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Vacine-se contra a ALCA
Por LIVRE COMÉRCIO 31/08/2003 às 17:47

A sociedade civil latino-americana intensifica as articulações de luta contra a ALCA através de protestos, boicotes, ocupações, pressão parlamentar e petições durante todo o mês de setembro. De 10 a 13 de setembro ocorrerão as jornadas contra as negociações da Organização Mundial do Comércio(OMC), em Cancún, no México. No período de 8 a 14 ocorrerá o boicote continental aos produtos estadunidenses contra a guerra e o neo-liberalismo.

No Brasil, os movimentos sociais e as forças políticas de esquerda preparam uma série de manifestações, ações diretas, abaixo-assinados e seminários na tentativa de pressionar o governo Lula a realizar um plebiscito oficial sobre o acordo. Dia 7 de setembro ocorrerá em todo o Brasil as mobilizações do "Grito dos Excluídos". No dia 13 estão previstas grandes mobilizações populares em todas as capitais do país, contra a ALCA, a OMC, a guerra, a globalização e por emprego e desenvolvimento.

No período de 01 a 07 de setembro, a coordenação da campanha nacional contra a ALCA, em conjunto com o Grito dos Excluídos, promoverá uma campanha de recolhimento de assinaturas para um abaixo-assinado que exige: a realização imediata de uma auditoria pública sobre a dívida externa brasileira conforme determina a constituição federal; a imediata anulação do acordo de cessão da base de Alcântara aos Estados Unidos e a convocação de um plebiscito oficial sobre a ALCA, ainda em 2003.

[ Calendário de mobilização popular | Palestra do diretor executivo da reunião ministerial da ALCA | Site da Campanha Contra a ALCA | Ato em Osasco no dia 07 de setembro | Ativismo e Tecnologia em Cancún | Site do Grito dos Excluídos ]


(Foto: Detalhe de grafite em Caxias - RJ)

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Comentários


ATO CONTRA A ALCA.
Alexandre Gandarela 01/09/2003 12:59
alexandre@campones.org
http://www.campones.org

CONVIDAMOS A TODOS PARA PARTICIPAREM DO ATO CONTRA A ALCA QUE ESTARA ACONTECENDO EM OSASCO DIA 07/09/2003, NA AVENIDA BUSSOCABA, LOCAL DO ENCONTRO SERÁ EM BAIXO DA PONTE METALICA AO LADO DA PREFEITURA, ESTAREMOS NOS REUNINDO AS 07:30HS, E LOGO DEPOIS SAIREMOS PARA "DESFILARMOS" CONTRA A ALCA. CONTAMOS COM TODOS DA CIDADE E REGIÃO E COMPÁNHEIROS DISPÓSTOS A DIZER NÃO A ALCA AO FMI E A BURGUESIA.


Dicas para reuniões de Organizações
A 02/09/2003 04:08
http://www.rits.org.br/

Reuniões eficazes - Check list

Liliane G. da Costa Reis

Reuniões são atividades típicas e freqüentes nas organizações. Por vezes, freqüentes demais... Gasta-se muito tempo das pessoas em reuniões que nem sempre são necessárias. Há uma tendência a acharmos que todos os assuntos e decisões dependem de reuniões. Portanto, antes de planejar a próxima, faça-se a primeira pergunta: Por que é necessário realizar esta reunião?

Estando convencido da necessidade da reunião, eis algumas outras perguntas:

1. Você sabe o que quer obter ao final de cada reunião que realiza?
2. Você convida somente as pessoas necessárias ao objetivo da reunião?
3. Os participantes também sabem o que se deseja alcançar?
4. A pauta de suas reuniões é distribuída com antecedência aos participantes?
5. Cada participante sabe de antemão que contribuição deve fazer aos itens da agenda?
6. No início da reunião a pauta é revista, fazendo-se as alterações necessárias?
7. Os temas prioritários são os primeiros da pauta?
8. É escolhida uma pessoa para conduzir a reunião?
9. Para cada item da pauta é estabelecido um limite de tempo?
10. O limite é cumprido?
11. Você esgota cada item, sem ficar pulando de um item para outro?
12. Ao final de cada item é feito um resumo da discussão e das decisões tomadas?
13. Define-se claramente o que cada pessoa deverá fazer após as decisões?
14. São estabelecidas datas de controle para as tarefas subseqüentes?
15. Todos os participantes têm chance de expressar suas opiniões?
16. Ao final da reunião é feita uma avaliação de como a mesma transcorreu?
17. Todos os participantes avaliam a reunião como produtiva?
18. Você incorpora as sugestões dos participantes para futuras reuniões?

