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| | Imprensa do contra - Política de cotas e democracia racial Por Victor Gentilli 13/11/2003 às 17:31 *matéria enviada no boletim virtual do observatório da imprensa. Se há um tema em que toda a imprensa é unânime é no combate ao sistema de cotas implantado este ano pela primeira vez na Universidade Estadual do Rio deJaneiro (Uerj). O tema é polêmico, claro, gera paixões, acirra posições. E o pior: ameaça parcela significativa da classe média branca com o risco real de perda de direitos. Os jornais diários, as revistas semanais, todo o sistema midiático usou expressões como "fracasso", "fiasco", "equívoco" para qualificar a experiência. Mas o mais grave - e preconceituoso - é a contraposição "mérito" versus "cotas", como se fossem coisas antagônicas. Aos que passam no vestibular por alcançarem boas notas é atribuído o qualificativo de "mérito"; por outro lado, os que ingressam pelo sistema de cotas, ingressam por "cotas", o que quer dizer, sem nota suficiente - o que significa sem mérito. Uma boa nota, na imprensa, é vista apenas como mérito. Ora, os mesmos dados e os mesmos resultados podem servir como argumento para mostrar que apenas quem tem acesso a boas escolas consegue boas notas, independentemente do mérito, aqui no sentido estrito do termo. A sociedade brasileira, por suas características, costuma acumular direitos e exclusões. Em outras palavras, para usar um exemplo de fácil compreensão: até 1988, com a promulgação da "Constituição Cidadã", o analfabeto não podia votar. Ora, isso significava que quem não tivesse tido o direito à educação igualmente não tinha o direito à participação política. É o que podemos chamar de "exclusão cumulativa". Há inúmeros casos semelhantes. Desnecessário listá-los. O sistema de cotas do processo seletivo da Uerj prevê duas cotas: uma de 40% para negros; outra, de 50%, para oriundos de escolas públicas. A intenção é clara: se há exclusões e excluídos, se há desigualdades sociais e raciais, cabe ao Estado minorá-las. Neste caso, o sistema de cotas é apenas uma forma de evitar "exclusão cumulativa". Imaginava-se que boa parte dos negros seria oriunda das escolas públicas, gerando acumulação das cotas. Em alguns cursos, o sistema abriu muito mais vagas para aqueles que tinham cotas do que para aqueles que conseguiram a vaga apenas pela nota. Atrasada e facciosa É evidente que aquele grupo social que sempre teve acesso ao ensino superior público e agora tem que dividir a sala de aula com outros grupos sociais que jamais na história alcançaram a universidade pública (nem a privada, por falta de recursos financeiros) vai se sentir incomodado, vai chiar, vai gritar, vai espernear. E a imprensa, porta-voz desta classe média conservadora, vai reverberar o esperneio, dar estridência ao chiado e ao grito. Claro que a experiência, com esta exposição pública facciosa, corre o risco de retroceder, quando o ideal seria aprimorar-se. Foi a primeira vez que se fez e, claro, há o que aperfeiçoar, corrigir, refinar, afinar, melhorar. Mas, de tudo isso, o mais terrível é a interpretação literal da Constituição, quando a nossa tradição jurídica sempre prefere ir atrás de compreender a intenção e as motivações do legislador. Aqueles que preferem evitar ostentar seu preconceito exibem a Constituição que, no seu artigo 5º, afirma que "todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza". E reforçam o argumento com o parágrafo IV do artigo 3º, que diz "constituir objetivos fundamentais da República Federativa do Brasil (...) promover o bem de todos, sem preconceitos de origem, raça, sexo, cor, idade e quaisquer outras formas de discriminação". Para esses, o sistema de cotas seria uma forma de discriminação racial, contra os brancos. Ao brandir o parágrafo IV do artigo 3º, que trata do que constituem objetivos fundamentais da República Federativa do Brasil, esquecem dos três primeiros, a saber: I - construir uma sociedade livre, justa e solidária; II - garantir o desenvolvimento nacional; III - erradicar a pobreza e a marginalização e reduzir as desigualdades sociais e regionais. O debate continua, claro. Mas ambos os lados podem brandir a Constituição. Pena que a imprensa só cite a Constituição para condenar o sistema de cotas. É triste ver um importante passo na redução das desigualdades correr o risco de se perder por culpa de uma imprensa conservadora, atrasada e facciosa.
