Gay acusa site religioso de intolerância

Conselho Federal de Psicologia vai apurar suposta apologia à discriminação sexual feita em artigo da Igreja Batista do Cambuí

NiceBulhões, Da Agência Anhangüera
 nice@rac.com.br

O conselheiro nacional de Combate à Discriminação do Ministério da Justiça, Luiz Mott, professor titular do Departamento de Antropologia da Universidade Federal da Bahia (UFBa) e fundador do Grupo Gay da Bahia, entrou, esta semana, com uma representação no Conselho Federal de Psicologia contra o site da Igreja Batista do Cambuí (www.ibcambui.org.br), em Campinas. O motivo é o artigo intitulado ?Homossexualismo: doença, perversão ou natural??, de autoria do pastor Isaltino Coelho Filho. Segundo Mott, o texto se apropria e utiliza conceitos científicos da psicologia de forma errônea e com a finalidade de justificar a intolerância e a discriminação contra os homossexuais.
O Departamento Jurídico da Igreja informou que o objetivo do texto não foi ofender e discriminar os homossexuais. Primeiro o texto foi transmitido no pulpito e depois colocado na internet, segundo a assessoria jurídica. Mott informou que recebeu a denúncia do site através de um gay de Campinas, que considerou a matéria discriminatória. ?Eu conferi o site e o texto mantém um posição de interpretação bíblica já ultrapassada pela moderna exegese (prática da hermenêutica sagrada que busca a real interpretação dos textos que formam o Antigo e o Novo Testamento)?, disse Mott. ?A internet vem sendo usada de forma diabólica por algumas igrejas, instituições e pessoas para disseminar o ódio aos homossexuais?, completou.
Segundo ele, não há, na Bíblia, nenhuma só vez as palavras homossexual, lésbica ou homossexualidade. Acrescentou que todas as bíblias que empregam estas expressões estão erradas e mal traduzidas. ?Pedimos a enérgica atuação a fim de impedir que a psicologia seja usada para acobertar o charlatanismo e a intolerância anti-homossexual?, disse, em um trecho da representação. O texto, na sua avaliação, fere uma resolução do Conselho Federal de Psicologia, que diz que ?a homossexualidade não constitui doença, nem distúrbio e nem perversão?. Mott explicou que a palavra homossexual só foi criada em 1869, reunindo duas raízes lingüísticas: Homo (do Grego, significando ?igual?) e Sexual (do latim).
?Portanto, como a Bíblia foi escrita entre 2 e 4 mil anos atrás, não poderiam os escritores sagrados terem usado essas palavras?, disse o conselheiro. Na introdução do texto do pastor, há um item que trata sobre a situação do homossexualismo Brasil: ?30 anos atrás: motivo de desgraça. Hoje: Dia do orgulho gay?. Para Mott, a idéia é equivocada. ?A prática do amor entre pessoas do mesmo gênero, porém, é muito mais antiga que a própria Bíblia. Há documentos egípcios de 500 anos antes de Abraão, que revelam práticas homossexuais não somente entre os homens, mas também entre os deuses Horus e Seth?, argumentou.
Segundo Mott, no antigo Oriente, a homossexualidade foi muito praticada. ?Entre os hititas, povo vizinho e inimigo de Israel, havia mesmo uma lei autorizando o casamento entre homens (1.400 antes de Cristo)?. De acordo com Mott, embora o Levítico fosse extremamente severo contra a prática da cópula anal, determinando igualmente a pena de morte contra o adultério e o bestialismo, outros livros sagrados revelam maior tolerância face ao homoerotismo. ?O Eclesiastes ensina: ?É melhor viverem dois homens juntos do que separados. Se os dois dormirem juntos na mesma cama se aquecerão melhor? (4:11)?, citou Mott.
O Conselho Federal de Psicologia informou que recebeu a denúncia e que está analisando para tomar as devidas providências.






Conselho Federal de Psicologia vai apurar suposta apologia à discriminação sexual feita em artigo da Igreja Batista do Cambuí

NiceBulhões, Da Agência Anhangüera
 nice@rac.com.br

O conselheiro nacional de Combate à Discriminação do Ministério da Justiça, Luiz Mott, professor titular do Departamento de Antropologia da Universidade Federal da Bahia (UFBa) e fundador do Grupo Gay da Bahia, entrou, esta semana, com uma representação no Conselho Federal de Psicologia contra o site da Igreja Batista do Cambuí (www.ibcambui.org.br), em Campinas. O motivo é o artigo intitulado ?Homossexualismo: doença, perversão ou natural??, de autoria do pastor Isaltino Coelho Filho. Segundo Mott, o texto se apropria e utiliza conceitos científicos da psicologia de forma errônea e com a finalidade de justificar a intolerância e a discriminação contra os homossexuais.
O Departamento Jurídico da Igreja informou que o objetivo do texto não foi ofender e discriminar os homossexuais. Primeiro o texto foi transmitido no pulpito e depois colocado na internet, segundo a assessoria jurídica. Mott informou que recebeu a denúncia do site através de um gay de Campinas, que considerou a matéria discriminatória. ?Eu conferi o site e o texto mantém um posição de interpretação bíblica já ultrapassada pela moderna exegese (prática da hermenêutica sagrada que busca a real interpretação dos textos que formam o Antigo e o Novo Testamento)?, disse Mott. ?A internet vem sendo usada de forma diabólica por algumas igrejas, instituições e pessoas para disseminar o ódio aos homossexuais?, completou.
Segundo ele, não há, na Bíblia, nenhuma só vez as palavras homossexual, lésbica ou homossexualidade. Acrescentou que todas as bíblias que empregam estas expressões estão erradas e mal traduzidas. ?Pedimos a enérgica atuação a fim de impedir que a psicologia seja usada para acobertar o charlatanismo e a intolerância anti-homossexual?, disse, em um trecho da representação. O texto, na sua avaliação, fere uma resolução do Conselho Federal de Psicologia, que diz que ?a homossexualidade não constitui doença, nem distúrbio e nem perversão?. Mott explicou que a palavra homossexual só foi criada em 1869, reunindo duas raízes lingüísticas: Homo (do Grego, significando ?igual?) e Sexual (do latim).
?Portanto, como a Bíblia foi escrita entre 2 e 4 mil anos atrás, não poderiam os escritores sagrados terem usado essas palavras?, disse o conselheiro. Na introdução do texto do pastor, há um item que trata sobre a situação do homossexualismo Brasil: ?30 anos atrás: motivo de desgraça. Hoje: Dia do orgulho gay?. Para Mott, a idéia é equivocada. ?A prática do amor entre pessoas do mesmo gênero, porém, é muito mais antiga que a própria Bíblia. Há documentos egípcios de 500 anos antes de Abraão, que revelam práticas homossexuais não somente entre os homens, mas também entre os deuses Horus e Seth?, argumentou.
Segundo Mott, no antigo Oriente, a homossexualidade foi muito praticada. ?Entre os hititas, povo vizinho e inimigo de Israel, havia mesmo uma lei autorizando o casamento entre homens (1.400 antes de Cristo)?. De acordo com Mott, embora o Levítico fosse extremamente severo contra a prática da cópula anal, determinando igualmente a pena de morte contra o adultério e o bestialismo, outros livros sagrados revelam maior tolerância face ao homoerotismo. ?O Eclesiastes ensina: ?É melhor viverem dois homens juntos do que separados. Se os dois dormirem juntos na mesma cama se aquecerão melhor? (4:11)?, citou Mott.
O Conselho Federal de Psicologia informou que recebeu a denúncia e que está analisando para tomar as devidas providências.