Ainda com as mãos manchadas com o sangue do povo iraquiano, os estrategistas políticos e militares da Casa Branca voltam suas atenções ao Estado operário cubano. Como mais uma etapa da chamada "nova doutrina de segurança", que visa implementar guerras preventivas contra o "Eixo do Mal" (Cuba, Irã, Síria, Coréia do Norte) para garantir sua hegemonia mundial, o imperialismo norte-americano articula a desestabilização econômica e política de Cuba.

Fornecendo milhões de dólares a grupos contra-revolucionários (Igreja católica, Comissão Cubana de Direitos Humanos e Reconciliação Nacional etc.), o Pentágono pretende criar uma alternativa política ao castrismo capaz de se alçar como direção do processo de restauração capitalista em Cuba, para transformá-la em mais um território aberto para seu capital. Através das organizações contra-revolucionárias cinicamente apresentadas como paladinas da defesa da "democracia" e dos "direitos humanos", os EUA infiltram agentes da CIA no território cubano, colocando toda a infra-estrutura necessária para espionar, sabotar e organizar motins contra o Estado operário. Vale-se também de medidas econômicas como o criminoso embargo mantido contra Cuba durante décadas e de novas pressões como o impedimento de famílias cubanas que moram nos EUA de enviarem dólares para seus parentes, a expulsão de 14 diplomatas cubanos dos EUA, a prisão de cinco cubanos na cidade de Miami acusados de espionagem e até o cancelamento de vôos diretos para Cuba. Com tais medidas, Bush pretende dificultar a manutenção do regime, tentando capitalizar politicamente o descontentamento das massas que a cada dia passam mais privações, enquanto a burocracia castrista permanece com seus privilégios parasitários às custas do Estado operário.

Dando conseqüência à sua "doutrina de segurança" o governo americano enviou a Cuba seu agente James Cason, representante do Escritório de Interesses dos EUA, com o objetivo de articular internamente os contra-revolucionários e preparar uma forte oposição a Castro. Mais do que um espião, Cason é um articulador político capaz, que age sob a conivência da burocracia castrista preocupada em manter a coexistência pacífica com a Casa Branca. Cason organizou várias reuniões políticas em sua própria casa em Cuba, com o claro objetivo de preparar uma oposição política de direita.

Suas iniciativas acenam também para a aproximação com setores da própria burocracia castrista que cada vez mais se acercam do imperialismo ianque almejando transformar-se em novos ricos diante de uma futura queda de Cuba. As bases materiais da divisão da burocracia são as próprias relações comerciais de Cuba com os estados capitalistas, principalmente europeus, que fortalecem no interior da camarilha burocrática a tendência a que em pouco tempo um setor desta rompa com o aparato central do castrismo e se lance em luta aberta pela restauração capitalista do Estado operário, como ocorreu com Yeltsin na antiga URSS. Esse perigo torna-se ainda maior diante da avançada idade de Fidel Castro.

Como fruto dessa conspiração nada secreta, o governo cubano prendeu no dia 19 de março 75 "dissidentes" que estavam a serviço de Cason, dos quais muitos receberam penas de quase 30 anos. Esses formavam o núcleo de espionagem e de apoio político a uma futura intervenção norte-americana.

Além de inúmeras sabotagens e motins impulsionados pelos contra-revolucionários, ocorreram frustados seqüestros de um avião e uma lancha em Cuba, com o objetivo de desviá-los para os EUA, levando seus passageiros cubanos como reféns. Os seqüestradores do avião foram condenados a penas de cerca de 30 anos, enquanto os seqüestradores da lancha foram julgados e fuzilados. Esse fato levantou uma polêmica mundial onde vários setores ditos de esquerda se declararam contra os "horríveis atentados aos direitos humanos".

ESQUERDA "HUMANITÁRIA" CONFORMA FRENTE ANTI-CUBA

Somando-se ao clamor imperialista pela democracia e pelos direitos humanos, uma seleta gama de "intelectuais esquerdistas" se colocaram contra a defesa de Cuba, rechaçando em nome de um pretenso "humanismo" o direito a que o Estado Operário tem de se defender contra espiões e sabotadores contra-revolucionários.

