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| | Milton Santos: "Ser Negro no Brasil Hoje" Por Milton Santos 13/11/2003 às 22:40 Artigo escrito por Milton Santos em 07 de maio de 2000  Milton Santos Ética enviesada da sociedade branca desvia enfrentamento do problema negro
Há uma frequente indagação sobre como é ser negro em outros lugares, forma de perguntar, também, se isso é diferente de ser negro no Brasil. As peripécias da vida levaram-nos a viver em quatro continentes, Europa, Américas, África e Ásia, seja como quase transeunte, isto é, conferencista, seja como orador, na qualidade de professor e pesquisador. Desse modo, tivemos a experiência de ser negro em diversos países e de constatar algumas das manifestações dos choques culturais correspondentes. Cada uma dessas vivências foi diferente de qualquer outra, e todas elas diversas da própria experiência brasileira. As realidades não são as mesmas. Aqui, o fato de que o trabalho do negro tenha sido, desde os inícios da história econômica, essencial à manutenção do bem-estar das classes dominantes deu-lhe um papel central na gestação e perpetuação de uma ética conservadora e desigualitária. Os interesses cristalizados produziram convicções escravocratas arraigadas e mantêm estereótipos que ultrapassam os limites do simbólico e têm incidência sobre os demais aspectos das relações sociais. Por isso, talvez ironicamente, a ascensão, por menor que seja, dos negros na escala social sempre deu lugar a expressões veladas ou ostensivas de ressentimentos (paradoxalmente contra as vítimas). Ao mesmo tempo, a opinião pública foi, por cinco séculos, treinada para desdenhar e, mesmo, não tolerar manifestações de inconformidade, vistas como um injustificável complexo de inferioridade, já que o Brasil, segundo a doutrina oficial, jamais acolhera nenhuma forma de discriminação ou preconceito.
500 anos de culpa
Agora, chega o ano 2000 e a necessidade de celebrar conjuntamente a construção unitária da nação. Então é ao menos preciso renovar o discurso nacional racialista. Moral da história: 500 anos de culpa, 1 ano de desculpa. Mas as desculpas vêm apenas de um ator histórico do jogo do poder, a Igreja Católica! O próprio presidente da República considera-se quitado porque nomeou um bravo general negro para a sua Casa Militar e uma notável mulher negra para a sua Casa Cultural. Ele se esqueceu de que falta nomear todos os negros para a grande Casa Brasileira. Por enquanto, para o ministro da Educação, basta que continuem a frequentar as piores escolas e, para o ministro da Justiça, é suficiente manter reservas negras como se criam reservas indígenas. A questão não é tratada eticamente. Faltam muitas coisas para ultrapassar o palavrório retórico e os gestos cerimoniais e alcançar uma ação política consequente. Ou os negros deverão esperar mais outro século para obter o direito a uma participação plena na vida nacional? Que outras reflexões podem ser feitas, quando se aproxima o aniversário da Abolição da Escravatura, uma dessas datas nas quais os negros brasileiros são autorizados a fazer, de forma pública, mas quase solitária, sua catarse anual?
Hipocrisia permanente
No caso do Brasil, a marca predominante é a ambivalência com que a sociedade branca dominante reage, quando o tema é a existência, no país, de um problema negro. Essa equivocação é, também, duplicidade e pode ser resumida no pensamento de autores como Florestan Fernandes e Octavio Ianni, para quem, entre nós, feio não é ter preconceito de cor, mas manifestá-lo. Desse modo, toda discussão ou enfrentamento do problema torna-se uma situação escorregadia, sobretudo quando o problema social e moral é substituído por referências ao dicionário. Veja-se o tempo politicamente jogado fora nas discussões semânticas sobre o que é preconceito, discriminação, racismo e quejandos, com os inevitáveis apelos à comparação com os norte-americanos e europeus. Às vezes, até parece que o essencial é fugir à questão verdadeira: ser negro no Brasil o que é? Talvez seja esse um dos traços marcantes dessa problemática: a hipocrisia permanente, resultado de uma ordem racial cuja definição é, desde a base, viciada. Ser negro no Brasil é frequentemente ser objeto de um olhar vesgo e ambíguo. Essa ambiguidade marca a convivência cotidiana, influi sobre o debate acadêmico e o discurso individualmente repetido é, também, utilizado por governos, partidos e instituições. Tais refrões cansativos tornam-se irritantes, sobretudo para os que nele se encontram como parte ativa, não apenas como testemunha. Há, sempre, o risco de cair na armadilha da emoção desbragada e não tratar do assunto de maneira adequada e sistêmica.
