Gerson Soares wrote:
A Filogenia e a Ontogenia do Reino

O Nascimento da Vida




No início do ano de 2001, se não foi dia 1 de janeiro com certeza foi no dia 2, Deus decidiu construir o Reino ontogenicamente. Iria recapitular as suas fases filogenicas em um único indivíduo, Gerson Soares, para que, a partir dele, então a semente do Reino se reproduzisse e se propagasse, até que os filhos do Reino se tornassem majoritários e assumissem o domínio da terra, com a dor e a lágrima sendo enxugados de todos os rostos. Seria neste preciso momento que uma profecia cara ao profeta Daniel então se cumpriria, com os santos do Supremo assumindo então o reinado(*).




Falemos antes sobre a filogenia do Reino.




Quais foram as suas fases ? Lutero, Marx, João XXIII e Jesus. Neles não, mas em Jesus tanto a filogenia como a ontogenia se coincidiriam.




A verdade é que com Lutero, Jesus, por um processo de meiose, tirou de si a justificação pela fé e a igualdade espiritual e plasmou-os na sociedade. Então a sociedade começou a se impregnar do amor e do respeito pelo corpo, transformado então em templo do Espírito Santo. O corpo, feito por Deus para ser fonte de amor e de vida, ninguém mais teria o direito de o profanar.




Dando prosseguimento ao processo da meiose, então Jesus tirou de si a justificação pelas obras e a igualdade material e os plasmou no judeu convertido ao protestantismo Carl Marx. Então o trabalho foi transformado em algo sagrado. A sociedade começou a ser impregnada do amor e do respeito pelo corpo que trabalha e produz todas as riquezas. A partir de então ninguém mais teria o direito de explorar e se apropriar do trabalho de outros corpos em benefício seu, mesmo porque o trabalho foi feito por Deus para que cada um comesse do próprio suor e não do suor de outrem (Gênesis 3.19).




Se com Lutero Deus manifestou a tese do Reino, a igualdade espiritual, e com Marx a antítese do Reino, a igualdade material, a verdade é que com João XXIII Deus manifestou aquilo que podemos chamar Síntese do Reino.




Ora, como que devido a síntese ser uma recapitulação dos dois momentos anteriores, irá suprimir o que possuiam de negativo, descartáveis, e conservar o que possuiam de positivo, a verdade é que quando a síntese se manifesta ela primeiro se manifesta como síntese-tese, não imparcial mas tomando um dos lados da contradição que se propôs superar. Depois, dando um giro de 180 graus sobre si mesma, então a síntese-tese se converte em síntese-antítese, se manifestando como negação daquela. É somente então, no terceiro momento do processo (**), que a síntese se manifesta então como Síntese, síntese das sinteses, ou A Grande Síntese, ou então Síntese Absoluta. Sendo assim, Gerson Soares computa João XXIII, não como a síntese absoluta (pois o processo não encontrou nele o desfecho e a culminância), mas como síntese relativa. Ou seja, como a Síntese-Tese. Em uma palavra, em João XXIII operou-se um resgate do material, foi Marx que foi trazido para dentro da Igreja muito embora, ali, num cantinho, pouco observado, se achava Lutero como a sua negação (mais tarde ele iria se despertar como Renovação Carismática. Sendo assim, não somente a Teologia da Libertação mas também os carismáticos tem a sua gênese no Concílio Vaticano II).




Para resumir, Gerson Soares computa João XXIII-Teologia da Libertação como a síntese-tese do Reino, ao passo que João Paulo II-Renovação Carismática como a síntese-antítese do Reino. Quanto a Paulo VI, por ter interrompido a esquerditização da Igreja – mas de modo algum a retornado para o conservadorismo pré-conciliar –, ele deva ser chamado como Ponto de Encontro do Reino ou Fiel da Balança do Reino. Na verdade o Concílio Vaticano II representando o momento em que Deus passou a convergir Lutero e Marx para aquilo que podemos acertadamente chamar de “Trompa de Falópio do Reino”. Como gametas, o feminino-espiritual e o masculino-material respectivamente, deixaram as respectivas casas de seus pais para se unirem em um só corpo, se reconhecendo osso do mesmo osso e carne da mesma carne.







A Grande Síntese







Diz Apocalipse 19.11: “E vi o céu aberto, e eis um cavalo branco. O seu cavaleiro se chama Fiel e Verdadeiro e julga e peleja em justiça.”




Na verdade quando o céu se abre e a cortina do Reino é descelada, esse processo rico e maravilhoso da síntese do Reino não o vemos acontecendo só na igreja católica. Não. Ele, por ser Aquele de cuja mão saem os dois raios de vida, os raios de liberdade e igualdade que o profeta Habacuque viu saindo da mão de Jesus, sim, Ele, por ser Aquele de cuja boca se estende uma aguda espada afiada de dois gumes, que João viu se estendendo da boca de Jesus e cortando contra a opressão espiritual de Sodoma (leia-se hedonismo) e a opressão material do Egito (leia-se capitalismo), a verdade é que o rico e maravilhoso processo de síntese do Reino o vemos irrompendo por todos os mundos. Esse processo de bifurcação que vimos ocorrendo na igreja católica, trazido pelo Concílio Vaticano II, em que no seu ventre se originou tanto a Teologia da Libertação como a Renovação Carismática, católicos preocupados com o material e com o espiritual respectivamente (na verdade uma trifurcação, pois não devemos nos esquecer dos ecumênicos), o vimos também ocorrendo nos meios protestantes e marxistas. De fato, uma bifurcação assim também vimos ocorrer no protestantismo, surgindo nele uma linha propensa ao ecumenismo e uma linha propensa ao socialismo. Um exemplo típico desta bifurcação encontramos na Câmara Municipal de Presidente Prudente. Nela há dois vereadores evangélicos que fizeram essa abertura, Munuera Junior, da igreja presbiteriana, tendo feito uma abertura na direção do ecumenismo, e Gesiel Padilha, da igreja Assembléia de Deus, tendo feito uma abertura na direção do socialismo e na direção de uma sociedade que seja como a comunidade dos primeiros cristãos, solidária (como nela existe um terceiro vereador evangélico, Pastor Nunes, pertencente à Igreja Universal do Reino de Deus e ao ramo neopentecostal, se alguém quizer também pode acrescer esta terceira linha, mesmo porque padre Marcelo Rossi disse ser devedor dos neopentecostais) (É preciso também acrescentar um outro vereador, o vereador Rocha, do PT, católico praticante e que fez uma abertura na direção do socilismo democrático). Ora, para completar o quadro, temos também de falar da bifurcação havida no marxismo, com a Escola de Francfurt, tendo feito uma abertura na direção da religião e do cristianismo, e com o socialismo democrático, abertura política e econômica que marxistas fizeram na direção da democracia e do capitalismo (se dele ou do catolicismo e protestantismo se manifestaram outras linhas, como os focolares, as pessoas são livres para acrescê-los).




