Desde o final de julho, graças à mobilização e organização da comunidade e à solidariedade do movimento popular, as ameaças e violências policiais reduziram-se bastante, embora não tenham cessado de vez. Por exemplo, no dia 13/08 a viatura nº 52045-3 do 20º BPM, dentro da qual puderam ser identificados os PMs Sales, Chaves e Marcelino, aproximou-se de forma ameaçadora de um companheiro da ocupação na rua principal do conjunto Pantanal (vizinho à ocupação) e seus ocupantes ficaram apontando dizendo: "É esse aí!". Também representantes da imobiliária grileira (Brasil Central) têm aparecido na área fotografando os barracos e principalmente os ocupantes, numa postura claramente intimidatória.

Mas, em comparação com a situação de antes, a tranquilidade na área aumentou bastante, e graças a isso várias novas famílias de sem-teto (algumas vindas de regiões bem distantes como a favela da Maré!) estabeleceram-se na área e construíram seus barracos. Cada nova família que chega tem obrigação de erguer e manter ocupado seu barraco, mas também tem que contribuir com algum material para as necessidades coletivas (geralmente alguns metros de fio elétrico) e participar das doações semanais para a cozinha coletiva e mensais para as despesas gerais (de 3 a 4 reais por família para que a comissão encaminhe a parte legal da luta, possa se deslocar para o centro de Nova Iguaçu ou do Rio, comprar filmes para fotografias, etc).

Além da cozinha coletiva, atividades culturais como bailes e brincadeiras com as crianças também estão sendo reorganizadas. Está sendo planejada uma grande festa no acampamento para breve. As assembléias agora são semanais, todo domingo às 17 horas, e nelas são recepcionadas as novas famílias e tratados os assuntos gerais da ocupação.

Alguns ocupantes também estão trabalhando nas áreas mais baixas onde não é possível construir barracos (muitos foram inundados com as chuvas que caíram nos meses de agosto e setembro no Rio), plantando milho, hortaliças e jardins.

Os sem-teto do 17 de Maio também começam a se articular com as lutas populares em geral. Já fizeram contato com uma ocupação próxima (Nova Canudos II, remanescente das organizadas pelo MTST no Rio entre 1997 e 2002) e participaram de manifestação em Nova Iguaçu contra os desmandos e roubalheiras do governo municipal.

No dia 29 de Agosto a ocupação participou ativamente do Dia de Luta do Povo contra a Violência, na Alerj (a passeata prevista para o dia teve que ser suspensa devido à forte chuva), organizado por diversos movimentos populares e de direitos humanos do Rio. Antes, no dia 23/08, companheiras e companheiros da ocupação também haviam participado do seminário "Criminalidade e Violência na Visão dos Movimentos Sociais", na comunidade do Borel.

A situação material no acampamento ainda é bastante precária, ainda falta ser realizada a instalação de água e são necessárias doações de materiais para construção de barracos (madeira, lona) e alimentos para manter a cozinha coletiva. Toda(o)s que puderem ajudar podem entrar em contato com a Frente de Luta Popular pelo e-mail  frentedelutapopular@bol.com.br