Marcas visíveis
Que fazer? Cremos que a discussão desse problema poderia partir de três dados de base: a corporeidade, a individualidade e a cidadania. A corporeidade implica dados objetivos, ainda que sua interpretação possa ser subjetiva; a individualidade inclui dados subjetivos, ainda que possa ser discutida objetivamente. Com a verdadeira cidadania, cada qual é o igual de todos os outros e a força do indivíduo, seja ele quem for, iguala-se à força do Estado ou de outra qualquer forma de poder: a cidadania define-se teoricamente por franquias políticas, de que se pode efetivamente dispor, acima e além da corporeidade e da individualidade, mas, na prática brasileira, ela se exerce em função da posição relativa de cada um na esfera social. Costuma-se dizer que uma diferença entre os Estados Unidos e o Brasil é que lá existe uma linha de cor e aqui não. Em si mesma, essa distinção é pouco mais do que alegórica, pois não podemos aqui inventar essa famosa linha de cor. Mas a verdade é que, no caso brasileiro, o corpo da pessoa também se impõe como uma marca visível e é frequente privilegiar a aparência como condição primeira de objetivação e de julgamento, criando uma linha demarcatória, que identifica e separa, a despeito das pretensões de individualidade e de cidadania do outro. Então, a própria subjetividade e a dos demais esbarram no dado ostensivo da corporeidade cuja avaliação, no entanto, é preconceituosa. A individualidade é uma conquista demorada e sofrida, formada de heranças e aquisições culturais, de atitudes aprendidas e inventadas e de formas de agir e de reagir, uma construção que, ao mesmo tempo, é social, emocional e intelectual, mas constitui um patrimônio privado, cujo valor intrínseco não muda a avaliação extrínseca, nem a valoração objetiva da pessoa, diante de outro olhar. No Brasil, onde a cidadania é, geralmente, mutilada, o caso dos negros é emblemático. Os interesses cristalizados, que produziram convicções escravocratas arraigadas, mantêm os estereótipos, que não ficam no limite do simbólico, incidindo sobre os demais aspectos das relações sociais. Na esfera pública, o corpo acaba por ter um peso maior do que o espírito na formação da socialidade e da sociabilidade. Peço desculpas pela deriva autobiográfica. Mas quantas vezes tive, sobretudo neste ano de comemorações, de vigorosamente recusar a participação em atos públicos e programas de mídia ao sentir que o objetivo do produtor de eventos era a utilização do meu corpo como negro -imagem fácil- e não as minhas aquisições intelectuais, após uma vida longa e produtiva. Sem dúvida, o homem é o seu corpo, a sua consciência, a sua socialidade, o que inclui sua cidadania. Mas a conquista, por cada um, da consciência não suprime a realidade social de seu corpo nem lhe amplia a efetividade da cidadania. Talvez seja essa uma das razões pelas quais, no Brasil, o debate sobre os negros é prisioneiro de uma ética enviesada. E esta seria mais uma manifestação da ambiguidade a que já nos referimos, cuja primeira consequência é esvaziar o debate de sua gravidade e de seu conteúdo nacional.
Olhar enviesado
Enfrentar a questão seria, então, em primeiro lugar, criar a possibilidade de reequacioná-la diante da opinião, e aqui entra o papel da escola e, também, certamente, muito mais, o papel frequentemente negativo da mídia, conduzida a tudo transformar em "faits-divers", em lugar de aprofundar as análises. A coisa fica pior com a preferência atual pelos chamados temas de comportamento, o que limita, ainda mais, o enfrentamento do tema no seu âmago. E há, também, a displicência deliberada dos governos e partidos, no geral desinteressados do problema, tratado muito mais em termos eleitorais que propriamente em termos políticos. Desse modo, o assunto é empurrado para um amanhã que nunca chega. Ser negro no Brasil é, pois, com frequência, ser objeto de um olhar enviesado. A chamada boa sociedade parece considerar que há um lugar predeterminado, lá em baixo, para os negros e assim tranquilamente se comporta. Logo, tanto é incômodo haver permanecido na base da pirâmide social quanto haver "subido na vida". Pode-se dizer, como fazem os que se deliciam com jogos de palavras, que aqui não há racismo (à moda sul-africana ou americana) ou preconceito ou discriminação, mas não se pode esconder que há diferenças sociais e econômicas estruturais e seculares, para as quais não se buscam remédios. A naturalidade com que os responsáveis encaram tais situações é indecente, mas raramente é adjetivada dessa maneira. Trata-se, na realidade, de uma forma do apartheid à brasileira, contra a qual é urgente reagir se realmente desejamos integrar a sociedade brasileira de modo que, num futuro próximo, ser negro no Brasil seja, também, ser plenamente brasileiro no Brasil.