A Ontogenia do Reino




Bem, deixemos de lado a riqueza de síntese do Reino e falemos sobre a sua questão ontogênica.




Como se deu ?




A verdade é que no início do ano de 2001 Deus decidiu tomar as fases filogênicas do Reino e as converter em ontogenia. Começou pois a tomar todas as suas partes, que se manifestaram apartadas, em tempos e espaços diferentes, e a sintetizá-las e a comprimi-las num único indivíduo. Seria, na verdade, a primeira semente do Reino, mas com o objetivo de que a fosse reproduzindo, até que ela cobrisse a terra como as águas cobrem o próprio mar. Tal semente, por ser composta das partes filogênicas do Reino, a sua soma, não é outra coisa senão a chegada daquilo que o apóstolo Paulo chamou de O Que É Completo, segundo o qual se manifestaria no final dos tempos para tomar o lugar do que é em parte (ICoríntios 13.9-10).




Presidente Prudente – Evangélicos




E como foi que Deus começou a construir a ontogenia do Reino ? Ora, no início daquele ano de 2001 Gerson Soares recebeu revelações de Deus pelas quais uma grande festa escatológica de nascimento do Reino ocorria na cidade paulista de Presidente Prudente. Mais precisamente que no dia em que todo o Brasil comemorava o feriado de Corpus Christ, 14 de junho naquele ano.




E, conforme o espírito o revelava, Gerson Soares via caravanas e mais caravanas de evangélicos, de todas as partes do Brasil, vindo para a cidade de Presidente Prudente. Havia movimentação parusiática nas hostes evangélicas de todo o Brasi. De modo que dezenas e dezenas de ônibus saiam de Porto Alegre, e de Camboriú, e de Florianópolis, e de Curitiba, e de Maringá, e de Ribeirão Preto, e de Campinas, e de Feira de Santana, sim, de todas as cidades do Brasil saiam caravanas de evangélicos com destino à cidade de Presidente Prudente. Em todas havia o alvoroço do Reino. Não havia uma só cidade do Brasil em que não houvesse um evangélico que não dissesse: “Eu também quero ir!”

sim, todas as cidades brasileiras se puseram em alvoroço para também descer e subir à Presidente Prudente, mas nenhuma, absolutamente nenhuma, se alvoroçou tanto como Belém do Pará. De modo que não havia ali um único evangélico que não disse: “Quem me impedirá de ir e ver aquilo que foi gerado no meu ventre ?”




Deveras, conforme o espírito o revelava, então Gerson Soares via chegando em Presidente Prudente, de todas as partes do Brasil, caravanas e mais caravanas de evangélicos. E desciam dos seus ônibus e indagavam: "Onde fica o Jardim Guanabara ?" E rumavam todos para o extremo da cidade, no Jardim Guanabara. E ali se comprimiam. E, após um discurso explicativo sobre o acontecimento, então a multidão de evangélicos, na alegria do espírito, cantando os mais belos cânticos, a que não faltavam Vencendo Vem Jesus, Quão Grande és Tu, Santo, Santo, Santo, tomavam então o rumo do Parque do Povo. E, após atravessar toda a cidade, chegavam então no Parque do Povo. E se preparavam então para a grande celebração religiosa do Reino.

Teólogo Joel

O que sucede é que Gerson Soares tendo recebido as revelações de Deus, então as assentou por escrito num livro que lhe deu o título O Livrinho, aparecendo na sua capa o globo terrestre envolto por dois laços e neles os nomes: Evangelho e Educação, simbolizando que a nova terra e o novo homem, em que cada um teria segundo as suas necessidades e cada um buscaria antes a vantagem do próximo e não a sua (**), seriam construídos a partir do seu cruzamento. E saiu pela cidade, a fim de encontrar apoio entre os evangélicos e realizar a grande festa de nascimento do Reino.

Seguindo inspiração do Alto, principiou então pelo teólogo Joel, da igreja evangélica Assembléia de Deus. Indo em sua casa e se achando na sua presença, eis que Joel surpreendeu Gerson Soares por lhe dizer que estava fazendo um estudo da realidade social e religiosa do país a partir de leituras de Leonardo Boff. E, todo confiante, dizia concordar plenamente com Leonardo Boff segundo o qual há mais coisas que unem católicos e evangélicos que coisas que os separam. E, indo mais lonqe que o próprio Leonardo Boff, Joel dizia acreditar piamente que as paredes de separação entre católicos e evangélicos iriam cair tanto, tanto, que a última que ia restar é que uns estariam de batina e outros de paletó. De batina e de paletó, mas vivendo e pregando as mesmas coisas. E, orgulhoso, dizia do dia em que foi convidado pelo padre Tuti e pregado para mais de trezentos carismáticos. E concluiu a sua fala com uma revelação que deixou Gerson Soares perplexo: "Eu me sinto envergonhado em saber que no tempo da ditadura todos os pastores passaram um ziper na boca, e que somente os católicos não se calaram e não fugiram da sua obrigação cristã de lutar contra a injustiça e de estar ao lado dos que eram perseguidos."