Caso você tenha respondido "sim" a todas as perguntas, parabéns. As reuniões de sua organização são produtivas e bem planejadas. Caso tenha respondido "não" a alguma das perguntas, tente definir o que pode ser feito para melhorar este ponto. Consulte seus colaboradores e peça-lhes sugestões.


Grafite
Centro de Cultura Proletária 02/09/2003 14:48
ccp@alternex.com.br

O grafite da foto não está em Caxias, foi realizado durante a ocupação simbólica da fábrica Rheem pela Frente de Luta Popular no 1º de maio deste ano. Vejam em
 http://www.midiaindependente.org/pt/blue//2003/05/253875.shtml


bonito
03/09/2003 07:37
virtorusso@hotmail.com

que grafite mais maravilhoso. realmente me faz lembrar algo de 68.
muito bonito


Papagaios de Pirata
Ronan 05/09/2003 13:47
ronan@uol.com.br

Uma pergunta que não encontro resposta : Será que algum de voces , papagaios de pirata , de fato sabe do que se trata a Alca , ou só repetem os jargões , tal qual as fantasiosas frases do assassino Che porque esta na moda ser contra tudo.Hummm, tenho certeza que se houvesse um questionário para avaliar os seus conhecimentos da matéria , as respostas de voces não dariam nem direito a frequentar aulas de reforço . Avaliem seus conhecimentos enquanto comem o seu Big Mac com uma Coca Cola com muito gelo.Abraços.


LEMBRA 68????
ZÉ 06/09/2003 02:04

Inacreditável!!!!!!! Esse grafite lembrou o cara ai de cima o ano de 68!!! Valeu. Faz tempo que eu não ria tanto. Não te lembrou também alguma frase de Che? Vamos! Quero rir mais.


07/09/2003 14:14

A ALCA PARA OS BRASILEIROS
Por Rodrigo Marques Ramos da Rocha

Em minhas constantes conversas com colegas, amigos e conhecidos, eu só detectei até hoje dois tipos de opiniões acerca da implantação da Área de Livre Comércio das Américas (ALCA): a reprovação ou a neutralidade. Nunca vi ninguém declarar abertamente uma opinião favorável ao mega-bloco, e mesmo quem se diz neutro já o faz sob certo receio e olhares de desconfiança. Isso tudo é compreensível, pois é preciso que se tenha muita serenidade para defender publicamente uma opinião favorável à implantação da ALCA em um país onde toda idéia contrária à esquerda já é automaticamente taxada de "nazista", "radical" ou "esquizofrênica". Poucos são os que têm a coragem de dizer o que eu aqui digo: a ALCA é péssima para o socialismo, e justamente por isso é excelente para o Brasil e para todo o mundo.

"O que é ruim para o socialismo, o é também para o Brasil". Esta é uma das muitas idéias falaciosas implícitas em todo o discurso da esquerda brasileira, que tenta nos convencer diariamente de que a única verdade possível é a verdade socialista. Isso até poderia ser interessante, se não fosse o fato de a verdade dessa trupe ser inteiramente sustentada sobre mentiras.

Mas o que incomoda tanto a esquerda? Por que a ALCA seria uma facada no ideal socialista latino-americano? Oras, meus caros, observem bem o nome do bloco: Área de LIVRE Comércio das Américas. Perceberam? O socialismo não é, reconhecidamente, um sistema que preze muito as liberdades coletivas nem individuais. Além disso os socialistas são fiéis combatentes do liberalismo econômico -- que tanto progresso trouxe ao mundo desenvolvido do hemisfério norte. Como haveriam de compactuar com um bloco que propõe algo tão "nojento" como a liberdade de comércio?

A alegação mais ridícula contra a implantação da ALCA é a que "perderíamos a nossa soberania". Eu sinceramente não sei de onde a esquerda tirou essa idéia sem pé nem cabeça. O que tem a ver livre-comércio com soberania nacional, meu Deus? A queda de barreiras alfandegárias e a livre-concorrência de produtos e serviços em todo o continente ampliaria o mercado consumidor para nossas empresas: algo superior a um bilhão de pessoas a mais. "Mas as empresas brasileiras não conseguiríam concorrer com as empresas americanas!" -- objetaria um esquerdista. Este é um pensamento pouco perspicaz, de alguém que está tentando analisar a realidade liberal sem se desvencilhar antes da ótica socialista.

