SalvaDOR
DE QUEM?
MANIFESTO DOS VBI – VÂNDALOS DE BOA ÍNDOLE –
PELO DEBATE E CONSTRUÇÃO DE UM PLANO DIRETOR LEGÍTIMO!
Salvador não tem um ou alguns donos. Esta cidade é nossa, é do seu povo. Não é só “a praça que é do povo como o céu é do condor”, como disse um poeta, ou do “avião”, como disse o outro. A cidade toda é do povo todo. Salvador é Polis, lugar da diversidade, do encontro e do choque, das tensões próprias do espaço público, coletivo, aberto. Espaço capaz de produzir um modo de vida original e especialíssimo que só pode acontecer com toda a sua potência na pluralidade e na nossa capacidade de dialogar na grande comum-unidade que a cidade encarna. “Narciso acha feio o que não é espelho”, mas logo aprende a beleza revelada nos encontros para além do espelho egoísta, sem luz.
Grande parte dos soteropolitanos vive a dor de ser tratada como lote de cidadãos (?) de segunda categoria. Enquanto isto uns poucos arrogantes e endinheirados senhores, amantes dos favores da gestão pública, não cansam de se apropriar da nossa cidade, deste espaço coletivo, patrimônio de todos nós. Tratam-nos como palhaços, bobos de sua corte, coadjuvantes no jogo de ganhar dinheiro e poder que eles montam para seus grupelhos. Por mais sofisticados que possam tentar ser, nunca passarão de um bando de ladrõezinhos cheios de técnica, discurso e arremedos de leis.
Agora, eles querem que a discussão do Plano Diretor de Desenvolvimento Urbano de Salvador (PDDU) passe batida. Transformam uma das mais importantes ferramentas de discussão e determinação dos destinos da cidade em um planozinho técnico, contrariando a legislação que obriga a ampla promoção de debates. Um Plano Diretor é a projeção da cidade que queremos construir e viver. Dele emanam as diretrizes para o desenvolvimento urbanístico da cidade, determinando a vocação de cada região, orientando a expansão da malha viária e dos transportes, elencando prioridades de investimentos e desenvolvimento econômico, repensando questões ambientais, culturais, de educação e de saúde pública, de emprego, renda e lazer. Um Plano Diretor é como o projeto de vida comunitária que traçamos para nós, concidadãos da Soterópolis.
Aqueles que pretensamente se colocam acima do povo, acreditam que poderão continuar se apropriando da cidade. Em tudo enxergam apenas formas de lucrar. Como perderam o sentido de suas vidas e se transformaram em escravos da grana, procuram moldar toda a cidade à sua lógica mesquinha. Querem garantir que o uso do espaço público satisfaça aos seus interesses e negócios privados. Substituem a discussão popular capaz de gerar um Plano Diretor legitimamente construído, pela apresentação patética de mapas coloridos, informações truncadas, audiências restritivas e controladas, que mal escondem as suas verdadeiras intenções de garantir os seus bons negócios.
Eles, os ladrõezinhos, não nos farão de palhaços! Queremos um Plano Diretor de verdade! Queremos uma cidade capaz de ser aquela Polis, espaço que se realiza enquanto lugar da felicidade coletiva, das oportunidades igualitárias. Queremos debater e construir um Plano Diretor legítimo!
Nem mesmo as estátuas nas praças de Salvador permanecerão paradas diante do absurdo perpetrado por estes gatunos. Elas, as estátuas entronizadas pelo povo, descerão dos seus pedestais, unidas de novo à vida comunitária, marcharão exigindo respeito pela cidade: Na calada da noite, rasgamos o silêncio com nosso grito de protesto. Não somos palhaços!
Salvador, 06 de setembro de 2003
VBI – Vândalos de Boa Índole