Londrina - Marxistas

Saindo da presença do teólogo Joel, e já conscientizado de que não iria conseguir levantar os evangélicos para o grande ato escatológico de nascimento do Reino, ora, quando se achava assim, esnucado, eis que sentiu como que uma mão passando na sua mente e no seu espírito e apagando todas aquelas imagens. E mudanças começaram a aparecer. De modo que no lugar de Presidente Prudente como sendo o palco de nascimento do Reino começou então a aparecer a cidade de Norte Novo de Londrina, situada no norte do estado do Paraná, e no lugar do corpo real de Cristo se manifestar somente a partir do povo evangélico ele então ia se manifestar a partir de dois corpos, o corpo evangélico e o corpo marxista.

E uma grande mudança ocorreu então. E Gerson Soares rapidamente apagou da sua mente e do seu espírito a cidade de Presidente Prudente como lugar escatológico de nascimento do Reino, apagando juntamente o povo evangélico como sendo o representante único de Cristo Jesus.

E imagens torrenciais passaram a vir do trono de Deus e a inundar a mente e o espírito de Gerson Soares. De modo que ele via no espírito uma grande festa escatológica acontecendo na cidade de Londrina naquele 14 de junho do ano de 2001. Caravanas e mais caravanas de evangélicos e de marxistas partiam de todas as cidades do Brasil em direção de Londrina. Deveras, ele via a igualdade espiritual e a igualdade material se encontrando e se beijando em Londrina. Via mesmo, naquele dia de Corpus Christo, elas, em carro aberto, um carro aberto que era como aquele jumentinho que Jesus se sentou sobre ele e entrou triunfalmente em Jerusalém, prefigurando a Sua volta, sim, via mesmo, em carro aberto, a igualdade espiritual, o amor e o respeito pelo corpo que ama e gera a vida, e a igualdade material, o amor e o respeito pelo corpo que trabalha e gera todas as riquezas, sim, os via, de mãos dadas, como a um só corpo, desfilando pelas ruas centrais de Londrina. E via mesmo, à medida em que desfilavam pelas ruas centrais de Londrina, de mãos dadas, a grande cidade que em sentido espiritual se chama Sodoma e Egito, onde o Nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo foi crucificado, se desintegrando e entrando em estado de decomposição, e, então, de sua putrefação, se levantando a Nova Jerusalém, cidade santa, santíssima, trazendo nas suas asas de liberdade e igualdade a fraternidade e a cura para as nações. Deveras, e via mesmo, à medida em que percorriam as ruas de Lodrina, no grande cortejo de nascimento da vida, que eles eram mesmo como aqueles que foram martirizados nas arenas romans e martirizados nos porões das ditaduras, de modo que, como as duas Testemunhas do Cristo, estavam se levantando numa nuvem de glória. E porque a cidade de Norte Novo de Londrina fora preparada por Deus para servir de refúgio e o lugar em que os filhos de Marx teriam o encontro com a cruz, a verdade é que na frente de todo o cortejo do Reino, na frente de toda a efusão lírica dos filhos do Reino, iam jovens evangélicos levando a cruz de Cristo, sim, iam mesmo, mas, atrás, jovens marxistas levavam uma imensa bandeira de Che Guevara, na exata posição e imagem que foi desenhado pelo Drõ naquele mês de junho em que os seus restos mortais foram desenterrados e levados para o seu lugar de descanso em Santa Clara, isto é, com os braços abertos, em vestes tunicais que chegavam até os pés, cingido pelo peito com um cinto de ouro, sim, na posição do Ressuscitado e destilando toda a ternura, guardada para o dia da ressurreição. E a multidão de evangélicos e marxistas desfilavam pelas ruas centrais de Londrina, tocando forte os seus tambores e agitando as suas bandeiras, cantando e dizendo a uma só voz: "Do trigo somos a sua brancura; E da videira o seu vermelhão; O branco da paz, o vermelho da vida; Somos a rosa - a rosa de Sarom!"

Bem, o que sucede é que Gerson Soares tendo recebido as revelações de Deus sobre Londrina e as assentado em um escrito, então tomou o ônibus da Viação Garcia e rumou para Londrina, a fim de encontrar apoio e realizar a grande festa escatológica de nascimento do Reino que dele Deus requerera. Após uma passagem por seminários teológicos, tomou então o rumo da prefeitura municipal a fim de ter uma conversa com o seu prefeito, um socialista do PT. Não o encontrou, mas a sua secretária relatou que todas as terça_feiras um culto ecumênico era realizado no gabinete do prefeito, em que socialistas, evangélicos e católicos compartilhavam da mesma fé e da mesma esperança.

Ora, se naquele dia em que foi na casa do teólogo Joel portando um corpo de Cristo feito à imagem e semelhança do povo evangélico mas, por encontrá-lo de um corpo de Cristo inteiramente diferente, feito à imagem e semelhança de evangélicos e católicos, sim, se naquele dia as palavras saídas da boca do teólogo Joel frustraram e mudaram todas as suas expectativas, a verdade é que tudo, absolutamente tudo, voltou a se repetir em Londrina. Tendo entrado no gabinete do prefeito portando um corpo de Cristo feito à imagem e semelhança de evangélicos e de marxistas, mas o encontrado de posse de um corpo de Cristo muito diferente, feito à imagem e semelhança de socialistas e evangélicos mas também de católicos, a Gerson Soares não restou outra coisa senão descer as escadas e informar do atendente o melhor caminho para ir à rodoviária. Deveras, naquela mesma sexta-feira, dando o assunto por encerrado, retornou então para a sua cidade, Presidente Prudente.

