Rechaçaram qualquer acordo que façam os ministros de comércio nessa 5ª Reunião Ministerial da OMC, em temas de agricultura, direitos humanos, gênero, comércio, inversões, privatização e propriedade intelectual.
Durante o primeiro dia deste Fórum, as mulheres fizeram denúncias sobre o sistema multilateral da OMC; as políticas de organizmos multilaterais como o Fundo Monetário Internacional e o Banco Mundial; e os acordos regionais como o Acordo de Livre Comércio das Américas (ALCA), os TLC, o Plano Colômbia e o Plano Puebla Panamá.
Mais de 200 mulheres, representantes de ONGs e organizações sociais, exigem aos governos que determinem sua própria agenda de desenvolvimento, que reguiem suas economias e que protejam os recursos biológicos e agrícolas dos povos.
No México, o Tratado de Livre Comércio "deixou mais vulneráveis os trabalhadores e trabalhadoras, que por pressão das corporações induziu uma reforma laboral que não respeitava seus direitos", declarou Usula Oswald, do Colégio de Tlaxcala, México. Caso concreto, o da indústria maquiladora que contrata as mulheres com baixos salários, e exige tempo extra, sem nenhuma garantia a seus direitos e segurança no trabalho.
O TLC provocou estragos no campo, expulsando cerda ce 1 780 000 pessoas do campo, disse Oswald. Diante disso, o assunto de agricultura na OMC deveria ser eliminado, pois seus acordos se opõem a um projeto de alimentação soberana, que deteria a expansão de problemas como a desnutrição, inanição e a fome nos povos agrícolas do mundo, declarou.
As condições de intercâmbio geradas pelo livre comércio afetam diretamente o consumo de milhões de famílias rurais; têm feito que o camponês, agricultor se converta em um excluído de seu próprio espaço de vida e de trabalho, obrigando-o a emigrar a outras cidades para vender sua mão de obra.
A proposta das mulheres é que teria que se assegurar a reprodução social, contrária ao sistema de mercados; teriam que ser eliminadas as barreiras estruturais e culturais em relação à participação e liderança das mulheres na política de seus países.
Durante o Fórum foi feito um chamado para participar nas políticas de cada país para que o tema gênero seja considerado dentro das reformas do Estado, que nas últimas décadas, tem sido modificado - sobretudo nos países do sul - pelos governos, para benefício das transnacionais.
As mulheres rurais mais afetadas por acordos entre governos e transnacionais, caso do PPP
Muitas das zonas indígenas do mundo estão na mira das transnacionais, pois aí é onde se concentra o maior número de recursos naturais; o Plano Puebla Panama, promovido pelo presidente Vicente Fox, e onde participam também países da América Central, é uma série de megaprojetos de infraestrutura principalmente, que proporcionaria um cenário adequado para que as transnacionais possam operar "uma região estratégica", de maneira que não possam ter nem barreiras comerciais e sim mão de obra barata dentro de suas indústrias.
Centenas de comunidades indígenas estão ameaçadas pelo PPP; os casos concretos de violação de direitos humanos nas maquilas; a aparição de milho transgênico em estados como Hidalgo e Oaxaca; o despejo de comunidades inteiras por construção de hidrelétricas em Chiapas e Guatemala, são claros exemplos de um sistema que não beneficia as comunidades e menos ainda as mulheres, que estão mais expostas aos trabalhos dentro de sua vida cotidiana.
A repressão aos povos indígenas por parte do governo, que se nega a reconhecer seus direitos econômicos, políticos e culturais é um tema oculto e há a tentativa de apagar a resistência dos povos, sem resultado algum.
A proposta das mulheres em Cancun
As organizações de mulheres mexicanas, entre as quais estão as Mulheres para o Diálogo, Rede Mexicana de Ação Frente ao Livre Comércio, Marcha Mundial das Mulheres, Rede Nacional de Gênero e Economia, Rede de Mulheres Transformando a Economia, Rede Internacional de Gênero e Comércio, Comitê de Mulheres da Aliança Social Continental, a Coordenadora Nacional de Mulheres de Organismos Civis por um Milênio Feminista e a Associação Mexicana de Mulheres Organizadas em Rede propõem um comércio internacional a serviço do desenvolvimento autônomo e soberano, regido por normas e acordos baseados em direitos, na solidariedade, na complementariedade e na colaboração.
Entre seus objetivos está fortalecer e manter um amplo movimento de solidariedade entre grupos de mulheres de base de todo o mundo; promover a igualdade entre as mulheres e os homens, apoiar um processo amplo de educação popular e por em prática as reivindicações e as alternativas comuns aos movimentos de mulheres do mundo.
Trazem a este Fórum uma postura que vêm trabalhando em distintos encontros e fóruns realizados na Cidade do México, em San Cristóbal de las Casas, Chiapas, San Juan Guichicovi, Oaxaca, Cuernavaca e Morelos.
O Fórum "Os Direitos das Mulheres nos Acordos Comerciais Internacionais" convoca à Marcha Contra a Globalização e a Guerra, no dia 13 de setembro, para que todas as mulheres se unam a esta manifestação para exigir igualdade, empregos e ingresso, trabalho digno e justiça social e um país livre da OMC, ALCA e PPP.
