Há anos os petroleiros – como várias outras categorias – vêm lutando por melhorias trabalhistas no Brasil. No caso específico dos trabalhadores da Petrobrás, tem-se batalhado contra a privatização, por aumento salarial, fim dos acidentes, redução da jornada de trabalho, igualdade de direitos entre trabalhadores efetivos e terceirizados, etc.
Durante a autoritária era FHC, muitos petroleiros que estavam combatendo por reivindicações justas acabaram demitidos por motivos puramente políticos.
Nós, Anarquistas, nunca nutrimos ilusões sobre governos se dizem “de esquerda”. Até hoje todas as conquistas trabalhistas foram obtidas pela mobilização direta dos trabalhadores. Nada foi dado de presente pelos governos, só opressão e violência.
Não podemos ficar parados esperando a boa vontade das autoridades em reintegrar nossos companheiros petroleiros.
Agora, como sempre, é hora de lutar. E nossa arma é a ação direta dos trabalhadores e estudantes em solidariedade aos companheiros petroleiros.
Protestos, passeatas e principalmente a greve são legítimos nessa luta. Mas o principal para nós nesse momento é fortalecer a ocupação à porta do EDISE (prédio da Petrobrás, Avenida Chile 65, Centro, Rio de Janeiro, RJ)desde 2 de Maio.

ANISTIA JÁ! PELA IMEDIATA REINTEGRAÇÃO DOS COMPANHEIROS PETROLEIROS! PELO FIM DAS PUNIÇÕES POLÍTICAS!

Contados:

Círculo de Estudos Libertários Ideal Peres – CELIP: www.celip.cjb.net. Cx Postal: 14.576 CEP: 22412-970. Rio/RJ
Biblioteca Social Fábio Luz - sábados de 9:00 às 16:00. Rua Torres Homem, 790. Tel: 9397-1941
Coletivo de Estudos Anarquistas Domingos Passos – www.nodo50.org/insurgentes. Cx Postal: 100670 CEP: 24001-970 Niterói/RJ
Jornal da Resistência – Cx Postal: 101089 CEP:24310-970 Rio/RJ


RETROSPECTIVA – O Findar da história de luta da CUT inicia-se com o avanço do PT rumo a Brasília.

Jornal da Resistência

1978 – 1a. Greve geral de toda a categoria metalúrgica após 1964.
Oposição (comissões de fábrica) lideraram a greve dos “Braços Cruzados, Máquinas Paradas”.

1980 – Grande Greve do ABC, surge Lula como liderança nacional no ato do 1o. de Maio.

1983 – Greve dos petroleiros com paralização das principais refinarias de petróleo brasileiras. Demissões em São Paulo, Bahia e no Rio de Janeiro – totalizando 317 demitidos – inclusive a companheira Fabíola da Câmara (Futura editora do JR). Surge Jacob Bittar de Paulínia como a grande liderança petroleira.

Greve geral no Brasil.

O Surgente aparece como oposição petroleira organizada no Rio de Janeiro.

Jorge Eduardo e Tavares são delegados petroleiros do Rio no 1o. Congresso Nacional que funda a Central Única dos Trabalhadores. Lula é a grande referência ao lado de Jacob Bittar. Jair Meneguelli é eleito o 1o. presidente da CUT. Hoje Jair é deputado federal. Bittar foi prefeito de Campinas.

1984 – Grande acidente de Enchova que deixa 37 mortos e 19 feridos.

Inicia-se a campanha de filiação a Associação dos Petroleiros de Macaé (ADTIEP) com o apoio total dos embarcados.

A Associação surgida das comissões de plataformas elegem Rogério Madureira e Luiz Ernesto Tavares seus representantes.

Jorge Eduardo (Surgente) e Tavares (Associação) organizam as famílias das vítimas de Enchova para esclarecer os verdadeiros motivos do acidente.

Empresa reconhece sua culpabilidade pelo acidente. Após anos as famílias saem vitoriosas na Justiça.

1986 – Comissões de Plataformas e a Associação lançam a luta pelo 7x14 (redução da jornada) e organizam a CIPA em Macaé.

1988 – Deflagrada a 1a. Greve de Ocupação com parada e controle da produção nas plataformas.

1989 – A luta de 7x14 é agora impulsionada pelo SINDIPETRO-NF, não oficial, continuação da Associação. Tavares, mesmo demitido é o coordenador do SINDIPETRO-NF.

SINDIPETRO-RJ mesmo após plebiscito nas plataformas que maciçamente escolhem as reduções de jornada de 1x2 (10x20 e 7x14) acorda com a Petrobrás a Jornada 14x21.

Lula (que assume sua ideologia socialista) perde a eleição para Collor. PT e CUT começam a mudar ideologicamente e as greves são progressivamente substituídas pela ação parlamentarista ou Jurídica.

Alguns membros do NF (não oficial) participam da chapa de oposição do SINDIPETRO-RJ e ganham o sindicato.

Collor e seus representantes na Petrobrás, demitem petroleiros, entre eles militantes como Eilton, Tavares e Jorjão que não participavam da direção do SINDIPETRO-RJ.

1991 – nova Greve de Ocupação com Parada e Controle de Produção na Bacia de Campos. A empresa demite diretores do SINDIPETRO-RJ egressos do SINDIPETRO-NF (não oficial), Mario e Tereza entre outros.

1992 – Ocupação do EDISE. Entre algumas dezenas de militantes estão Mário, Eilton, Jorjão e Tavares que permaneceram 45 dias confinados na sede (EDISE) da Petrobrás.

Comando Nacional de Petroleiros que já tinha acordado a readmissão e não reintegração sai desgastado do episódio e transforma-se em Federação Única dos Petroleiros.

1993 – Demitidos continuam mobilizados e são reintegrados já no Governo Itamar.

O Jornal da Resistência é o jornal dos demitidos.

1994 – Greve de Ocupação com Parada de Produção na Bacia de Campos. Esta greve soma-se às outras greves sem parada de produção no restante do país. Fruto da greve: Tavares, Otto, Mario, Tereza e quase todos os diretores de sindicatos demitidos são reintegrados pela Anistia do Governo Itamar. Na negociação excluíram os companheiros de Minas Gerais.

1995 – Greve de Ocupação com Parada de Produção na Bacia de Campos e a forte adesão da Refinaria de Cubatão, que foi o grande destaque da Greve.

Vicentinho, interlocutor do PT/CUT negocia o fim da greve com FHC. Vicentinho depois, elege-se deputado Federal. Resultado: centenas de demissões e punições. Tavares e Otto recém anistiados também são demitidos.

1996 em diante – Nenhuma greve é realizada. A FUP somente negocia com empresa/governo menos perdas para os petroleiros.

2001 – Retomada a Greve de Ocupação com Parada de Produção. A impotência dos negociadores foi salva pelas comissões de Plataformas da Bacia de Campos que novamente organizaram a greve.

O MST é criticado por Lula no caso da invasão da fazenda de FHC. Diante da mídia, Lula declara e afirma: PT deu sustentação ao Governo FHC contendo os movimentos sociais e grevistas.

FHC agradeceu. Foi assim que o PT de Lula conseguiu o apoio das elites, vencendo as eleições.

2002 – Lula quer o pacto, que como socialista e grevista, repudiava.

Paulinho, presidente da Força Sindical que ironicamente se declarou contra o pacto: “Sou contra os trabalhadores perderam mais do que perderam.” Invertem-se os papéis das centrais burocráticas?

2003 – O PT vai apertar os cintos dos trabalhadores com o pacto? Será uma possível volta do getulismo, com sindicatos ainda mais atrelados ao governo?