Brasília - Católicos

Tendo passado aquele ano de 2001 e não tendo acontecido a festa escatológica de aparecimento do corpo real de Cristo, nem em Presidente Prudente e nem em Londrina, a verdade é que chegando o novo ano, nos seus primeiros raios, eis que então aquela mesma mão que lhe deu, no início de 2001, o povo evangélico como sendo o corpo real de Cristo e a cidade de Presidente Prudente como local de manifestação de tal corpo, mas depois removeu-os, novamente foi fazer o mesmo com Londrina e evangélicos e marxistas. Removeu-os também da mente e do espírito de Gerson Soares, e imagens inteiramente novas, de nascimento do Reino, o Todo-poderoso começou a assentar na sua mente e no seu espírito. Deveras, se naquele início de 2001 Londrina tomou o lugar de Presidente Prudente como palco escatológico do nascimento do Reino, agora, neste início de 2002, foi a vez de Brasília tomar o lugar de Londrina. E o corpo de Cristo que apareceu agora, no lugar dos anteriores evangélicos e evangélicos e marxistas, sim, o corpo de Cristo que agora aparece é muito mais rico, feito à imagem e semelhança de católicos, e de evangélicos e de socialistas. Deveras, o Reino de Deus iria então nascer na terra a partir de católicos, e de evangélicos e de socialistas, e a partir da cidade de Brasília.

Tendo assentado as novas imagens em um escrito um tanto volumoso, e, conforme o espírito o revelava, ele então ia assentando as revelações, sim, de modo que assentou uma grande festa escatológica de nascimento do Reino acontecendo na cidade de Brasília no dia 25 de agosto do ano de 2002. Neste dia, assim que os primeiros raios de luz fossem manifestados, então a multidão de evangélicos, e a multidão de católicos, e de muçulmanos, e de judeus, e de budistas, e de espíritas, e de esotéricos, e de afros, sim, toda a multidão dos diferentes que se acham debaixo dos céus, e em Brasília, neste dia sairiam dos seus respectivos lugares de congregamento e, nas suas roupas típicas, e levando em suas mãos rosas, na sua mão esquerda e na sua mão direita, rumariam então na direção da Catedral. E ali, após se encontrarem e se confraternizarem, na confraternização do Reino, sim, na confraternização Daquele que se deixou morrer na cruz para que os muros de separação fossem abolidos e todos se reconciliassem plenamente, tendo a Sua paz, então todos lançariam a rosa que traziam à sua mão esquerda sobre a cúpula da Catedral, a cobrindo com a chuva das rosas perfumadas do sonho profético de Dom Bosco, que ele viu, em grandes quantidades, caindo do céu à terra, no final dos tempos, e cobrindo as terras e as casas.

Ora, conforme o espírito revelava as novas imagens ele as ia assentando. De modo que assentou que no momento em que a grande multidão se confraternizava no amor e na paz do Cristo Jesus e cobriam a cúpula da Catedral de rosas, eis que assentou a grande multidão vendo aparecer na sua porta de entrada, vindo do seu interior, uma jovem índia. Vestida de uma rosa branca, sem qualquer mancha, com suas pétalas a cobrindo dos pés à altura do pescoço, somente o cabelo preto e longo sobressaindo, mansamente ela veio subindo as suas escadas. Nisso a multidão se afastou. E ela ficou parada entre os quatro apóstolos que há na sua entrada. Nisso, um dos da multidão apontou para ela e clamou: "É Anahi!" Ora, no momento em que clamou: "É Anahi!", então, no interior da Catedral, vozes celestiais começaram a entoar a música Anahi, muito ouvida no interior do Brasil na voz de Cascatinha e Inhana. E, à medida em que o coro celestial a ia cantando, eis que uma multidão de índios começou também a subir as escadarias, pois, deveras, no momento em que as rosas foram lançadas sobre a cúpula da Catedral cada uma delas se transformou em um índio. Se aquele que lançou era um senhor de muita idade, então ela se transformou em um índio de muita idade; se foi uma jovem, então se transformou em uma jovem índia; se foi uma menino, então num menino índio. E subiam as escadas cantando Anahi e cobertos cada um com uma rosa. E logo a multidão também começou a cantar Anahi. De modo que todos, os que vinham do interior da Catedral e os que estavam fora cantavam, em coro celestial, Anahi. Então a jovem índia, no seu centro, começou a se dirigir aos da multidão e a entrar no meio deles. E selava cada um deles com o sêlo de Deus, fazendo nas suas testas o sinal da cruz. E sucedia, quando fazia o sinal da cruz nas suas testas, que os que a assistiam iam com as duas mãos e faziam o passe, pressionando e correndo as suas duas mãos de cima a baixo, com aquele passando a se sentir leve. Mas sucedia que quando suas mãos chegavam em baixo e chacoalhavam os dedos na direção do chão, que aos pés daquele se formava um montinho, de uma coisa que era ao mesmo tempo gosmenta e pegajosa. E diziam: "O que é isto ?" (pois não sabiam o que era). E os que assistiam a jovem índia respondiam: "É a raíz de todos os males que vos fez nos levar à fogueira." E a coisa era gosmenta, pegajosa, de modo que grudava nos pés e as pessoas esfregavam os seus sapatos na grama para dela se livrar. Mas não queria sair. Finalmente, quando acabou de selar nas testas os escravos de Deus, então a jovem índia e a multidão dos índios que brotaram do interior da Catedral começaram a se ausentar na direção da floresta densa. E se ausentavam cantando, em coro celestial, a música Anahi, se ausentando e deixando sobre a cidade o perfume de suas rosas, se ausentando e deixando para trás a multidão, que, em volta da Catedral, esfregavam os seus sapatos na grama querendo se livrar da coisa pegajosa.

