O presidente do sindicato dos jornalistas do Rio Grande do Sul, José Torves, iniciou sua participação na abertura da 1ª Conferência de Comunicação Comunitária (7/11) relatando a truculência da Polícia Federal junto a uma rádio comunitária num episódio recente ocorrido em Santa Cruz do Sul (RS). Segundo Torves, uma das coisas que mais o revoltou foi a opinião de um deputado, segundo o qual "fazer rádio e ficar ouvindo rádio comunitária é coisa de desocupado".

O jornalista mostrou-se duro também frente à crítica que alguns colegas fazem aos meios de comunicação comunitários. "Para profissionais que trabalham em comunicação e conhecem na prática o monopólio do setor no país, não há outra expressão: isso é reacionarismo puro", definiu.

Segundo ele, rádio comunitária é militância e força social de transformação, e não deve ser confundida com mercado de trabalho para jornalistas. "Projetos comunitários não são para grupos na comunidade, são para toda a comunidade. Senão, estaremos criando Roberto Marinhozinhos em cada bairro", comparou o jornalista.

Torves, junto com os demais conferencistas, sugeriu a criação de um Comitê Local para democratização da comunicação. "Seria um fórum permanente para agregar forças entre as diversas iniciativas", disse o conferencista. Ele aproveitou para divulgar a revista Porém, iniciativa do Sindicato e do MST, que traz um dossiê sobre o Grupo RBS.

Quanto à aura de criminalidade e ilegalidade que a grande mídia impõe aos veículos comunitários, o jornalista foi incisivo. "Fazer rádio comunitária e ser tachado de bandido? Bandido é quem manipula a opinião pública", criticou Torves.
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