E há quem defenda a pena de morte e a redução da idade penal em uma clara demonstração de desinformação, medo, superioridade e desesperança. Ah! E finalmente uma das maiores mentiras e embromações dos últimos tempos: O manicômio! Vamos recapitular. Lugar de mulher é na cozinha, lugar de pobre é de baixo da ponte, de bandido é na cadeia, de índio é na floresta, de criança é quietinha na frente da tv, de gente bonita é na primeira fileira do auditório do domingão do Faustão, e de louco é no hospício. Para não dizerem que há rigidez de mais, alguns lugares podem ser trocados. O pobre pode ir para a cadeia, o índio para debaixo da ponte, o bandido para algum cargo público, o louco para o auditório (não o do Faustão, por que aí seria querer demais, né!), mas o do Ratinho, por quem se faz de cego, para não falarmos outra coisa...
O louco! Quem é e quem não é? Por favor, entendam o seguinte, que não se trata dos muros dos manicômios. Ele é apenas o que está explícito, e entenda que o que se estabelece nas relações é o ?x? da questão. Dentro dele é o que cabe tudo, e o nada. Isso esta ficando filosófico demais! O assunto é que essa pequena respirada, sobre o que está dito nas linhas anteriores, passam por aqui. No manicômio você têm: violação dos direitos humanos, intolerância e preconceito com a sexualidade (palavrinha que ainda assusta!), tanto ao que diz respeito à homossexualidade masculina e feminina, transexuais, como as discuções sobre gênero. Lá têm o rótulo, igualzinho aqui! Ser diferente nem pensar. Louco tem que ser padrão! Tem que ficar quieto senão toma sopetão! Dopado, escrachado, catalogado, discriminado, abandonado!
?O pior dos piores?, sem ser ingênuo, sem ser do contra, apenas revelando que o júri popular viu, ouviu e entendeu que isso vai ter que mudar, afinal o veredicto foi dado: culpado! Suas celas fortes não serão mais os porões da ditadura, nem seus pátios valas coletivas. Temos em nossas mãos o poder de mudar, de transformar e a militância provou ser verdadeira e honesta. Ainda há mães que carregam a dor, sem justiça ou informações, mas a causa que nos une é o que nos faz únicos! Ativistas da ação direta temos que ser cada vez mais! Desobedeceremos a lógica do mercado que tenta dar preço a tudo sem saber o valor de nada! Fazendo-se valer do grito do Movimento dos Trabalhadores sem Terra, Ocuparemos as ruas, pois ela é nossa, e todos assumirão sua insanidade que é sufocada! Resistiremos como nunca foi feito antes, e os Zapatistas já avisaram: ?Um mundo aonde caibam todos os mundos!? Produziremos nossas diferenças e alimentaremos a compaixão e a solidariedade!
Manicômio, eu vejo seu fim! Não me diga que estou divagando, nem me chame de garoto sem noção, de bagunceiro, semeador da desordem e do caos. Você ainda não viu nada! Seus cúmplices não sairão impunes e nem descansaremos enquanto a intolerância, o racismo, a homofobia, o menosprezo a mulher, a criança, ao idoso, não tiver acabado. Resgataremos nossa humanidade! Desculpe se faltou um pouco de educação ou algum tipo de decoro, mas diante das injustiças nada posso fazer se meu sangue ainda ferve com os insultos e clama por justiça e revolução. ?Por educação perdi minha vida? disse certa vez Rimbault. Nossa luta dirá quem somos e as cicatrizes que temos no corpo e na alma não terão sido em vão!
>>Adicione um comentário A luta antimanicomial é sem dúvida importante.
Mas vemos hoje claramente que está ocorrendo aquilo que Delleuze e Guatari chamaram de passagem das "sociedades disciplinares" para "sociedades de controle". A prisão e o manicômio estão deixando de ser instituições separadas e tomam toda a sociedade. É evidente isto em qualquer grande cidade do Brasil: vá em qualquer rua e observe que a arquitetura da prisão se tornou a forma de todos os objetos urbanísticos, grades, arames farpados, câmeras, alarmes, muros elétricos..., cada casa é uma prisão, uma solítária, ou uma cela superlotada, como é cada barraco na favela. A rua, repleta de mendigos, e completamente cercada e privada e espaços públicos, é onde a sociedade capitalista coloca hoje a maioria dos chamados loucos.