Posis bem, conforme o espírito ia dando então Gerson Soares os ia assentando. De modo que assentou mesmo que, à tardinha, quando conseguiram se livrar da coisa pegajosa (foi somente à tardinha, depois de muita luta, que conseguiram se livrar da coisa pegajosa), sim, então à tardinha a multidão dos selados com o selo de Deus rumou então na direção do Palácio do Planalto. E o rodearam, e o cercaram, como se cercaram Jericó, e, então, após o que parecia ser o seu condutor ter chamado a multidão para dar um grande grito, sim, então, quando todos deram o grande grito, que foi o grito do nome de Jesus, então todos lançaram a rosa que traziam à sua mão direita sobre o Palácio do Planalto, o cobrindo de pétalas e com o perfume de suas rosas. E o seu cheiro e as suas pétalas eram então levantadas e espalhados pelo vento, se espalhando para os quatro cantos da terra e cobrindo as terras e as casas com o seu perfume.

Bem, o que sucede é que Gerson Soares tendo assentado todas estas novas imagens do Reino em um escrito um tanto volumoso, no final do mês de abril daquele ano de 2002 foi então para Brasília a fim de encontrar apoio para materializar as suas imagens. Como fora só com o dinheiro da passagem, assim que desembarcou em Brasília, na sua estação rodoviária, pôs-se a ir nos albergues a fim de encontrar um lugar para ficar enquanto fazia os contatos. Mas todos se achavam ocupados. Por fim encontrou um senhor idoso, que há trinta anos trabalhara e morara na região de Presidente Prudente, que lhe arrumou um barraco para ficar. Ali, próximo do Palácio do Planalto (mas ao lado do prédio do PDT). Um barraco que logo após o caso Galdino vândalos o incendiara, julgando estar, naquela noite, ocupado por andarilhos.

E foram dez dias que Gerson Soares passou em Brasília, lançando a semente do Reino e se esforçando ao máximo para que no dia 25 de agosto acontecesse então a grande festa escatológica de nascimento do Reino, sim, e foram dez dias em que passou em Brasília tentando convencer as pessoas do grande ato, de desencadear as forças do Reino no sentido de se ter as transformações, pois, como dizia nos escritos, que futuro pode ter uma nação nas mãos de cadetes e de mencheviques ? .

O Real Corpo de Cristo - Santo Anastácio

Tendo retornado de Brasília por volta do dia 10 de maio, se achando em sua casa e sintonizando a esmo seu rádio, eis que ouviu na Rádio Cultura de Santo Anastácio, quarenta kilômetros de Presidente Prudente, a notícia de que nesta cidade ia haver uma missa ecumênica, na celebração da semana ecumênica. E o locutor dizia que muitos pastoresa evangélicos tinham sido convidados e que muitos já tinham confirmado suas presenças. E a notícia lhe trouxe um alegria de espírito muito grande. O mesmo transbordamento de espírito que o levara à casa do teólogo Joel, e que depois o levara ao gabinete do prefeito de Londrina, por fim o tendo levado à Brasília, o mesmo transbordamento de espírito voltou a se manifestar nele.

Assim, pois, eis que naquela quarta-feira Gerson Soares se achava ocupando um dos bancos da igreja matriz de Santo Anastácio. E sucedeu então, quando os ponteiros dos relógios apontavam 20:00 horas, que todos na igreja começaram a olhar para a sua porta de entrada. E Gerson Soares também olhou e eis que viu três jovens entrando na igreja. E levavam cartazes que somados formavam a palavra paz. E continuou olhando e eis que viu entrando, logo atrás dos jovens com os cartazes formando a palavra paz, três sacerdotes. E o que estava no altar com o microfone declinou os seus nomes. E eis que eram, do lado de cá, o pastor Ari, da igreja Luterana, e, do lado de lá, o pastor Benedito, da igreja evangélica Assembléia de Deus. E os dois entraram ladeando monsenhor José Antônio.

Gerson Soares não pode assistir a missa, pois ao chegar na rodoviária ficou sabendo que a última circular saia do município às 20:30 horas. Mas nos dois dias seguintes o ministro Sidney trouxe ao seu programa, na rádio Cultura, os dois pastores. E, tendo dado a eles a total liberdade da palavra, pastores Ari e Benedito a usaram por meia hora cada, num dia pastor Ari e no dia seguinte pastor Benedito. E o testemunho que deram foram recompensador, com os dois dizendo que a missa fora uma benção e que uma experiência assim não deveria jamais sofrer corte de continuidade, mas que deveria estar sempre acontecendo para que o mundo soubesse que os cristãos podem e devem estar caminhando juntos, até mesmo como forma de mostrar à sociedade a sua utilidade, para que veio.

Façamos a pergunta: o fato do próprio Deus ter despertado Gerson Soares para a questão escatológica de Presidente Prudente, Londrina e Brasília, sim, o fato de ter ido à missa ecumênica foi uma ida casual ? Foi uma coincidência ele ter sintonizado o seu rádio numa rádio que ele nunca lembra tê-la sintonizado e naquele momento ela estar anunciando a missa ecumênica a ocorrer em Santo Anastácio ? Ele foi por conta própria ou teria sido o próprio Deus que o levou ali, como a sua testemunha ? De modo que o levara ali para consumar todo o ato escatológico que iniciara naqueles primeiros dias do ano de 2001 ? Ora, bastava que naquele preciso momento em que sintonizava o seu rádio a esmo não tivesse se detido por uns segundos na rádio Cultura e jamais teria presenciado aquelas imagens, dos três jovens entrando na igreja portando cartazes que formavam a palavra paz e dos três sacerdotes representativos de todo o cristianismo...

