| O melhor das cotas Por Por Sueli Carneiro 13/11/2003 às 17:37 Sueli Carneiro é pesquisadora do CNPq e diretora do Geledés — Instituto da Mulher Negra O debate sobre as cotas recrudesce e toma novamente espaço na mídia em novo patamar, como reação ao fato concreto de aplicação pela UERJ da lei que assegura reserva de vagas para alunos negros e pardos. Segundo Hélio Santos, quatro argumentos básicos sustentam a negação da aplicação das ações afirmativas: que ela fere o princípio da isonomia; compromete o princípio do mérito; obscurece a questão estrutural da desigualdade que seria a pobreza; e a miscigenação que inviabilizaria a sua aplicação pela impossibilidade de determinação de quem é negro no Brasil. Todos esses argumentos se revezam no debate atual revelando o melhor das cotas que é a sua capacidade de tirar as máscaras do racismo, da discriminação racial, e explicitar a verdadeira natureza dessas ideologias: a legitimação de privilégios raciais e sociais. Elas obrigam que os diferentes interesses envolvidos e beneficiários da exclusão se manifestem. E é por isso que elas são capazes de galvanizar a opinião pública porque o monopólio histórico dos grupos racialmente hegemônicos no acesso as melhores oportunidades sociais se vêem por elas ameaçados. Para preservá-los, diferentes discursos são acionados. A defesa da escola pública de qualidade, velha reivindicação das classes populares, entra na retórica das classes média e alta como remédio para impedir que os excluídos do direito ao conhecimento de qualidade conspurquem com o seu ‘‘baixo nível’’ o reduto de reprodução das elites em que se constitui as universidades públicas por elas privatizadas. A imprensa oferece a sua contribuição cumprindo a função de construir um consenso negativo em relação ao tema seja se posicionando editorialmente, seja ofertando preferencialmente os seus espaços às vozes contrárias e mantendo na invisibilidade ou com espaços menores seus defensores. Articulam-se ao duplo interesse de permanência do status quo excludente e, como alerta o sociólogo José Ricardo em artigo na Lista Racial on line, ‘‘essa campanha contra as cotas revela ainda o interesse das escolas privadas e do monopólio dos cursinhos de pré-vestibular caríssimos, que assim têm reduzidas suas margens de alunos aprovados. E que são possuidores de gordas fatias do mercado publicitário nesses veículos de comunicação’’. Completando o rolo compressor, mobiliza-se o mundo jurídico resgatando a concepção liberal clássica de igualdade que, como afirma Norberto Bobbio em Liberalismo e democracia, é um princípio igualitário porque ‘‘elimina uma discriminação precedente’’. Intencionalmente esse artifício obscurece as ressignificações que a leitura contemporânea vem imprimindo às noções de democracia e igualdade abandonando o caráter formal que lhes foi dado na tradição liberal em prol de uma definição substantiva que busca a equalização de direitos que tem para Bobbio a seguinte formulação: ‘‘a igualdade nos direitos compreende a igualdade em todos os direitos fundamentais enumerados numa constituição, tanto que podem ser definidos como fundamentais aqueles e somente aqueles que devem ser gozados por todos os cidadãos sem discriminações derivadas de classe social, do sexo, da religião, raça, etc.’’ Na contramão dessa visão, as forças em ação contra as cotas colaboram para colocar a pá de cal no velho mito da democracia racial. Graças às cotas, o racismo brasileiro vê-se obrigado a abandonar a sua hipócrita ‘‘cordialidade’’. E, por fim, outro tipo de mensagem vem sendo usada. É a que procura envergonhar e estimular nos negros o complexo de inferioridade e culpa em relação à entrada nas universidades via cotas induzindo-os a considerar que as cotas seriam um atestado de sua incapacidade, que sua entrada nessas condições representaria o sepultamento do ensino superior. São argumentos que convidam os negros a aceitarem a competição desigual instituída ou a conformar-se ao vaticínio imposto pelo racismo que os títulos universitários permanecem monopólio dos grupos social e racialmente hegemônicos. O círculo não poderia se completar sem o concurso da vítima. É preciso torná-la cúmplice de sua exclusão para que o aparato ideológico alcance sua legitimidade plena. Por isso estão sendo ofertados espaços geralmente inexistentes para os negros na mídia para que alguns exercitem sua vocalidade em defesa das teses dos sinhôs.