Vergonhosamente, o "comunista" Saramago e mais uma corja de "intelectuais progressistas" se transformaram nos porta-vozes do imperialismo ianque, neste momento em que os EUA se preparam para agudizar os ataques ao pequeno Estado operário. Assim como uma imensa gama de "esquerdistas" choraram pelos agentes da CIA, vítimas do ataque as torres do WTC e ao Pentágono e se somaram à frente "antiterror" chefiada por Bush, também surgem os arrependidos que derramam suas lágrimas de crocodilo junto com o imperialismo ianque. Surgidos da ofensiva ideológica imperialista, esses "intelectuais" se somam aos que abandonaram formalmente a bandeira do socialismo, para se tornarem novos adeptos do "capitalismo cidadão e humanitário", como o PT, a FSLN e o CNA.

Esses "progressistas" cumprem importante papel ao auxiliar ideologicamente o imperialismo, que tenta jogar a "opinião pública" mundial contra a burocracia cubana com o objetivo de preparar uma futura invasão militar em defesa dos pretensos direitos humanos que os próprios EUA sempre deixaram por terra. Em recente reunião com dissidentes cubanos, Bush já discutia a possibilidade concreta de um ataque ou uma invasão militar a Cuba, ao mesmo tempo em que senadores norte-americanos propõem a criação de um tribunal militar para julgar Fidel Castro por "crimes contra a humanidade". Os EUA há anos tentam destruir as conquistas operárias em Cuba e transformar novamente a ilha em seu prostíbulo particular, porém encontraram na solidariedade internacional e na resistência do povo cubano seu maior obstáculo. Por isso "progressistas" como Saramago e cia. estão sendo bem aproveitados por Bush.

Além desses neófitos, aliados do imperialismo, as organizações pseudo-trotskistas clamaram contra a pena de morte executada em Cuba. O PTS argentino em seu periódico "La Verdad Obrera" nº120 de 21/05 condena o estado operário por se defender: "Os socialistas revolucionários estão contra a pena de morte...no caso de Cuba condenamos a aplicação da pena de morte já que é um reflexo, como vínhamos dizendo, de uma política aventureira que o mesmo Castro gerou". De forma ainda mais escandalosa, o PO argentino em artigo de Jorge Altamira condena a execução dos provocadores: "Independente da ação de uns e das opiniões de outros, o fuzilamento e as abusivas penas de prisão eqüivalem a vitimizar o povo cubano pelas provocações do imperialismo..." (Prensa Obrera, nº 797, 17/04). Para o PO e o PTS os contra-revolucionários presos fazem parte do povo cubano podendo ter o livre direito de se articularem para derrubar o Estado operário. Para esses senhores, os que foram presos ou recentemente condenados ao fuzilamento, mesmo sendo provocadores a serviço da CIA, foram "vítimas inocentes" da política da burocracia. Esquecem esses comentaristas da luta de classes que está em andamento um cerco ao operário cubano patrocinado pelo alto escalão do governo Bush e que as medidas adotadas, apesar de serem dirigidas pela burocracia castrista que necessita do Estado operário para sobreviver, visam se defender das provocações imperialistas.

Os trotskistas são os mais conseqüentes adversários da burocracia castrista, militam contra qualquer perseguição àqueles que a enfrentam em defesa do Estado operário, das suas conquistas sociais e contra os privilégios da casta parasitária. Por isso somos partidários da revolução política na ilha, do trabalho legal e ilegal para derrubar a burocracia pela via revolucionária. Sabemos distingir aliados e adversários da manutenção do Estado operário. Não condenamos as prisões de "dissidentes" financiados pela CIA e as execuções de sabotadores e, muito menos, colocamos um sinal de igual entre os militantes revolucionários executados pelos stalinistas no passado e os agentes mercenários sustentados pelo imperialismo. Ao contrário, nós trotskistas, defendemos que o Estado operário cubano condene ao fuzilamento os agentes da contra-revolução.

LUTA DE CLASSES OU "DIREITOS HUMANOS"?

