A Ragi Refrigerantes, fabricante do guaraná Dolly, vai entrar na Justiça com ação contra a Coca-Cola, pedindo indenização milionária por perdas e danos morais e patrimoniais. A empresa, com sede em Diadema, no ABC paulista, protocolou no Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), do Ministério da Justiça, pedido de abertura de processo administrativo contra a Coca-Cola por concorrência desleal e abuso de poder econômico.
Com base em conversas gravadas em vídeo com o ex-diretor da Panamco (maior engarrafadora de Coca-Cola no País) Luiz Eduado Capistrano do Amaral, o empresário Laerte Codonho, dono da marca Dolly, acusa a multinacional de ter feito circular por e-mail a notícia falsa de que o refrigerante Dolly provocava doença nos rins e câncer no reto. O caso foi registrado no Setor de Investigações de Crimes de Alta Tecnologia, da Polícia Civil de São Paulo, em novembro de 2000.
"Na época, nosso faturamento caiu quase 80%", afirmou Codonho, que também acusa a Coca-Cola em inquérito policial aberto pelo 34.º DP de Diadema. Ele ainda não tem cálculos do valor da indenização que cobrará na Justiça.
Procurada, a Coca-Cola informou ter recebido notificação e que um representante da empresa prestará esclarecimentos à polícia. A empresa informou que não recebeu comunicado do Cade.
Segundo o requerimento protocolado no Cade, Capistrano teria sido contratado pelo empresário Jorge Giganti, ex- presidente da Spal e da Coca-Cola no Brasil, México e Argentina, para eliminar o produto e a marca Dolly do mercado. O primeiro passo teriam sido ameaças de interrupção de compras a fornecedores que continuassem a abastecer a Ragi.
Dolly: o guaraná que causa câncer
A mensagem contendo falsas afirmações sobre o guaraná Dolly circulou pela Internet e chegou à polícia de São Paulo. O Setor de Investigação de Crimes de Alta Tecnologia do DETEL - Departamento de Telemática da Polícia Civil do Estado de São Paulo abriu diligências para apurar a origem da mensagem, pois trata-se de crime contra a honra de pessoa jurídica. (Boletim 119/2000 datado de 28/11/2000.)
Até o Laboratório Fleury (Fleury - Centro de Medicina Diagnóstica, também conhecido com Instituto Fleury), localizado em São Paulo, foi envolvido nessa falsa denúncia, pois teria realizado a suposta pesquisa confirmando a existência das substâncias cancerígenas. O Laboratório negou que tenha realizado pesquisas sobre o guaraná. Além do Laboratório Fleury, o Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP e o Instituto Adolfo Lutz também desmentiram o conteúdo da mensagem.
Apelo à autoridade e referência a substâncias inexistentes são ingredientes comuns em mensagens desse tipo. No caso do guaraná, as autoridades envolvidas negaram. O Fenofinol Ameído e Voliteral são substâncias inexistentes e jamais causariam "mal (sic) atividade dos rins e câncer".
Passe essa mensagem pra frente é a senha: tudo não passa de mais uma pulha virtual.
O site da empresa Dolly (
http://www.dolly.com.br/) apresentava o esclarecimento desmentindo toda a farsa. Hoje, esse domínio, embora pertencente à empresa Dolly do Brasil Refrigerantes Ltda., não mais contém o desmentido. Segue abaixo o e-mail enviado pela Coca-cola:
Assunto: cuidado!
Cuidado!!! Vinte e três pessoas já passaram pelo Hospital das Clínicas com um mesmo sintoma: a falta de atividade renal e o aparecimento de tumores no reto. Todos os internados relataram o começo das dores e a consequente internação após ingerirem altas doses do Guaraná Dolly.
Pesquisas realizadas pelo renomado Instituto Fleury apontaram grande quantidade de Fenofinol Ameído e Voliteral, substâncias tóxicas e que causam, respectivamente, a mal atividade dos rins e câncer.
Segundo o Dr. Paulo José Teixeira, formado pela USP e especialista em toxicologia, as pessoas não devem ingerir mais o citado refrigerante. A direção da Dolly já assumiu sua culpa e prometeu indenizar os pacientes e todos aqueles que venham a se contaminar com o Guaraná.
Passe essa mensagem para frente. Não podemos deixar que mais pessoas sofram! Lembre que o próximo pode ser você.