URL:: http://www.ige.unicamp.br/~lmelgaco/santos.htm >>Adicione um comentário O sr. Milton provou ser uma pessoa consciente ao escrever esse artigo que define muito bem seu ponto de vista sobre a situação do negro.SÓ QUERIA COMENTAR QUE ESSE TEXTO ME FEZ REFLETIR QUANDO ISSO ACONTECE MERECE REALMENTE OS PARABÉNS!!!!!!!!!!!!!!
Creio eu que o negro por volta do seculo xx ja vinha conquistando o seu espaco...Naquela epoca da escravidao o negro era tratado como ...uma COISA ou melhor um objeto de uso dos poderosos ja hoje , considero os vitoriosos ...por que tanta discriminacao?O nosso pais é considerado uma sociedade negra pense!!!!!!!!!!! Creio eu que o negro por volta do seculo xx ja vinha conquistando o seu espaco...Naquela epoca da escravidao o negro era tratado como ...uma COISA ou melhor um objeto de uso dos poderosos ja hoje , considero os vitoriosos ...por que tanta discriminacao?O nosso pais é considerado uma sociedade negra pense!!!!!!!!!!!  | Este trexto é maravilhoso, meuito bem explicado e de facil leitura, fora que explícita a verdade como ela realamente é!..só que eu acho que ainda no brasil como em outros países que tem uma percentagem gde de negros, o maior discriminador do negro é quase que ele mesmo! pq ouço muitos negros ou simplesmente morenos, que se entitulam como que diferentes onde muitos de pele mais clar, os tratam com tanta naturalidade que não se percebe ase há msm essa diferença peleo tom da pele, já que tem muitos brancos de corações negors, e muitos negros de coração branco!!! eu sou afro descendente, minhas raizes são uma mistura de indio com morenos, tenho meus cabelos crespos, e pele morena, e me orgulho de ser assim, pois no brasil com que em outros paises, se tem alguma coisa feita, foram pelas mãos dos escravos, que la traz, traz conosoco no nosso gen o propiro sangue negro!! a diferença está no coração daquele que ainda ñão encontrou com o senhor Jesus!!! pois da região que ele habitava, ele tbem era de pele morne, não de olhos azuiss...rsss
bjaum a todos!!  | A questão é,o preconceito em geral é cultural e esteriotipado, em uma socidade atual ,no qual o homem é vitima de si mesmo,até que ponto será levada e reutilizada e mantida tal 'juizo de valor' negativo criado !  | Poucos intelectuais no mundo tiveram a capacidade que o Professor Miltom Santos teve de perceber e criticar a realidade. Menor número ainda é o daqueles que conseguem expressar sua idéias de modo tão nítido, preciso e ao mesmo tempo simples. Há várias formas de perpetuação do racismo, vários são seus mecanismos de atuação, formas de manifestação e seus impactos internos e externos em negros e brancos que participam das relações racistas existentes no Brasil. Já há muito, não há mais lugar para essa desculpa de que "é o negro que se auto-descrimina". Como o proprio Professor Milton Santos afirma há "estereótipos que ultrapassam os limites do simbólico e têm incidência sobre os demais aspectos das relações sociais." Precisamos abrir nossas mentes para percebermos as realidades que criamos com o racismo velado que cultivamos em nosso dia-a-dia e isso implica em estarmos dispostos a abrir mão dos "privilégios" que o racismo a brasileira, há 508 anos, garante para a parcela mais clara da sociedade. O racismo violenta primeiro a subjetividade quando mesmo dilacesrada esta resiste e sobrevive, mata o corpo, que inicialmente é privado de seus direitos de cidadania e em seguida aligidado de seus direitos humanos fundamentais. O genocídio não respeita a vida. O corpo negro precisa ser respeitado em sua particularidade, a individualidade de cada negro e as identidades das coletividades negras precisam ser respeitadas em suas singularidades multiplas para que toda a sociedade alcance a cidadania. É hora de lidarmos com as diferenças como algo que nos edifica e trasformar nossas estruturas sociais e econômicas a partir do reconhecimento destas. Sou mulher NEGRA , de pele NEGRA, de alma NEGRA, de coração NEGRO, de consciência NEGRA e enquanto os brancos se acomodam na espera de "um amanhã que nunca chega", com outras e outros irmãos negros nos organizamos para que a escuridão da noite possa parir um tempo de cidadania para todas/os. Mas, esta responsabilidade não é só nossa, é dos não-negros e brancos também. Oxalá que não demore mais 508 anos para vocês assumirem sua responsabilidade na desconstrução da construção social mais infeliz da história deste país.
