Genealogia do Povo Brasileiro

Maurílio A. Neto

Quem estuda a genealogia do povo brasileiro geralmente se esbarra na falta de documentação para subsidiar o assunto. Tanto no período colonial, como no império e na república, são raros os casos registrados comprovando a união de portuguêses com mulheres índias, deixando crer que não tinham interêsse em registrar oficialmente os abusos sexuais, com que submetiam as índias. Com relação a união entre portuguêses e negros, são também poucos os casos que se tem notícia, mesmo porque, segundo alguns pesquisadores as mulheres negras mantinham relacionamentos, muitos dos quais forçados com os filhos dos patrões, ou com os próprios patrões, que na maioria das vezes encobriam os casos. Na verdade, muitas referências sobre esses abusos se perderam nos arquivos mortos do tempo, tornando-se difícil observar-se detalhes preciosos da nossa ancestralidade, tanto indígena, como negra.

Entretanto, apesar dessas dificuldades, existe um documento oficial sobre o assunto, assinado pelo rei de Portugal, Dom José, que baixou um Decreto de 04 de abril de 1.755, autorizando a união de portugueses com os índios , que tem o seguinte teor : “Faço saber aos que este meu Alvará de Lei virem, considerando o quanto convém, que os meus reais domínios da América se povoem e para este fim pode concorrer muito a comunicação com os índios por meio de casamento.” Este sim, é um documento palpável, digno de registro, servindo como fator determinante para a formação da genealogia do povo Brasileiro, muito embora , torna-se difícil saber-se , com maior precisão, quais as famílias que se formaram dessas uniões oficializadas.
Dentro desse contexto, informa-se que a história registra a união da índia, tupiniquim, Bartira, com o português, João Ramalho, ocorrida no século XVI, na Capitania de São Vicente. Desse casamento, originou-se grandes ramificações familiares, como atestam os escritores, Gustavo Geraldo de Almeida e o Frei Gaspar da Madre de Deus : “que a união conjugal de Bartira e João Ramalho, foi reconhecida pelas autoridades coloniais como fundamental na viabilização do processo de colonização luso-tupi da cidade de São Paulo. Eles tiveram muitos filhos.Algumas filhas casaram-se com os mais influentes homens da capitania, dando origem a ilustres famílias paulistas”.

Sendo assim, fácil é deduzir que além do gene da nação africana, o povo brasileiro tem também o da nação indígena e, em sendo assim, nada mais justo do que se apoiar as reivindicações dessa brava gente, nossos parentes, junto às autoridades brasileiras que têm teimado em não se lhes respeitar os direitos, consubstanciados na Constituição da República Federativa do Brasil. Por isso, nada mais oportuno do que a sociedade brasileira, como um todo, manifestar-se, escrevendo para a Presidência da República, através do E-mail  pr@planalto.gov.br solicitando maior empenho do governo, na demarcação definitiva das áreas indígenas, evitando-se, assim, as invasões de suas terras para a exploração de minérios e outras riquezas, como vem acontecendo atualmente.