A economia liberal por si só já cria formas de evitar discrepâncias. Por isso o liberalismo é tão perfeito: sua capacidade de resolver incongruências e se auto-equilibrar é tão grande, que sua aplicação sempre incorre em sucesso e desenvolvimento. Imaginemos que já vivemos na ALCA. Se uma empresa nacional produz sabão em pó, por exemplo, e não consegue competir com uma grande fabricante norte-americana de sabão em pó, o que acontece? Oras, a empresa brasileira pode perfeitamente se tornar uma franquiada da empresa americana, fabricando o mesmo sabão e praticando preços mais baixos. E o melhor: poderá vender livremente o seu sabão em qualquer país do continente! Nenhum funcionário perderia seu emprego, e a expansão da empresa seria inevitável.

As indústrias nacionais se adaptariam aos níveis de qualidade praticados nos Estados Unidos. Com isso o consumidor é que sairia ganhando, pois teria acesso a um produto de melhor qualidade por um preço mais baixo do que o atualmente praticado no Brasil. As grandes empresas americanas, por sua vez, seriam obrigadas a instalar fábricas e escritórios em todas as grandes cidades brasileiras, e com isso mais empregos seriam gerados e maiores investimentos seriam destinados ao nosso país. Se a Ford emprega hoje 5000 pessoas no Brasil, este número teria de ser triplicado no caso da implantação da ALCA. Afinal, a indústria teria de dar vasão ao aumento das vendas e da produção -- finalidade essencial do capitalismo.

Algumas empresas nacionais, sobretudo as que ficaram mal-acostumadas com o paternalismo estatal brasileiro, poderiam sofrer dificuldades. Algumas até chegariam ao ponto de fechar suas portas. Mas que mal há nisso, se onde fechar uma forem abertas dez?

A ALCA, se bem negociada (entenda-se: se não for negociada por ninguém do PT), será o triunfo do capitalismo no Brasil -- e, portanto, um tiro de misericórdia no nosso extemporâneo socialismo. A liberdade de comércio atrai investimentos e aumenta a produção. Com mais investimentos e mais produção, mais empregos e mais desenvolvimento são gerados. Esta é, portanto, a chance para deixarmos de ser o "país do futuro" e sermos o "país do presente". Liberdade, investimento, produção e desenvolvimento. O país que não se guia por esta cartilha está fadado a ser eternamente um coadjuvante sub-desenvolvido no cenário geopolítico internacional.


Como Pode?
Ju 09/09/2003 16:53
radcoreju@bol.com.br

É lamentável que alguém nos dias de hoje ainda seja a favor da ALCA, depois de toda lição que o Brasil passou de abertura econômica neoliberal dos anos 90, que triplicou o desemprego no Brasil, por consequência justamente do que a Alca quer, só alguém que não estuda a realidade brasileira pode defender isto, ou então alguém que não esteja interessado no futuro do país e seja tão individualista que só pensa no progresso e não se preocupa com o desenvolvimento nacional.É tão simples entender o que a ALCA representará ao Brasil, é só pegar o exemplo do que aconteceu com o México depois de ter entrado no NAFTA, não podemos ser burros, temos que admitir quais são as verdadeiras possibilidades de competição entre o Brasil e os E.U.A.. É interessante como temos facilidade de aderir ao ideologia ultraliberal, que vem de cima e nós aceitamos esse discurso errôneo do desenvolvimento,como um cachorrinho aceita carne boa do ladrão e não sabe ele que ao comer aquilo morrerá.


será?
cmi 10/09/2003 00:19

AO CONTRÁRIO DO QUE SE DIZIA, MÉXICO FICOU FABULOSAMENTE FORTALECIDO APÓS INTEGRAR O TRATADO
CELSO MING

A fábula mostra que, nas relações entre o leão e o rato, nem sempre é o mais forte que leva vantagem.

A história recente das relações comerciais entre Estados Unidos e México, dentro do processo de integração do Nafta (Tratado de Livre Comércio da América do Norte), parece uma comprovação disso.

Uma boa análise do que vem acontecendo foi dada pelo ex-secretário de Comércio do México Jaime Serra, em seminário realizado dia 31, na Universidade Menéndez Pelayo, da cidade de Santander, Espanha, patrocinado pelo Banco Santander. São considerações oportunas num momento em que o Brasil vacila entre participar ou não na Alca.

Depois que entrou no Nafta, em 1994, em vez de ser atropelado pelos gigantes do Norte, como os mais pessimistas chegaram a temer, a economia mexicana vai sendo fortalecida. Confira, por exemplo, os seguintes pontos:

(1) Convergência - A inflação vai embicando para padrões dos dois outros países-membros do Nafta, Estados Unidos e Canadá.