 | A Matéria abaixo retirada do site http://leitoradeblog.blogspot.com/2008/03/discriminao-ives-gandra-da-silva.html, sob o tema "DISCRIMINAÇÃO CONTRA OS BRANCOS": VOCE É BRANCO? CUIDE-SE! Hoje, tenho eu a impressão de que o 'cidadão comum e branco' é agressivamente discriminado pelas autoridades e pela legislação infraconstitucional , a favor de outros cidadãos, desde que sejam índios, afrodescendentes, homossexuais ou se auto-declarem pertencentes a minorias submetidas a possíveis preconceitos. Assim é que, se um branco, um índio ou um afrodescendente tiverem a mesma nota em um vestibular, pouco acima da linha de corte para ingresso nas Universidades e as vagas forem limitadas, o branco será excluído, de imediato, a favor de um deles. Em igualdade de condições, o branco é um cidadão inferior e deve ser discriminado, apesar da Lei Maior. Os índios, que pela Constituição (art. 231) só deveriam ter direito às terras que ocupassem em 5 de outubro de 1988, por lei infraconstitucio nal passaram a ter direito a terras que ocuparam no passado. Menos de meio milhão de índios brasileiros - não contando os argentinos, bolivianos, paraguaios, uruguaios que pretendem ser beneficiados também - passaram a ser donos de 15% do território nacional, enquanto os outros 183 milhões de habitantes dispõem apenas de 85% dele.. Nesta exegese equivocada da Lei Suprema, todos os brasileiros não índios foram discriminados. Aos 'quilombolas' , que deveriam ser apenas os descendentes dos participantes de quilombos, e não os afrodescendentes, em geral, que vivem em torno daquelas antigas comunidades, tem sido destinada, também, parcela de território consideravelmente maior do que a Constituição permite (art. 68 ADCT), em clara discriminação ao cidadão que não se enquadra nesse conceito. Os homossexuais obtiveram, do Presidente Lula e da Ministra Dilma Roussef, o direito de ter um congresso financiado por dinheiro público, para realçar as suas tendências, algo que um cidadão comum jamais conseguiria. Os invasores de terras, que violentam, diariamente, a Constituição, vão passar a ter aposentadoria, num reconhecimento explícito de que o governo considera, mais que legítima, meritória a conduta consistente em agredir o direito. Trata-se de clara discriminação em relação ao cidadão comum, desempregado, que não tem este 'privilégio', porque cumpre a lei. Desertores e assassinos, que, no passado, participaram da guerrilha, garantem a seus descendentes polpudas indenizações, pagas pelos contribuintes brasileiros. Está, hoje, em torno de 4 bilhões de reais o que é retirado dos pagadores de tributos para 'ressarcir' àqueles que resolveram pegar em armas contra o governo militar ou se disseram perseguidos. E são tantas as discriminações, que é de se perguntar: de que vale o inciso IV do art. 3º da Lei Suprema? Como modesto advogado, cidadão comum e branco, sinto-me discriminado e cada vez com menos espaço, nesta terra de castas e privilégios.(Ives Gandra da Silva Martins - renomado professor emérito das universidades Mackenzie e UNIFMU e da Escola de Comando e Estado do Exército e presidente do Conselho de Estudos Jurídicos da Federação do Comércio do Estado de São Paulo). XXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXX Segue abaixo meu comentário postado no referido site, em alusão ao que o Ilmo Sr Ives Gandra manifestou: Srs, A Palavra de DEUS nos mostra que no início de todas as coisas houve uma desobediência coletiva (Adão e Eva), e por conseqüência da escolha errada de todos que lá estavam, veio o justo castigo. Uma das sentenças proferidas pelo Criador (especificamente no caso da mulher), foi a respeito de "dominação" ("sua vontade será para teu marido e ele