Aqueles hoje que colocam os "direitos humanos" acima da luta de classes e condenam o Estado operário por se defender, estão favorecendo o imperialismo que assassina milhares de pessoas a cada dia através da fome, miséria, guerras. Esses que rechaçam as execuções por qualquer regime no abstrato, seja qual for seu caráter de classe, pretendem fazer luta política somente no tabuleiro de xadrez reformista. O recente moralismo pequeno burguês da intelectualidade progressista é fruto da ofensiva ideológica do imperialismo iniciada após a queda da URSS. Enquanto o proletariado está em ascenso e utiliza da violência como forma de quebrar seus grilhões, esses senhores ficam calados, mas quando a conjuntura política se torna reacionária são os primeiros a se levantar pela "liberdade e pelos direitos humanos".

Cegos e idiotas, esquecem as atrocidades que os EUA cometeram em nome da "liberdade" do povo iraquiano ou ao manter de forma subumana os presos políticos na base de Guantánamo, inclusive crianças, sem lembrar as atrocidades cometidas por Bush em seu próprio país, ao condenar à pena de morte mais de cem prisioneiros comuns quando era governador do estado do Texas. Na realidade, a propalada liberdade americana em Cuba será a liberdade dos grandes monopólios de explorar e manter sob seu jugo o povo cubano, aumentando ainda mais a exploração na América Latina.

A prova de que a burocracia castrista não leva uma luta conseqüente contra as provocações ianques demonstra-se no fato de que ao mesmo tempo em que a justiça cubana condenou ao fuzilamento os seqüestradores da lancha, deixa livre e atuante no país o principal agente da CIA, James Cason, que prepara ardilosamente a sabotagem política e econômica, para minar os parcos recursos cubanos e jogar as conquistas do Estado operário por terra, pretendendo forjar uma direção burguesa e pró-imperialista apoiada sobre o descontentamento de alguns setores da própria burocracia. O núcleo central da burocracia castrista também utiliza essas execuções para dar uma resposta a seus próprios setores que vislumbram compartilhar com o imperialismo futuras benesses em troca da destruição do estado operário.

A política de Castro visa manter as relações de coexistência pacífica com o imperialismo, como já demonstrou ao abrir as portas de Cuba para o Papa e Jimmy Carter em 2002, quando estes pediam mais liberdade para grupos contra-revolucionários. Com esperança de que poderia ganhar apoio de uma parcela do imperialismo que possui interesses comerciais em Cuba, Castro permitiu a atuação desses grupos, que agora sob o governo Bush intensificam a atuação contra-revolucionária. A burocracia tem se beneficiado durante anos do Estado operário, enquanto milhares de trabalhadores estão sujeitos às dificuldades impostas pelo imperialismo através do embargo. Porém, com a queda da URSS, a economia cubana vem decrescendo rapidamente nos últimos anos, o que gerou uma série crise de abastecimento. A burocracia ao mesmo tempo em que defende seus privilégios e tenta negociar com o imperialismo, joga o Estado operário num beco sem saída. A restauração capitalista promovida por Fidel alimenta em setores da burocracia o desejo de se tornarem novos burgueses como ocorreu na Rússia.

DEFESA INCONDICIONAL DO ESTADO OPERÁRIO CUBANO. SOMENTE A CLASSE OPERÁRIA MUNDIAL É ALIADA DO PROLETARIADO CUBANO!

Para garantir a manutenção do estado operário os trabalhadores cubanos devem lutar pela imediata expulsão dos agentes da CIA e o combate a todas as organizações anticomunistas camufladas de democráticas. A única liberdade possível só pode ser conquistada através da ditadura do proletariado, condição básica que a burocracia castrista usurpou dos trabalhadores. A liberdade de construção de partidos soviéticos que lutam pela manutenção das conquistas sociais do Estado operário deve ser a bandeira democrática a ser levantada como forma de superar sua burocratização. O único caminho para deter o avanço do imperialismo é a mobilização da classe trabalhadora em Cuba e em nível internacional, pois como já demonstrou a burocracia russa, Fidel e Cia. são incapazes de travar uma luta decidida contra o imperialismo.

Frente as provocações do imperialismo sobre qualquer Estado Operário, a posição dos revolucionários deve ser a sua defesa incondicional, preparando a construção da revolução política para a derrubada da burocracia. A destruição do Estado operário cubano, caso ocorra, representará uma enorme derrota para o proletariado da América Latina, abrindo um período sem precedentes de avanço imperialista. A defesa incondicional de Cuba contra o imperialismo ianque é tarefa primordial para todos aqueles que se colocam pela construção de uma América Latina socialista.