| Semana da Consciencia Negra - Viva Mestre Pastinha! Por Zumbi 14/11/2003 às 01:56 sobre a vida de Mestre Pastinha:  Mestre Pastinha Quem é Mestre Pastinha? Vicente Ferreira Pastinha nasceu em 05 de Abril de 1889 e morreu em 13 de Abril de 1981. Aos 10 anos inicia na capoeira pelas mãos de um ex-escravo, Benedito, de origem angolana, com 12 anos entra para a Marinha, onde aprende esgrima, sai da Marinha com 20 anos e trabalha como vigilante de casas de jogos e como “pintor artista”. Em 1935, com 45 anos recebe de Mestre Amorzinho a direção da capoeira angola de Salvador. Em 1941 registra o Centro Esportivo de Capoeira de Angola no Pelourinho. Centro este, gerador dos maiores mestres angoleiros da atualidade: Mestre João Pequeno, Mestre João Grande, Mestre Curió, Mestre Morais e outros. Em 1964 representa o Brasil no Festival Internacional de Arte Negra em Dacar (África). Escreve o primeiro livro do gênero “Capoeira Angola” e lança o primeiro disco de músicas desta arte. Em 1978, com 88 anos perde a visão, mas com os olhos dos discípulos ainda conduz o jogo. Despejado de sua academia, morre em 13 de Abril de 1981, quando a capoeira é reconhecida pelos poderes públicos como fenômeno cultural. ......... ......... ......... "Capoeira angola, mandinga de escravo em ânsia da liberdade. Seu princípio não tem método e o seu fim é inconcebível ao mais sábio capoeirista. Capoeira é amorosa, não é perversa. É um hábito cortês que criamos dentro de nós, uma coisa vagabunda." Mestre Pastinha (considerado hoje guardião da capoeira angola).
URL:: http://C:\Meus documentos\Paralelo20\Angola.htm >>Adicione um comentário A Capoeira Angola foi arma fundamental na libertação dos escravos e é hoje essencial ao trabalho da Soma. O potencial bioenergético dos movimentos de ataque e defesa, junto à capacidade de despertar em seu praticante o potencial de enfrentamento necessário a luta contra a neurose, tornaram a capoeira angola nosso principal campo de pesquisa. Mistura de dança, luta, teatro e brincadeira, seu universo é tão amplo e apaixonante que resultou em livro: "A Liberdade do Corpo – Soma, capoeira angola e anarquismo" de João da Mata, é a mais recente publicação do Coletivo Anarquista Brancaleone. A capoeira angola foi uma manifestação de negros escravos que, diante da opressão, buscaram uma forma de reação. A influência étnica, cultural e religiosa dos africanos também são fatores determinantes em seu desenvolvimento. Há dez anos pesquisando sua utilidade terapêutica, procuramos destacar o papel social e político que a capoeira desempenhou no processo de luta antiescravocrata: caracterizou-se por uma revolta, por uma reação que se colocou como alternativa à escravidão e à conseqüente conquista da liberdade. A criação da Soma representou uma possibilidade, no campo terapêutico, para o processo de liberdade diante de uma situação opressiva e reacionária como a escravidão. A Soma surgiu durante a ditadura militar vivida no Brasil nas décadas de 1960 e 1970. Neste período, quem não concordasse com as limitações impostas pelo regime, sofria severas punições como prisões, torturas, exílio e morte. O que se buscou nessas situações foi encontrar formas de reação ao autoritarismo imposto. Hoje, vivemos uma democracia neoliberal, que impõe uma sutil forma de controle e se torna muito mais complexa em suas malhas de poder. A sutileza é sua grande arma: já não percebemos claramente onde navega o autoritarismo e notamos apenas seus efeitos. A escravidão negra ou as ditaduras foram substituídas por um processo de lenta e progressiva diminuição do poder crítico e da autonomia das pessoas, gerando seres dóceis e passivos. Essa domesticação do ser humano começa desde a infância, estendendo-se pela adolescência até atingir a vida adulta, criando homens e mulheres apáticos e acomodados, sem espírito de luta. Educadas por meio de uma pedagogia alienante, a maioria dos jovens tornam-se obedientes e submissos. Tanto a pedagogia doméstica quanto a escolar, quando coercitivas, criam pessoas sem a capacidade crítica e sem o desejo de participação ativa na sociedade. Um ponto fundamental e em comum na Soma e na capoeira é a importância do corpo. O negro – mera mercadoria, bem de propriedade de um senhor ou dono a ser usado até o fim, a morte ou a velhice –, por meio da capoeira, utilizou seu corpo como arma de luta para reagir à opressão. O resgate da identidade corporal foi um fator determinante para utilizá-lo como instrumento de defesa e reação. Isto é o que a Soma procura realizar nos corpos e nas pessoas, para que possam se defender e lutar, inclusive com a capoeira, contra a escravidão branca do autoritarismo capitalista neoliberal. (Trecho do livro "A Liberdade do Corpo" de João da Mata, Ed. Imaginário)  | www.angu.net/paralelo20/Angola.htm
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