te dominará"), a qual não existia na terra entre os da mesma espécie antes da tal desobediência, segundo as Escrituras Sagradas (todos eram iguais perante a lei divina). Com isso, esse mal entrou no mundo (no coração das pessoas) e, desde então, uns querem dominar os outros, utilizando-se inclusive as multiformes características humanas (cor da pele, tipo físico, etc.). Outra conseqüência daquela rebelião foi a hereditariedade dos sentimentos, de forma que as dominações foram transmitidas geração após geração, de pais para filhos e para netos... Com isso, e com a morte (que pegou uma ?caroninha? na desobediência original do homem), os frutos das ações dos nossos antepassados (que já partiram), nos legaram os acontecimentos que vivenciamos nos dias de hoje. Nada mais justo que os anos de tirania perpetrada pela maioria branca sobre as minorias raciais, amplamente registrados nos livros oficiais (e nas mentes de quem a sofreu, igualmente transmitido de pai pra filho) serem cobrados desta geração, aproveitando-se do momento de verdadeira invasão mundial de uma onda liberal (liberação do aborto, liberação das drogas, defesa do homossexualismo, excessiva defesa do menor infrator, etc.) que ameaça até a sobrevivência da espécie. Vozes caladas se levantaram, sentimentos ocultos se revelaram, desejos reprimidos romperam as amarras da falsa moralidade reinante deste outrora e agora só nos resta acompanhar atentos (e aflitos) aonde o desvario humano nos levará. O certo é que as previsões apocalípticas, a cada dia, estão se cumprindo à risca, e, em breve, segundo o que está escrito na Bíblia aparecerão, no cenário mundial, figuras decisivas para o desfecho daquele ato de rebeldia ocorrido lá no jardim do éden. Queiramos nós ou não, aceitemos ou não, mas, mais uma vez está comprovada a veracidade da Palavra do Criador, pois como está escrito: os filhos pagam pelos pecados dos pais (ler Êxodo 20:5 e 34:7; Números 14:18 e Deuteronômio 5:9). Marcelo Victor  | A grande diferença entre o Brasil e os EUA, é que lá admite-se o fato de que o preconceito existe, e não há hipocrisia em admitir-se racista. Por isso há políticas públicas reais, que apresentam resultados efetivos, há democracia. Desse modo uma família essencialmente negra pode ocupar a casa branca, azul,amarela...enquanto aqui, grande parte dos nossos negros, se aglomeram em barracos das favelas.  | O NEGRO NA BÍBLIA
"A Bíblia tem a cor de todas as culturas; é contemporânea de todas as eras. Ela é um livro apaixonadamente humano e comprovadamente divino." Até a construção do Canal de Suez, não se fazia distinção entre as terras bíblicas. O cenário da atuação divina ia do Nilo ao Eufrates. Para o faraó, a península do Sinai ainda era Egito, e o Egito nunca deixou de ser África. Deste continente, também fazia parte Israel. Aos olhos de Mizraim, os hebreus eram uma nação mais africana que semita. Esta visão haveria de perdurar até 1859, quando o engenheiro francês Ferdinand de Lesseps pôs-se a construir o Canal de Suez. A partir daí, foi a África separada não somente geográfica, mas sobretudo histórica, cultural e antropolo-gicamente do que hoje chamamos Oriente Médio. De repente, aquela milenária extensão da África passa a figurar nos mapas como se fora Ásia.
Conseqüentemente, muitos cristãos deixaram de atentar para um fato importantíssimo: Israel é uma nação tão africana quanto semita, e a mensagem que legou ao mundo teve, como prelúdio, o continente negro. Se tais nuanças não são percebidas pelos leitores da Bíblia, atentemos à explícita participação do negro na História Sagrada. A fim de que a nossa visão se torne mais clara, é mister que comecemos por derrubar alguns mitos tidos como dogmas.