>>Adicione um comentário Quem fala que a miscigenação impediria a implantação do sistema de cotas pela dificuldade em definição de quem seria negro quer minimizar a discussão. Chega deste papinho freyriano de que vivemos a Democracia Racial, o que nós vivemos é a ditadura racial, a ditadura da branquitude. Definir quem é ou não é negro é muito fácil, todos os dias ao sair da minha casa a POLÍCIA me define como negro. Se o problema for éste, basta pedir as Polícias e aos setores de RH das grandes empresas, pois estas instituições sabem direitinho quem é negro e quem não é.  | Por que só os negros? E os indios e descendentes não merecem ? Esse papo de ditadura racial é pura ignorância. O que existe é uma ditadura da burguesia, dos ricos. Querer reduzir o problema sócio-econômico no Brasil de um ponto de vista racial é distorcer a realidade e despolitizar a questão. Esse tipo de medida, além de não resolver nada, só serve para dividir a sociedade. Enquanto isso, esse sistema podre vai se mantendo vivo, cada vez mais excludente, genocida e imbecilizante.  | O raciocínio é tão simples, um silogismo elementar, que custa não ver desonestidade em quem tenta negá-lo, como dona Sueli Carneiro. Racismo é usar como critério supremo de seleção a cor da pele. A lei de cotas assegura que deeterminado número de vagas é destinado a um grupo com uma tonalidade de pele específica. Não sendo atingido esse número, candidatos com melhores notas, não importa sua condição econômica ou o que fizeram para alcançar tal resultado, serão deixados de lado em favor de outros por não serem da raça contemplada. Não adianta a retórica, até um pouco talentosa, tentar omíti-lo, isso não tem outro nome: é racismo. Essa argumentação desonesta até não mais poder de dona Sueli Carneiro inverte toda a situação, moldando-a a um maniqueísmo que lhe serve à causa na medida. Opor-se às cotas é, na lógica Suelina, racismo. É uma mistura de rótulo odioso mais sofisticado com a estratégia de usar o argumento de acusação como defesa, uma das formas de canalhice argumentativa detectadas por Schoppenhauer já no século XIX. Pode funcionar com ineptos, mas nem todos se enquadram nessa categoria, dona Sueli. É de se notar também o uso de premissas não declaradas como meio dá-las como universalente e a priori verdadeiras, como o de que as cotas são o único - ou melhor - meio de vermos negros no ensino superior. Para terminar, sugiro à dona Sueli que pare de tentar rotular como racista aqueles que não merecem e apenas usam um pouco de cabeça para ver o absurdo dessa lei - inclusive negros. Em vez disso, enxergue esse róulo onde ele se encontra agora: na sua testa.  | Nesse caso, acho que sou racista mesmo. Eu não possuo nada contra negros, brancos, judeus, índios, árabes, americanos...mas pelo visto sou racista mesmo. Ora, eu sou racista porque reconheço que vivo em uma sociedade racista que ao invés de encarar seu passado racista com a vergonha que deveria, joga-o para debaixo do tapete (como tudo de ruim que acontece aqui mesmo). E dessa mesma forma, sou racista por achar que a sociedade branca dominante (que não é sinônimo de maioria) tem um débito com a sociedade negra, débito esse maior do que com outras minorias (como os indígenas, homossexuais e turcos). As cotas são uma medida racista? Talvez, afinal, não é só abrindo vagas em universidades federais que pode-se esquecer mais de 300 anos de escravidão em terras brasileiras. Mas é um começo...é uma vitória que pode desencadear uma série de conquistas para que os negros no Brasil sejam vistos finalmente em igualdade.  | Continuando a historinha anterior: ... E assim eu salvo todos os coitadinhos "pretinhos" do mundo ocidental, virando o maior herói do Brasil e tornando todos os excluidos da sociedade( Que são sempre negros {e não homossexuais ou turcos ou japoneses ou indios ou brancos pobres ou mestiços ou qualquer outro} para merecerem cotas exclusivas ) ..." Kra chega de Hipocrisia ! Vc sabe quem entregou os Negros para a escravisação ? As próprias civilizações Negras inimigas que quando dominavam outra vendiam os seus integrantes como escravos para os Europeus !!! Os Europeus NÃO precisavam entrar na Africa para escravisar !!! Só os negros foram escravisados é ? E os Judeus ? Sim Os judeus, decendentes dos hebreus, povos BRANCOS que foram escravisados pelos egípicios POVOS NEGROS DA AFRICA !!! ???? Judeus estes que sofreram DENOVO depois com os Nazistas !!! Poxa esse pra mim é o povo mais injustiçado do mundo! E ele Hj não fica pelos cantos chorando, tornaram-se o povo mais poderoso do mundo !!! Kra, digo isso falando por todos os negros e "quase negros?" que eu conheço ! Nenhum deles quer essa merda ! Pq nenhum deles quer ser apontado na rua como RETARDADO que precisa de cotas pra entrar numa universidade ! Isso é mais do que uma ofença pra todos os que querem entrar por si mesmos em uma universidade pública e para aqueles que JÁ estão lá !!! Kra se vc não quer respeitar a constituição que deveria ser o patamar de tudo, respeite apenas a liberdade, o direito de livre escolha e o direito SUPREMO de Igualdade !!!  | esse site eh uma merda n tem nada sobre escravidao de brancos vou processalos perdedores!!!!!!!!!!!! qual eh o problema de vcs?? q merda de site eh esse?? pqp vcs anum tinham mais oq faze naum?...uhn
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