Façamos uma outra pergunta: o locutor anunciou que muitos pastores evangélicos tinham sido convidados e que muitos já tinham convidados suas presenças. Ora, numa cidade em que há dezenas e dezenas de pastores evangélicos (a população de Santo Anastácio deve estar em torno dos trinta mil habitantes), como explicar que somente três pastores compareceram ? E os três que entraram atrás dos jovens levando os cartazes formando a palavra paz, eram justamente representativos de todo o cristianismo ? E entraram os três sacerdotes representativos de todo o cristianismo, pastor Ari, representativo dos evangélicos tradicionais, pastor Benedito, representativo dos evangélicos pentecostais, e monsenhor José Antônio, representativo dos católicos, não porque tivesse havido previamente uma combinação para que fosse produzido uma imagem simbólica, mas somente porque aqueles dois pastores evangélicos compareceram.

Levemos a pergunta às últimas consequências: o fato de na frente de todos ter entrado os três jovens levando cartazes que formavam a palavra paz e sendo seguidos pelos três sacerdotes representativos de todo o cristianismo tais imagens teria sido na verdade um sinal de Deus, que quiz mostrar para o mundo o verdadeiro corpo de seu filho Jesus, presente, não nas imagens de retorno dos dois pastores à igreja católica, como se fossem o filho pródigo da parábola, mas presente na união dos três em um só corpo, uma união que deveria se manifestar e ter os seus desdobramentos e atuação consecutiva em todos os setores da sociedade ? Sim, uma união que mostraria ao mundo a força e o poder de transformação que o cristianismo possui ?


A Questão do Marxismo

Ora, foi falado que no início do ano de 2001 Deus decidiu revelar o real corpo de Seu filho Jesus, tendo principiado a sua revelação por evangélicos e Presidente Prudente, depois, num segundo momento, tendo dado um salto para evangélicos-marxistas e Londrina, depois, num terceiro estágio, um salto mais alto ainda para católicos-evangélicos-socialistas e Brasília: ora, pentecostais-católicos-protestantes e Santo Anastácio teriam sido a culminancia de toda a sua dialeticidade e metamorfose ? O corpo real de Cristo, 100 por cento Jesus, sem qualquer mudança ou adição, teria então se manifestado em Santo Anastácio e atingido ali a sua perfectibilidade ? A cruz, depois de ter se alienada em múltiplas formas, teria, depois de tantos e tantos anos longínquos, feito o seu reaparecimento em Santo Anastácio ? Readiquirido ali a sua dimensão própria ? Mais ainda, se foi falado no início que somente em Jesus filogenia e ontogenia se encontrariam e se coincidiriam, podemos então dizer que em Santo Anastácio filogenia e ontogenia se encontraram ? Ali se manifestou verdadeiramente o homem novo, em condições de se multiplicar e se espalhar ?

Se Santo Anastácio teve ligação umbilical com as outras cidades e foi a culminância de todo o processo para revelar o verdadeiro corpo de Cristo, como explicar então, que na sua fase final, o marxismo, que vinha sendo um dos componentes fortes, se achou ausente ?

Ora, a resposta parte basicamente do princípio de que o processo se originou em Jesus e acabaria em Jesus. Ia de Jesus para Jesus.

Então o marxismo foi o momento do processo em que Jesus se achava, hegelianamente, alienado de Si mesmo, sendo, pois, natural e necessário a luta de classe. Mas o processo, à medida em que avançava e retornava para Jesus, mais e mais a luta de classe ia perdendo força e ganhando força a luta de reconciliação de classe. Chegando em Jesus, porém, a luta de classe não deixaria de existir, continuaria, porém num outro patamar, posto que a luta para a superação das classes é permanente, só parando no momento em que a terra inteira se transformou numa comunidade de irmãos em que cada um busca, não a sua, mas a vantagem da outra pessoa, como aparece numa das cartas do apóstolo Paulo (ICoríntios 10.;24).

Asim, pois, Santo Anastácio, não obstante a ausência de imagens explícitas, não exclui o marxismo mas o inclui, não, porém, na forma da lei (leia-se luta de classe) mas na forma da graça. A busca pela superação do capitalismo e dos burgueses continuaria, não, porém, no molde anterior, isto é, de fora para dentro, mas de uma maneira inteiramente nova, isto é, de fora para dentro, mas de uma maneira inteiramente nova, isto é, de dentro para fora. O que seria superado a partir de então (leia-se a partir de Santo Anastácio) seria o egoísmo, a ganancia, o individualismo, o ciúme, a inveja, a cobiça, presentes nos burgueses, é verdade, mas também no resto da sociedade!. O que significa dizer, sendo assim, o egoísmo e etc presente em todos, simplesmente que o marxismo não possuía um fim em si mesmo, jamais, enquanto construção transcendente, tinha a destinação de criar uma sociedade sem classes, igualitaria, pois o mal que acabava em uma parte ressurgia em outra (vide burocracia, cujo os privilégios que os burgueses gozavam às expensas dos trabalhadores apenas foram transferidos para uma outra classe de dominadores e usufruidores de privilégios às expensas de outros). Se o marxismo não possuía o remédio para acabar com a luta de classe e as desigualdades, a não ser para acabar com as suas manifestações exteriores e superficiais, ora, então Santo Anastácio foi o momento em que o remédio de criar uma nova sociedade, sem classes, sem desigualdades, se manifestou. A superação real do capitalismo, e de toda forma de exploração, nasce, pois, não a partir de Petrogrado, como se pensou, mas a partir de Santo Anastácio. Posto que o capitalismo só seria superado quando surgisse um remédio que o combatesse, não pelas suas manifestações externas, mas pelas causas internas que produziam estas manifestações externas, causas internas estas, já falado, presente em todos os homens, herança do pecado original.