1. Mitos dogmáticos ou dogmas mitológicos? Já disseram que a cor negra é o sinal que o Senhor colocara em Caim por haver este matado a Abel, seu irmão (Gn 4.15). Outros, interpretando de maneira equivocada a profecia enunciada por Noé aos seus filhos, alimentam a hipótese de que o negro surgiu por causa da maldição imposta pelo patriarca sobre a irreverência de Cam (Gn 9.25). Erudição alguma é necessária para se constatar a incongruência de tais mitos. Uma leitura atenta e descompromissada do Livro Santo há de mostrar que semelhantes teses não resistem a um exame mais atento. Teológica e historicamente, são falhas, dúbias, perniciosas. Da História sagrada, infere-se ter sido toda a descendência de Caim destruída pelo Dilúvio. Além disso, a marca que pôs o Senhor no homicida não foi a cor, e, sim, um ideograma, denunciando-lhe o crime. Quanto ao caçula de Noé, o texto do Gênesis não comporta dúvidas: apenas um ramo dos camitas foi amaldiçoado: os cananeus. E a maldição cumpriu-se quando os hebreus tomaram-lhes as terras no século 15 aC. Os outros filhos de Cam são mencionados na Bíblia como nações fortes, poderosas e aguerridas. Haja vista o Egito, a Etiópia, a Líbia e as cidades de Tiro e Sidom. De acordo com a concepção hebraico-cristã, não há nenhuma maldição em ser negro nem bênção alguma em ser branco. A bem- aventurança reside em se guardar os mandamentos de Deus, praticar a justiça e observar a beneficência:
"... Deus não faz acepção de pessoas; Mas que lhe é agradável aquele que, em qualquer nação, o teme e obra o que é justo.", At 10.34-35. 2. A África no índice Bíblico das Nações Conhecido como o índice das Nações, o capítulo 10 do primeiro livro da Bíblia faz referências a pelo menos três grandes nações africanas: Cuxe, Mizraim e Pute (Gn 10.6). Ou seja: Etiópia, Egito e Líbia. Apesar das muitas tribulações de sua história, estes povos vingaram: no passado, império; no presente, o vivo testemunho do vigor das civilizações negras. Durante toda a História Sagrada, o Egito sempre foi temido como potência mundial. À Etiópia era uma nação tão aguerrida e expansionista que, no tempo dos reis de Judá, invadiu a Terra Santa com um exército de um milhão de homens (2Cr 14.9). Quanto à Líbia, era vista pela Assíria como um contrapeso às ambições babilônicas (Na 3.9). Se coletivamente os africanos foram marcantes, individualmente destacam-se no texto bíblico.
3. A mulher negra de Moisés No capítulo 12 de Números, lemos: "E falaram Miriã e Aarão contra Moisés, por causa da mulher cuxita, que tomara: porquanto tinha tomado a mulher cusita", Nm 12.1. Não fora o contexto deste triste e lamentável episódio, seríamos levados a pensar que a profetisa e o sumo sacerdote hebreus eram tão racistas quanto os criadores do apartheid. Todavia, mostra-nos o desenrolar da história que a má vontade de ambos não tinha como motivação o fato de Moisés haver tomado uma negra por mulher. O que eles não toleravam eram os privilégios que o grande líder desfrutava junto a Deus. Como não achassem nenhuma falha no legislador, houveram por bem censurar-lhe a união inter-racial que, diga-se de passagem, não era algo incomum entre os israelitas. Afinal, não se unira Abraão com uma egípcia e com uma egípcia não se casara José? (quanto ao caso de Moisés, permita-me discordar do autor do texto, pois parece claro que se tratou de um caso tipicamente de racismo; porém, é provável que essa passagem esteja registrada nas Sagradas Escrituras exatamente para demonstrar a não acepção do Criador - Marcelo Victor)
4. Eu sou negra e aprazível Como você imagina a Sulamita dos Cantares? Uma nórdica encontradiça nas pinturas sacras da Renascença italiana? E se você descobrisse que o maior poema de amor de todos os tempos foi dedicado a uma negra? Ficaria escandalizado? As filhas de Jerusalém indignaram-se quando Salomão elegeu a formosa pastora de Quedar como a predileta de seu coração. Diante de tão descabida acepção, Sulamita protesta:
"Eu sou morena, mas agradável, ó filhas de Jerusalém, como as tendas de Quedar, como as cortinas de Salomão." (Ct 1.5) Se o texto em português deixa alguma dúvida quanto à cor da formosíssima jovem, o texto inglês, apesar da infelicidade da partícula adversativa, é concludente: I am black but comely. Esta tradução parece estar mais de acordo com o original hebraico. (Permitam-me discordar do autor, pois a narração diz que ela é morena e não negra - Marcelo Victor)
5. O negro que ajudou a Jeremias Jeremias profetizou no momento mais crucial e ingente do Israel do Antigo Testamento. Em breve, seriam os judeus entregues aos babilônios; perderiam em breve a soberania e em breve ficariam sem os mais caros símbolos nacionais e religiosos. É neste momento que aparece o profeta com uma mensagem impopular e nada patriótica: apregoa a submissão ao opressor e condena qualquer esboço de resistência. Por causa de sua atitude, foi Jeremias lançado no calabouço de Malquias (Jr 38.6). E só não morreu porque um etíope chamado Ebede-Meleque intercedeu por ele junto ao rei Zedequias. Por sua corajosa postura, o negro Ebede é honrado até hoje.
6. Os negros no Novo Testamento Muitos africanos ainda vêem a Igreja como típica empresa européia. Ainda se assustam com os pioneiros brancos e barbudos que, desde David Livingstone, cortam a negritude daquelas terras levando a mensagem do Cristo. Em sua origem, porém, a Igreja era tão multirracial quanto hoje. No Dia de Pentecostes encontravam-se em Jerusalém, além dos gregos, romanos e asiáticos, várias nações negras: Egito, Líbia e Cirene. E, nestes países, o Evangelho floresceu de maneira surpreendente. Haja vista a Igreja de Alexandria. Dela sairiam os teólogos Orígenes, Clemente e Atanásio.
Lembremo-nos também do ministro da Fazenda da Etiópia que se converteu quando retornava ao seu país (At 8.26-38). Acredita-se ter sido com este eunuco que teve início a Igreja Copta.
7. Uma visão universal e transcultural da Bíblia Durante vários séculos, a Bíblia foi vista como um livro exclusivamente branco e interpretado colonialisticamente pelas nações européias. Deste triste contexto, excetuamos os missionários que sempre tiveram uma visão universal e trans-cultural das Sagradas Escrituras. Jamais nos esqueçamos de que a Bíblia começou a ser escrita na África. Não é um livro branco, como pensamos; ou exclusivamente negro. A Bíblia tem a cor de todas as culturas; é contemporânea de todas as eras. Ela é um livro apaixonadamente humano e comprovadamente divino.
Respeitosamente.
 | BRANCO CUIDADO: DEUS PODE SER NEGRO
Deus me dê sabedoria Rima, fé, inspiração Pra poder dar um recado Protestar e dizer não, No campo e na cidade Macula a humanidade: A famosa escravidão.
Há outra coisa gravíssima Entre cristãos e ateus: Em busca da "raça" pura Arianos eram os seus Veio Hitler com nazismo Criando um novo racismo Agora contra os judeus!
De modo, que se o mundo Hoje amar a verdade Acha tal mancha histórica Danosa a sociedade Pérfida, soez e tamanha, Que talvez seja a vergonha Pior da humanidade.
Porém, quero me ater No tema do negrófilo Que por conta do racismo Nunca ele viveu tranqüilo, Mas, humilhado, agredido, Renegado e excluído, O negro é sem sigilo!
Assim sendo, para o fato Dos negros, eu lhe remeto Eles têm sofrido muito Numa nação cheia de gueto O branco lhe detratou Mas, nunca se perguntou Se Deus Pai do céu é preto?
Negro foi mercadoria Perseguido e maltratado Até mesmo a Igreja, Já ousou ter afirmado Sem sobrosso e com calma "O negro não tem nem alma" E pode ser explorado!
Por isso, quem era branco Tratou de escravizar Disse: negro não é gente Então vamos lhe explorar E assim a escravidão Teve início então, Mas, demorou terminar.