URL:: http://www.observatoriodaimprensa.com.br >>Adicione um comentário O sistema de cotas é um mal necessário que vem a corrigir distorções históricas da realidade brasileira. As cotas são necessárias pois as condições de acesso da população não são iguais e não estou falando só de educação. Nós negros não queremos cotas, o que nós queremos na verdade é um país com sistema público de ensino decente e sem exclusões, mas a realidade brasileira é outra. Queremos um país que respeite as diferenças e crie condições de acesso a todos, sem exclusões de qualquer tipo. A campanha da mídia contra as políticas afirmativas, em especial a criação de cotas nas universidades públicas, é um verdadeiro crime, mais um que se comete contra todos aqueles que querem ver um Brasil diferente, mais justo e decente, um Brasil feito para todos.  | O Problema é o seguinte: - Como dizer que alguem é negro sem estar cometendo o crime constitucional de Discriminação ? - Como dizer que alguem não é negro sem estar cometendo o crime constitucional de Discriminação ? >>> Sendo assim eu sou NEGRO ! ( Tanto quanto a foto da garota na reportagem dos transgenicos na página inicial ) e quero minha Cota !!! E os "brancos", "amarelos", "pardos" e "azuis" que são pobres mas não são negros ? Não teriam eles direito as cotas tb ? Não é algo que visa dar igualdade cultural ? Ou é só uma demagogia eleitoreira racial ?! Eu mesmo, seu comentário é típico das elites brancas que nunca passaram pelo processo de marginalização, e aqui não falo de marginalidade, falo do imposto processo de marginalização. Se vc ja tivesse sentido na pele o preconceito não estaria dizendo isso. Nós negros não defendemos simplesmente as cotas apenas para os negros, defendemos um país melhor.  | Compas, uma coisa me preocupa: num país tão miscigenado quanto o nosso, como definir quem é negro pra preencher as cotas? Nos EUA não há essa dúvida, porque lá todo mundo que não for brancão, tiver cabelo e não falr espanhol nemárabe é "negro" por definição. Mas e aqui? Meu bisavô materno era a cara do Sidney Poitier. Minha avó parecia irmã do Nélson Mandela. Mas eu e minha irmã somos bem brancos (eu ainda tenho cara de judeu!) porque entraram outros genes na história. Como estabelecer um critério justo. Se for ascendência, eu também sou negro. Se for declaração própria, como provar que o candidato NÂO é negro? SE for pela aparência externa, qual será o limite? Vale mulato? Moreno? Tem que ser absolutamente negro? O que conta mais, nariz ou cabelo? Talvez o pessoal do Moviemnto negro tenha bolado alguma solução para isto, eu não sei. Mas, independente deste sistema ser justo ou não, quero saber como ele vai funcionar sem ser questionado nos tribunais a cada passo.  | Meu caro amigo eu não concordo com o sistema de cotas RACIAIS, por um único e simples motivo "Não acredito que o Homem Negro seja mais burro que um outro homem qualquer outa coloração" ELITES Brancas ? hahahahahahahah... Vc precisa vir aqui na minha casa, sabia ? Q q é branco ? Alguem 100% Puro de Origem Européria ? Eu não sou! Com certeza te falo isso! Quem é negro ? Alguem 100% Puro de origem Africana ? Nenhum negro no Brasil é! Te Falo isso com certeza ! Alias mesmo pq os Europeus nada mais são do que Africanos que foram morar na Europa e com o passar do tempo sua pele clareou para ajuda-lo a viver em um abiente mais frio e com menos intencidade de luz Solar! Kra se vc fala-se aqui : " Quero um sistema de cotas para pobres " ai eu concordaria com vc ! Mas cotas para Negros ? O q vcs tem de diferentes de mim ? O que eu tenho de diferente de vcs ? O que vcs tem melhor do que eu para ter uma cota para vcs ??? Poxa cara isso sim é racista !!! E outra, vc já imaginou que todos os negros INCLUSIVE OS QUE NÃO PASSAREM POR CAUSA DAS COTAS e sim pela seu próprio mérito, vão se sentir na universidade onde serão vistos como aqueles que "só passaram por causa das cotas" ??? Falo isso pq sou mestiço com mto orgulho e com mto orgulho te digo que na minha família tem pessoas mais claras do que eu, "indiasinhas" ( Nossa c tem q ver como minha prima é uma indiasinha linda ) e negros ! Como c me explica isso ? Meu primo pode ter mais direitos que eu ??? Simplismente pq ele deu a SORTE de ser de uma cor mais escura q eu ??? Mto justo isso né ? E pra te mostrar como não estou me escondendo vou mandar uma cópia deste para seu e-mail!  | Quem é favorável a cota para negros usa de um silogismo simples: os negros são vítimas de injustiças sociais históricas; as vítimas de injustiças sociais histórias encontram grandes dificuldades de alcançar o topo da pirâmide social; logo, os negros encontram essas grandes dificuldades. No entanto, é mister notar que não foram só os negros as vítimas do homem ao longo da história. Vejamos, pois, o exemplo dos sertanejos nordestinos: tão pobres quanto os negros e tão brancos quanto os ricos. Essa divisão da sociedade em grupos que são complementares une no interior de cada um desses grupos classes sociais que são antagônicas. Assim, quando uma emprega doméstica negra se diz favorável as cotas, para que seu filho tenha mais chances de entrar na faculdade do que os filhos de seus patrões brancos, ela também luta para que o filho do Pelé tenha mais chance de entrar do que o de um operário branco. Dentro das fronteiras do capitalismo, as injustiças sociais cometidas ao longo da história só poderão ser corrigidas destinando uma parte das vagas das universidades para os alunos de escolas públicas, sejam brancos ou negros. Muitos dizem que ao invés disso deve-se elevar o nível de tais escolas, para que os alunos destas possam competir em igualdade de condições com os das escolas particulares. O que está agudamente errado: não deve-se fazer isso ao invés daquilo, mas além daquilo. Quanto a questão da Constituição, exigir igualdade aos desiguais é um absurdo. Quem estudou ou estuda em escola pública tem que ter facilitado seu ingresso na faculdade. Querer que a melhoria da escola pública aconteça de hoje para amanhã não é desvario – é um direito do povo e um dever do Estado, ainda mais quando este reconhece a deficiência do ensino que fornece (o que faz ao anunciar a cota para alunos de suas instituições de ensino médio nas de curso superior). A função da cota não deve nem pode ser a de promover a inércia dos governantes no que tange a melhoria das escolas, mas sim beneficiar os alunos que se encontram em uma série na qual, por melhor que fique o ensino, o preenchimento das lacunas abertas nos anos anteriores seja impossível.  | Carlos eu só não concordo com uma coisa "Estudantes de escolas públicas deveriam ter direito a vagas" pois conheço mta gente de boa renda que estuda em escola pública e tb mta gente que não tem tão boa renda mas que o pai rala para colocar numa escola particular, mtas vezes deixando de ter lazer e outras nescessidades básicas para dar conta disto. Ou então como é no meu caso, tb excluiria os bolsistas ! Acho que o critério de avaliação deveria ser a renda do individuo e não sua cor ou seu tipo de escola !  | "Eu Mesmo", a questão da avaliação pela renda seria muito complicada. Veja, uma pessoa pode ter uma renda boa e levar uma vida mais pobre do que alguém que tem uma renda mediana. Isso devido a vários fatores como: número de filhos, número de pessoas dependentes de sua renda (no caso de um adulto, seus pais idosos), e uma serie de outros fatores que, obivamente, atinge apenas uma minoria das pessoas que tem boa renda (dívidas herdadas, parentes em tratamento hospitalar, psicológico ou psiquiátrico, etc, etc.), mas que nem por isso devem ser desprezados. Realmente não tinha considerado o caso dos bolsistas... mas é aquilo, vão dizer que vocês têm as mesmas condições de passar que os que pagam a mensalidade. Eu penso que não, afinal a maioria dos bolsistas não têm as mesmas condições materias de passar que a maioria dos alunos não-bolsistas (estudar com o ar-condicionado ligado, saber que se não passar ano que vem os pais pagam um cursinho pré-vestibular, poder combater o stress indo a eventos culturais, fazendo viagens sem preocupação demasiada com o dinheiro e tudo mais). O vestibular não tá nem aí pra vida das pessoas não. Veja, se alguém tem os avós no hospital durante 6 meses de um ano, ou perde os pais no meio do ano, ou vê sua irmã em depressão por ter sido estuprada, eles nem se importam - mas quem há de negar que essa pessoa tem condições mínimas de passar, por mais que seja inteligente? É um dos princípios do capitalismo, como eu já disse: exigir igualdade aos desiguais. O vestibular é assim também: transforma a gente em número e não quer nem saber.  | A política de cotas, vem de encontro ao princípio pétreo constitucional de igualdade racial, Art. 5 CRFB/88. Ela traz consigo além da infração constituicional, o maior ato racista já observado nos últimos tempos, pois ao mesmo tempo que tenta "privilegiar", os ditos como "diferentes", é veemente quanto a diferença de capacidade, comparadas aos "brancos". Uma pergunta que deixo aos demais internaltas: EXISTE UMA RAÇA BRASILEIRA LITERALMENTE PURA? O que a classe desfavorecida (não somente os negros) precisa é exigir um melhor ensino de base. A política de cotas somente vai piorar o nível das universidades e gerar mais racismo. O alvo não deve ser as universidades, mas o ensino fundamental e médio, esta política de cotas é imediatista e populista. Sejamos inteligentes, lutemos pela qualidade do ensino fundamental e médio, pela melhoria do nível dos professores (isto implica em melhores salários). Começar a casa pelo teto não dá. Estamos provando que somos incopetentes.
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