Frente a todos esses fatos, a luta antimanicomial estaria então lutando contra algo que está se diluindo na totalidade da sociedade. Isto só me leva a defender uma luta contra a prisão total, o estado total, em que se tornou a sociedade, uma luta contra a sociedade capitalista enquanto tal, contra a destruição da humanidade na máquina absoluta de fazer dinheiro que nos domina a todos.  | Só por curiosidade Vocês acham mais humanitário soltarem os "malucos" para ficarem na rua, comendo lixo e bosta como já vi, bebendo água de esgoto? Sem assistência? E a libido deles? Tá, é legal, tudo solto, temos que conviver com as diferenças, mas e os filhos que virão, vai ser justo também para eles, vários filhinhos na rua porque vai ser fácil pagar as mulheres com transtorno mental na rua e os próprios maluquinhos tambémm vão querer... Estou vendo que estão soltando todo mundo e o que vejo é maluco fumando craque na rua, pedindo dinheiro... sem banho ou abrigo. Outro dia prenderam um maluquinho na delegacia que fica do lado de onde eu moro. ele ficou gritando durante dias... e noites, perdeu a voz coitado, a gente só ouvia um urro rouco e ele não parava. Deve ter feito algo para estar ali, não sei, mas é humano deixá-lo gritando durante dias até perder a voz? Acabaram de soltar um outro maluquinho aqui da área, as pessoas comentavam: Voltou mais gordinho heim? Ele é muito magro, imaginem em que condições não estava antes? É tudo mais complexo do que simplesmente: os manicômios são uma aberração, temos que aprender a viver com as diferenças, soltemos todo mundo... mas o que vejo é que só interna quem não tem realmente como cuidar da pessoa com transtorno mental, famílias muito pobres que vão ter mais uma boca para comer, aliás duas pois uma pessoa da família vai ter que tomar conta. Na minha família tinha uma pessoa que tinha delírios e alucinações... ela se cagava toda andando e era um problema pegá-la para dar banho. Tinha que ser três pessoas para fazer isso. Ela também fugia muito e os meninos na rua sentavam pedra nela. Tinhamos que ficar vigiando. Minha avó tinha dinheiro e podia pagar uma pessoa para cuidar dela, mas e quem não tem? Sei que há casos e casos, mas o que vejo cada vez mais é que os mais pobres é que vão sair prejudicados sem os manicômios? Alguém aí já teve que conviver com maluco em casa? è muito bonito no cinema, mas vá você aturar, dar banho, aguentar de noite, ficar indo atrás...já vivi isso e digo que eu não aguentaria ter que anular a minha vida para cuidar de alguém assim. Acho que tudo isso é luta por nicho de marcado.  | Tenho lido algo a respeito e concordo com alguns comentarios anteriores ao meu de que tudo é bem mais fácil e romantico no cinema, que a realidade é um pouco menos "Florida" e que é difícil cuidar de um "Louco" em casa. Primeiro, acho que generalizar não é o caminho. Acredito que a Luta Antimanicomial faria mais justiça á causa se fosse "Luta contra o tratamento desumano dado em manicomios". Hoje é lei federal e existe recurso para que as cidades tenham CAPS e outros centros de saude mental, para que essas pessoas, mentalmente perturbadas, tenham um pouco mais de dignidade. Não, não sou adepto da Soltura desenfreada de insanos nas ruas das cidades. muitos são perigosos e etc. Mas acho que deve ser revisto o tratamento dado a esse tipo de gente. Já cometemos um erro, ao meu ver incorrigivel, no tocante ao tratamento carcerário, não deveríamos cometer o mesmo erro quando tratamos de doenças mentais! Somos humanos, demasiado humanos, e por isso nos falta um pouco de humanidade! "Não anular a própria vida" não significa que se deva anular a vida de outro! Isso é só uma opinião!  | A luta anti-manicomial não prega o fim das internações psiquiátricas e dos hospitais psiquiátricos. Prega sim a substituição da internação, sobretudo prolongada, por atividades alternativas capazes de inserir o paciente num convívio social, bem como incentivar que a pessoa encontre canais e meios de expressão para seus dons, habilidades e vontades.