Chegou a ultrapassar os 50% na crise de 1995 mas hoje está abaixo dos 5% ao ano. O peso mexicano está oscilando (volatilidade cambial) em patamares muito próximos da flutuação das outras moedas fortes. Isso significa que o México está quase imunizado contra choques financeiros externos. Além disso, os juros anuais de curto prazo estão ao redor dos 10% ao ano, os mais baixos da história do país.

(2) Comércio exterior - O Nafta está concorrendo para uma grande abertura da economia mexicana. No início dos anos 80, o comércio exterior (exportações mais importações) alcançava apenas 21,7% do PIB. Ao final do ano passado, já estava nos 51,8%. Em 1980, o petróleo correspondia a 58% das exportações; no ano passado, não passou de 9%. Os produtos industriais compõem hoje 89,0% das exportações. Mais do que isso, o total exportado (exceto petróleo) está crescendo aos saltos. Em 1994, no início do Nafta, era de apenas US$ 53,4 bilhões; no ano passado, alcançou US$ 146,2 bilhões, mais do que o dobro do que exportou o Brasil (confira o gráfico). Perdeu quem apostava em que, dentro do Nafta, a economia do México seria atropelada. No ano passado, enquanto as exportações do resto da América Latina para os Estados Unidos alcançaram US$ 70 bilhões, o México sozinho exportou US$ 135 bilhões. O saldo comercial do México com os Estados Unidos em 1994 era negativo (déficit) em US$ 3 bilhões. No ano passado, foi positivo, em US$ 36 bilhões. No comércio com o Canadá, acontece o inverso, mas com números bem mais baixos: superávit de US$ 100 milhões em 1994 e déficit de US$ 17 bilhões em 2002.

Investimentos externos - O Nafta tranformou o México em importante plataforma de exportação para os Estados Unidos. Foi a senha para que os investimentos estrangeiros diretos (IED) aumentassem substancialmente. Em 1993, eram de US$ 5 bilhões. A partir daí, variaram em torno dos US$ 14 bilhões ao ano. Cerca de 70% dos recursos provieram dos Estados Unidos e do Canadá. Nada menos que 49% desses investimentos destinaram-se à indústria, 33% ao setor de serviços e 11% ao comércio.

Impacto sobre o emprego - Uma das objeções recorrentes a um acordo comercial de um país latino-americano com os Estados Unidos é o de que, além de sucatear a indústria local, o acordo dizimaria empregos. No México, aconteceu o contrário. Os investimentos concentraram-se na indústria, como se viu, o emprego cresceu e os salários nas empresas mais diretamente voltadas às exportações são 40% mais altos do que no resto da economia. Apesar da crise tequila, de 1995, o México é um dos países latino-americanos de menor risco. Nos lançamentos de títulos no mercado mundial, paga hoje um ágio em torno dos 500 pontos-base (5 pontos porcentuais) acima da referência do mercado, o Título do Tesouro dos Estados Unidos (T-Bond), de 10 anos. O risco Brasil está acima dos 800 pontos.

Até quando? - Apesar desses benefícios, o governo mexicano teme que esses tempos bons estejam contados. As vantagens de que hoje desfruta, de acesso ao mercado americano e de constituir-se em novo pólo de investimentos, tendem a ser repassadas a outros países. A Alca, por exemplo, deve aumentar a abertura do mercado dos Estados Unidos para concorrentes do resto das Américas e isso vai tirar parte do pirulito da boca do México. Mas não é só a Alca. Os Estados Unidos estão fechando ou negociando acordos regionais e bilaterais com outros blocos econômicos e com outros países: Chile, Cingapura, Jordânia, Israel, Marrocos, África do Sul, Nova Zelândia, Austrália, América Central e, possivelmente, Mercosul. Mas a grande ameaça é uma potência comercial com quem os Estados Unidos não tem acordo: a China. Bastou que a China aceitasse as regras da OMC, em dezembro de 2001, para que, já no ano seguinte, as importações dos Estados Unidos da China crescessem 24%.

Não tem cabimento concluir que a entrada do Brasil na Alca vá provocar efeito parecido com este. Mas o exemplo mexicano permite tirar uma conclusão pelo efeito inverso. Se o Brasil ficar de fora da Alca, deixará aos países que fecharem o acordo acesso preferencial ao enorme mercado americano, de US$ 1,4 trilhão por ano. Além disso, poderá perder os investimentos que vierem a ser feitos em países aos quais vier a ser dado esse acesso.

De qualquer maneira, o grande concorrente do Brasil em todo o mercado que futuramente deverá tornar-se a Alca não é nenhum país latino-americano. É a China, como os mexicanos já sabem.
 
 
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