SÃO PAULO - Como nunca, casas e ruas vizinhas do Rio Tietê na cidade histórica de Pirapora do Bom Jesus, na Região Metropolitana de São Paulo, foram tomadas ontem por espuma branca que há anos incomoda seus moradores e os de Santana de Parnaíba. O fenômeno, de acordo com a Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental (Cetesb) e a Empresa Metropolitana de Águas e Energia (Emae), ocorre com alguma freqüência, quando a água poluída passa por duas barragens naquelas cidades. Mas ontem a invasão da espuma foi muito intensa. O governo do estado promete resolver o problema em três anos.

Segundo o diretor-técnico da Emae, Antonio Bolognesi, o esgoto doméstico lançado sem tratamento nos rios Tietê e Pinheiros tem, em sua composição, detergentes. Ao passar pelas barragens de Pirapora do Bom Jesus e Edgar de Souza, em Santana de Parnaíba, onde há desníveis de 25 metros e 16 metros respectivamente, a água é movimentada. A espuma é resultado dessa movimentação. As duas cidades foram ponto de partida dos bandeirantes rumo ao Interior, no período colonial.

A situação piora no inverno por causa da estiagem característica do período. As chuvas, além de ajudar a diluir os poluentes, funcionam como um spray. As gotas de água estouram as bolhas da espuma, diminuindo seu volume, segundo Bolognesi.

Para diminuir o problema, a Emae mantém um sistema de abatimento da espuma na barragem de Pirapora do Bom Jesus. Logo após o desnível de 25 metros, água é borrifada sobre a espuma para reduzi-la (assim como ocorre quando chove). Bolognesi afirmou que, em três anos, o problema será solucionado com a construção de duas pequenas centrais hidrelétricas nas barragens. Ele disse que a água captada para a geração de energia nas turbinas será despejada no nível baixo do rio, em tubulações submersas.

- A descarga afogada praticamente elimina a formação da espuma - explicou.

Na barragem de Pirapora do Bom Jesus será instalada central hidrelétrica com potência de 10 megawatts (suficiente para fornecer eletricidade para quase 50 mil residências). Em Edgar de Souza a central terá potência de 20 megawatts. Bolognesi disse que os projetos de engenharia estão sendo concluídos e que o pedido de licença ambiental está sendo analisado. As obras estão orçadas em R$ 50 milhões.

Pirapora do Bom Jesus e Santana de Parnaíba são o limite oeste do trecho morto do Rio Tietê, que se estende até Guarulhos. De acordo com a programação do Governo do estado, mesmo com a conclusão do Projeto Tietê em 2005, ainda serão necessários mais 20 anos para recuperar totalmente o rio. Desde o início desse projeto de ampliação da rede de saneamento básico da Região Metropolitana de São Paulo (em 1992), a mancha de poluição diminuiu 120 quilômetros.

Até 1992, o trecho morto do Rio Tietê ia da divisa entre Itu e Cabreúva e estendia-se até Guarulhos. Seus principais afluentes da Região Metropolitana, os rios Pinheiros e Tamanduateí, também estavam totalmente degradados. O resultado da primeira fase do projeto (1992-1998), em que foram construídas três das cinco estações de tratamento de esgoto, foi o fim do despejo de 200 toneladas de detritos domésticos sem tratamento por dia nos rios da bacia do Alto Tietê. Para a segunda fase, a Sabesp (coordenadora do projeto) espera reduzir o trecho morto em mais 40 quilômetros.