Cerca de 800 trabalhadores rurais sem terra, 170 deles crianças, oriundos dos cinco acampamentos existentes no RS, marcham em direção ao município de São Gabriel, em protesto contra a decisão do Supremo Tribunal Federal de suspender a desapropriação de 13 mil hectares naquele município.
A Marcha que teve inicio no dia 10 de junho chegou hoje, 1º de julho, 15h, em Santa Maria/RS. Os sem terra percorreram hoje aproximadamente 25Km desde o município de Restinga Seca, onde haviam montado o antigo acampamento.
O MST decidiu realizar um desvio em direção à Santa Maria, aceitando o convite do Prefeito do município Valdeci/PT. Este desvio deve aumentar em cerca de 150Km a distância a ser percorrida. "Não poderiamos deixar de visitar Santa Maria, aqui existem diversos favelas formadas por pessoas oriundas do campo. Temos que denunciar o latifundio. Santa Maria não poderia ficar fora dos debates" diz Edson, um os membros da Marcha.
Um acampamento improvizado foi montado junto à avenida que da acesso a Universidade Federal, no bairro Camobi.
"Somos muito bem recebidos por onde passamos, as pessoas mais simples são as que mais nos dão maior apoio" diz Edson, mais conhecido como Pincel.
São bem vindas as doações de alimentos e agasalhos. As doações podem ser entregues no próprio acampamento. Durante os dez primeiros dias os trabalhadores enfrentaram um clima bastante hostil, com muita chuva e frio.
O grupo deve permanecer por um ou dois dias em Santa Maria. O caminho a ser percorrido ainda não está definido, mas o destino da Marcha continua sendo São Gabriel.
Quanto a um possível conflito entre a Marcha do MST e a "Contra-Marcha" organizada por "Ruralistas" da região de São Gabriel Pincel diz: "queremos evitar a todo o custo um possível conflito, pois sabemos quem é que se da mal em confrontos entre trabalhadores e burgueses, sabemos quem são as pessoas que morrem e quem são aqueles que saem impunes perante a justiça".
Estão sendo programados diversos debates junto as comunidades e visitas a escolas e Universidades.
O Núcleo de Apoio a Reforma Agraria, formado por estudantes da UFSM, promove amanhã, 2 de julho os seguintes eventos:
11h - Ato público em recepção a Marcha do MST. Em frente ao Restaurante Universitário.
15h - Debate sobre a Marcha e a Reforma Agrária. No auditório Gulerpe, no Campus da UFSM.