O fato do marxismo ter aparecido de forma clara e explícita em Londrina, mas ter sido "barrado" em Santo Anastácio, tal "barramento" foi na verdade que Santo Anastácio esteve concluindo os trabalhos políticos do Concílio Vaticano II que ele iniciou com o marxismo. Quando o marxismo ganhou a categoria de sintese, por ter sido permitido a sua entrada na Igreja, ora, a sua entrada se deu porque submetido a uma mutação. O seu instrumental de análise social e até de história foram conservados, mas a sua filosofia, atéia e anti-religiosa, foi substituida pela filosofia cristã. A Teologia da LIbertação foi esse ser híbrido, metade Marx metade Jesus. Ainda hoje, numa entrevista que deu a Roberto D`Avilla, Leonardo Boff não fazia distinção entre Marx e Jesus, sendo, para ele, a mesma e única pessoa (é evidente que não mais Marx mas este ser híbrido, pois a filosofia deste ser Leonardo Boff a tirou das instancias do cristianismo. Um Marx que subiu a Jesus e um Jesus que desceu à Marx).

Ora, o que foi que ocorreu em Santo Anastácio com o marxismo, que foi visto e pulando como Davi em Londrina, e depois foi visto com a mesma alegria em Brasília, no entanto quando o corpo real de Cristo se manifestou em Santo Anastácio não se viu a presença do marxismo tomando parte na sua alegria de espírito ? O que ocorreu foi que ele sofreu uma segunda mutação, com o seu instrumental de análise social e de história sendo também substituídos pelo instrumental de análise social e de história do Cristo Jesus. Nos corredores do Vaticano então a sua filosofia se transmudou na filosofia cristã, e agora, em Santo Anastácio, foi a vez de se transmudar o seu instrumental de análise social e de história.

Então Marx ficou definitivamente para fora ? A verdade é que Marx no princípio estava inteiramente fora. Com o Concílio Vaticano II (leia-se Teologia da LIbertação) o que ocorreu foi que o marxismo, das suas duas partes, a sua filosofia e o seu instrumental de análise social, no que diz respeito ao seu instrumental de análise social ele continuou como tal, mas a sua filosofia ela se transmudou na filosofia cristã. Assim como a água se converte no seu contrário, o vapor, a filosofia marxista, nas mãos da Teologia da Libertação, se converteu na filosofia cristã. De um lado temos o vapor e do outro a água ? Não, mas o vapor é tão somente a água que se converteu nele. Pois bem, foi exatamente isto o que ocorreu com a filosofia marxista. Ela, dialéticamente, se transformou na filosofia cristã. Isto posto, então o que ocorreu em Santo Anastácio não foi outra coisa senão que também o instrumental de análise social e de história do marxismo foram convertidos no instrumental de análise social e de história do Cristo Jesus. Em Santo Anastácio duas coisas ocorrem: Marx se transforma totalmente em Jesus, se anula por completo, e Jesus se manifesta totalmente Jesus. 100 por cento Jesus. Sem qualquer mistura ou intrusão.

Voltemos mais uma vez à questão da água e do vapor: Ora, se o vapor não é alguma coisa que se manifesta à parte da água mas é tão somente a água que se converteu naquele novo estágio, naquela nova qualidade, então o Jesus que se manifestou em Santo Anastácio em algum lugar do tempo ele foi Marx, e, retroagindo, Marx, em algum lugar do passado, disse que em algum lugar do futuro seria Jesus, vindo realmente a ser em Santo Anastácio.

Ora, sabemos que os marxistas se dividiram em duas fundamentais correntes: os que acharam que o socialismo real foi a materialização do pensamento de Marx e os que acharam que na verdade foi a sua deturpação. O socialismo que se manifestou no Leste Europeu tratou-se muito mais de uma negação do que de uma afirmação do pensamento de Marx.

Como resolver esta disputa aparentemente antinomônica ?

O que se manifestou no Leste Europeu, leia-se socialismo real, foi mesmo a materialização do pensamento de Marx. Lá não houve nenhuma deturpação do pensamento de Marx. Não foi nem mesmo 80 por cento do pensamento de Marx que se manifestou mas exatamente 100 por cento do seu pensamento.

O que ocorre é que estas pessoas que negam Marx ter estado presente no Leste Europeu, elas possuem uma sensibilidade muito fina e muito refinada. Na verdade representam o rol de pessoas ou de idéias que se manifestam adiantados no tempo. Daí viverem num mundo cindido, dividido. Verdadeiros anfíbios. Dá agua, mas querendo sair fora dela.

Na verdade o que iria satisfazer os seus seres não seria nunca Marx, mas Jesus. Elas eram portadoras, não da lei, como são aqueles que reconhecem acertadamente Marx no socialismo real, mas da graça. Quer dizer, o Marx que elas buscavam, embora não o soubessem, não era o estático mas o dinâmico-dialético, que se achava em processo de superação de si mesmo, tendo-se manifestado na nova figura do espírito em Santo Anastácio. Já não era mais Marx mas o próprio Jesus. Quer dizer, foi Marx, mas se converteu em Jesus!

A verdade é que essa encruzilhada em que se meteram os marxistas foi a mesma em que os judeus de há dois mil anos se acharam metidos. Os filhos da lei viam na nação de Israel a confirmação das promessas que Deus fizera a Abraão; mas os filhos da graça viam na nação de Israel a sua negação. As promessas que Deus fez a Abraão foi de que todas as famílias do solo seriam benditas por intermédio dele. Mas o judaísmo, com o seu aparato de leis e mandamentos, evidentemente que necessários como condição de afirmar a sua identidade e liberdade, sim, a sua identidade particular e nacional, tornou impossível a concretização da vontade de Deus. Mas quando aquelas pessoas viram Jesus se manifestando, de posse de algo diferente que realmente iria possibilitar todas as famílias do solo serem filhas de Deus, então elas resolveram o impasse angustiante: se abriram totalmente para as boas novas.