Doenças e sofrimentos mentais, em grande parte, são fruto de causas culturais e sociais, como repressão, discriminação, problemas familiares, modo de vida estressante, isolamento, entre outros. Essas causas podem ser tratadas ao encontramos ambientes, grupos e convívios sociais adequados ao paciente, que incentivem seu desbloqueio emocional e psicológico. Muitas vezes, um grupo musical ou de teatro pode ser o melhor tratamento.
De fato, casos de crise pedem internação, até mesmo para preservar a saúde do próprio paciente. Entretanto, o que vemos no Brasil é a indústria da loucura (onde chega dinheiro, chegam tais "indústrias"). Pacientes são mantidos internos porque alguém paga, ou as famílias, no caso de particulares, ou os governos, no caso dos hospitais públicos. Além disso, os métodos de tratamento são extremamente agressivos, como choques, doses repetidas de calmantes, entre outros.
É contra estas injustiças e violências que o movimento luta.  | é muito fácil julgar o Louco pensando na própria individualidade. Não é verdade que o Louco é perigoso, a maioria, a grande maioria é inofensiva. Além do mais loucura só tem tratamento se o Louco tiver cidadania. A partir do momento que uma pessoa surta ou desenvolve um sofrimento mental é possível tratar a subjetivação do paciente com tratamento humanos, liberdade e cidadania para que com o tempo se recupere a dignidade. Temos que entender a verdade dos fatos, que numa sociedade intolerante, com cultura individualista, aos invés de cultura coletivista, os manicômios surgiram há duzentos anos por uma ideologia higienista, ou seja deixar a cidade bonita, só tinha direito a vida quem pertencia aos padrões da cultura hegemônica.Também é preciso que se fale que numa sociedade capitalista de vlores burgueses mais valorizados que valores espirituais ou morais, só existe espaço para quem produz e para quem consome, não existe espaço para outros: para índios, para mulheres emancipadas, para a população quilombola .... Só sei que a Luta Antimanicomial é legal mesmo, essa idéia tem que pegar e também precisamos superar o capitalismo que é uma ideologia capaz de provocar uma guerra em nome do lucro para vender armas; que é capaz de fazer uma ultra-publicidade de remédios que realmente não são o que parecem, onde se cria muita mentira, para explorar muitos e gerar lucro para pouquíssimas pessoas. Existe também uma loucura contemporânea, fruta do estresse, da insatisfação, do desencontro, da violência, do abandono e da solidão; portanto qualquer um pode surtar um dia, a loucura não é exclusiva dos loucos, pois muitos devido a status, posiçoes, poder e dinheiro conseguem se passar por bacanas mas são pior que o mosquito do cocô do cavalo, pois conseguem interpretar a suposta normalidade exigida pela cultura capitalista e são super covardes para ousar em contestar o sistem. Para quem odeia a cultura antimanicomial que vá prá puta que pariu, pois eu sou louco mais sou feliz graças a inúmeras oportunidades que tive de me reiventar e hoje não estou comendo cocô na rua, sou um universitário de sucesso. Obrigado militantes dos direito humanos pela oportunidade!  | Eu gostaria de saber se existe um grupo de luta Antimanicomial aqui em Brasília. Já fui internada uma vez e sinto muito o preconceito das pessoas que estão ao meu redor. Não sei se leu "Metamorfose" de Kafka, mas somos tratados como baratas. A minha solidariedade ao Paulo Azevedo. Ele é um caso de sucesso da luta antimanicomial. Congratulações.  | A Luta Antimanicomial é uma luta contra o estigma, a falta de cidadania, o descaso, a corrupção, o preconceito e acima de tudo contra a ignorância. Quem for ?normal? que atire a primeira pedra. Somos ratos de laboratório, fantoches do sistema, da mídia e do preconceito. Pagamos os nossos impostos com o suor do nosso trabalho, na esperança de um mundo melhor. Não exigimos nada demais, não queremos luxo, mas também não queremos lixo, talvez o ?básico?, já resolvesse o nosso problema; educação, saúde, saneamento básico e comida na mesa. Ao invés disso temos o descaso e a pobreza de milhares, para que apenas uma família viva no luxo do luxo. Será que é tão difícil de entender, que é isso que o desvio de dinheiro, que a corrupção faz? Tira o direito de milhares, para o benefício de meia dúzia. Onde está a nossa sanidade que permitimos tal atrocidade? Talvez os mais sensatos sejam os ?loucos? que não deram conta de tanta idiotice, de tanta violência. Nem mesmo assim, conseguiram escapar, continuaram vítima do sistema, trancafiados, viraram peça de uma fábrica de fazer dinheiro, a fábrica da loucura. Nem a loucura, nem a pobreza, nem a homosexualidade e nem a negritude são contagiosos. Já a ignorância, há, essa eu não sei não. Estamos psicoadaptados com muita coisa, principalmente quando não é com a gente. Uma boa dose de solidariedade, compaixão, alteridade e inserção, curaria o mal da ignorância e do preconceito. E adivinha só? A cura maior, pode ter certeza, será de todos nós!
Ludmilla Maria Resende Diniz  | Primeiramnte, alguém já tentou definir o que é loucura?
Creio que não né?
Consideramos loucos aqueles que deliram, que têm alucinações, que vagam po aí sem eira nem beira...
Mas quem é mais louco? O próprio "louco", como assim o rotulamos ou a sociedade que rotula os diferentes? Para a sociedade é muito fácil dizer quem é ou não normal, pois esse indivíduo foge dos padrões de comportamento que nossa cultura impôs.
Alguém já parou para pensar que quem define nossas condutas é a própria sociedade? E que a própria sociedade agora luta contra o monstro que ela criou: o sistema!
Concordo que no quesito assintencial, deveria ser mais humano, pois independente de você ter um transtorno mental ou não, você é um ser humano que tem sentimentos, e pode distinguir dor e bondade.
Quanto a lei que o excelentissimo Sr. Paulo Delgado impantou, vamos combinar que é uma comédia né?
Afinal, depois de anos internado num manicômio, quantas pessoas ainda têm família? É muito simples pra família abandonar, pois ela encara aquele doente como uma pedra no sapato, que não tem condição de ser cuidada!
Palmas para um projeto de lei que não trata o cidadão como humano!
Acredito que ao invés de uma luta antimanicomial, deveria ser instituída uma luta pró-ambulatorial.
Recomendo a leitura do livro "O espelho do mundo: Juquery a história de um asilo" de Maria Clementina Pereira da Cunha para que as pessoas conheçam a história do modelo psiquiátrico que foi utilizado por tanto tempo sem o menor preparo, e como uma cultura instalada, não é só colocar os "loucos" fora de um espaço de internamento que irá corrigir o erro de mais de anos!
Afinal o complexo do Juqeury foi implantado em 1898, e por muitos anos foi adotado o modelo anti-humano.
E com o perdão da palavra, mais uma vez torno a repetir que essa lei é mais uma forma nada humana de se tratar os doentes mentais.
Sou a favor de uma luta pró-ambulatorial, afinal quantas pessoas ficaram na rua, sem o mínimo de assisntência possível?
Deveria ser implantado um modelo de prevenção, quem sabem, dessa forma, as famílias e a sociedade estivesse realmente preparada para acolher os "loucos"?
Deixo minhas palavras para reflexão!  | Nao... vc nao esta devaneando nao.... muito menos louco...louco é quem acredita q nao existe o diferente...uma sociedade para ser ética precisa encontrar meios de incluir seus excluidos... de entender o nao entendido...de conhecer o desconhecido...de compreender o diferente...justiça ja... vms juntos construir um novo modelo de inclusao do louco infrator...crp03-5187
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