Podemos dizer que Santo Anastácio está para os marxistas como Jesus esteve para os judeus ? Ora, aqueles que realmente acham que o que surgiu no Leste Europeu foi uma negação de Marx, que há um Marx diferente daquilo, com certeza que este Marx que procuram se acha em Santo Anastácio. Façam o texte e ide a Santo Anastácio e vasculhem ali a sua essência. Com certeza o Marx que julgam os governos do Leste o retiveram, colocaram no seu lugar as suas concupiscências, com toda a certeza o irão encontrar em Santo Anastácio. É só vasculharem a sua essência e o encontrareis. Vasculhem o coração e a mente dos pastores Ari e Benedito, e de monsenhor José Antônio. Vasculhem, que aquilo que não encontrarem em um por certo se acha no outro, pois representam a totalidade do corpo de Cristo, do corpo que contém tudo o que ansiosamente buscaram em vão em outros corpos.

É verdade, neles está uma igualdade que é construída, não contra e nem vedando, mas dentro e a partir da liberdade. Não é isto que vós buscais ? Está uma igualdade que é alcançada, não posta nas pessoas, de fora para dentro, como ocorreu no Leste Europeu, mas por ser despertada nas pessoas. Não isto que vós buscais ? Neles está a criação de uma sociedade em que as pessoas vivem nela por serem igualitarias. Não estão, mas são. Quer dizer, serão igualitarios não porque estarão vivendo numa sociedade igualitaria, mas porque se tornaram igualitarios. A sociedade igualitaria não os precedeu, mas foi precedida por eles. Não é isto que vossas almas libertárias buscais ? Nela os burgueses deixaram de existir, não porque foram destruídos, mas porque foram alcançados pela graça regeneradora e transformadora, que transformou os seus corações de pedra em corações de carne com eles passando a querer para o próximo tudo o que querem para si. Ora, as vossas almas nobres não prefeririam vê-los transformados que destruídos ? Não seria este o sentido maior da ternura revolucionária e a recompensa implícita na fala de Marx segundo o qual a revolução burguesa foi um movimento progressista e que preparou o mundo para saltos mais ousados ? Pois é, vasculhem o coração e a mente dos pastores Ari e Benedito e de monsenhor José Antônio, e encontrareis neles os tesouros de suas vidas! Literalmente a saída para as vossas vidas e a saída para a própria vida, ameaçada em todo o mundo.

Para concluir a parte deste estudo, convém voltar a Leonardo Boff para melhor esclarecer esse processo de metamorfose, a passagem do judeu Marx, lei, para o judeu Jesus, a passagem do marxismo para a graça.

Ora, em Leonardo Boff o Jesus ou o Marx que se manifestou no Concílio Vaticano II foi congelado (é natural os objetos criados por Deus em movimento serem congelados pelos homens. Mas, não somente o criar, mas também o descongelar compete a Deus). Em Leonardo Boff não há Jesus fora de Marx e não há Marx fora de Jesus, posto que trabalha com a forma de um, Jesus, e com o conteúdo de outro, Marx.

Mas essa visão adialética de Leonardo Boff deva ser abandonada. Em suas mãos os dois são reduzidos a água e óleo, substancias que não se misturam. Ora, se Jesus não está no instrumental de análise social e de história do marxismo logo a função de Jesus ali é de legitimador de uma práxis transformadora da qual não comunga (Isaías 4.1). Comunga sim, com os seus fins mas não com os seus meios. Não há a recíproca, posto que não se viu marxista algum brandir a filosofia cristã no lugar da marxista.

Sim, essa visão adialética de Leonardo Boff sobre estas duas figuras chaves da história da redenção deva ser abandonada, posto que o Concílio Vaticano II não representou um acordo entre as duas esferas, o meio termo encontrado por um oferecer a forma e o outro o conteúdo. Não, mas nele o que se deu foi uma passagem de Marx para Jesus , naquele preciso momento tal passagem se achando na metade do caminho, mas Santo Anastácio representando o momento de total passagem.

Uma completa passagem que não significa um completo abandono da luta marxista por uma sociedade igualitaria, nem mesmo um parcial abandonono, pois ela é permanente, dura enquanto houver classes e privilégios, mas significando muito mais a passagem de uma metodologia, meios para atingir fins, para uma outra metodologia, passagem esta que se tornou necessária pois a metodologia marxista foi uma metodologia adolescente para um mundo adolescente, e como o mundo hoje está entrando no seu patamar adulto (o espírito do tempo está se tornando adulto, na acepção hegeliana) tornou-se necessário uma práxis e uma metodologia adultos. Tornou-se necessário Jesus, o Adulto, e desnecessário Marx, o Adolescente (não esquecer que este , Jesus foi aquele Marx, e aquele Marx é este Jesus).

Tudo isto foi falado por uma absoluta necessidade. Há muitos panos que precisam ser postos a limpo. A começar que reconhecer o trabalho progressista, positivo e preparador tanto de Gorbatchov sobre o marxismo como de João Paulo II sobre a Teologia da LIbertação. Ambos não estiveram a serviço do capitalismo, como suspeitaram e afirmaram os de visão positivista, adialéticos, mas, ao contrário, estiveram a fazer o bom papel de João Batista, preparam, aplainaram o caminho para que Santo Anastácio pudesse se manifestar. Gorbatchov e João Paulo II cheiraram mal para eles porque o objeto que iria ocupar o lugar daquilo que estavam removendo ainda estava sendo construído no Brasil; então, na sua ausência, outras formas tomaram o seu lugar. Mas eis que Santo Anastácio está se manifestando; então, ao verem os seus reais frutos, é que irão reconhecer o bom trabalho daqueles