O Brasil por uns três séculos Espoliou essa gente E mesmo, após libertada Inda sofre atualmente As marcas do preconceito Dum país muito mal feito E uma história indecente.
Eles foram explorados Até por religião Quem devia justamente Lutar por libertação De quem vivia no chicote Apanhando de magote Sem nenhuma precisão.
Se Deus fosse negro e assim Agisse como um feroz O branco por certo iria Ser tratado como algoz E Deus inda ia falar Você veio pra pagar O mal feito a todos nós!
Deus sendo, negro e fosse, Castigador, vingativo Iria cobrar dos brancos Pelo seu mal destrutivo Contra etnia e cor Levando branco ao sabor Do que é ser um cativo.
É bom o branco pensar E deixar qualquer racismo Preconceito não constrói É contra o altruísmo E latente à exclusão, Embora digam que não Extrapolando o cinismo.
Se Deus for negro irá Tratar todos com amor Até o branco cruel Terrível e opressor Pra lhe dá uma lição De que nem à escravidão Lhe tornou um vingador.
Aviso ao patrão branco Não insista em explorar E ao empregado negro Comece logo a pagar O salário do brancão Negro com igual função Igualzinho tem de ganhar.
Sugiro ao político branco Pensar mais e com firmeza Na classe negra oprimida Mergulhada na tristeza Pois, nesse solo altaneiro Nosso negro brasileiro Sofre mais com a pobreza.
Embora o racismo seja Um crime nesta nação Não há se quer um só preso Sendo que a transgressão Acontece toda hora Se preso, logo cai fora Pagando a libertação.
Desembargador, juiz É bom à lei praticar Deixem de hipocrisia E tratem de trabalhar Para punir quem transgride E quem no crime incide, Pague de forma exemplar.
Veio cota em faculdade Precisava muito disso Pois, o governo não tinha Com o negro compromisso E a cota tem por razão Promover a inclusão Porém, não basta só isso.
Tem de lhe dá condição E toda infraestrutura Cursinhos pra prepará-los, De graça, e à sua altura O negro de ginga é nato E recebendo esse trato, Aumentará sua cultura.
Se Deus fosse algum víndice No tempo da escravidão Teria agido na hora Contra a vil exploração: Ao negro salvaria E o branco aprenderia Com uma única lição.
Sem descanso no trabalho Por um feitor, vigiados Quando estavam doentes Trabalhar eram obrigados Mandados pelos colonos Feitos na marra seus donos Além disso, maltratadas.
Em relação, aos brancos O negro pouco pecou Se num momento de "briga" Um negro um branco matou Foi para se defender Quem fez, se, se arrepender, Deus Pai já o perdoou.
O Brasil carregará Na sua história, à sina De racista, escravocrata Exploradora, assassina E foi a última nação A dá a libertação Em toda América Latina.
O Apartheid na África É outro grave pecado O negro em sua pátria Torpemente segregado E quanto mais se investiga Não se encontra um que diga Que por isso é o culpado.
Por isso, branco respeite Toda nossa negritude Que tem direito a lazer Emprego, paz e saúde, Entretanto, o ocorrido É negro ser agredido De forma torpe e rude!
Se Deus é negro ou branco Sua lei não é imposta Só sei que de humilhação Ele é bom e não gosta E há de vir socorrer Ao ver um negro sofrer Nisso até faço uma aposta!
Deus criou o ser humano Para completa igualdade De modo, que todos têm, A mesma dignidade E quem a isso ferir Há de pagar e sentir Por tamanha crueldade.
Jesus Cristo ao certo tinha Seu corpo do sol queimado Tratou todos igualmente A ninguém deixou de lado Então peço a toda gente Pra Ele daqui pra frente Ser por nós mais imitado!
O negro é uma criatura Digna, sábia, preparada Igual a qualquer humano Sendo a imagem criada Do nosso Deus, semelhante, Branco não seja arrogante Pois, cor não quer dizer nada.
Deus não gosta de racismo, Porque foge da razão E faz o negro sofrer Vítima de tanta agressão Branco, por Deus compreenda, E rapidamente aprenda: Já chega de divisão!
Raça só existe uma Somos nós, seres humanos Índio, negro é etnia Vamos deixar os enganos Para haver fraternidade Os negros da humanidade Esperam isso há anos!
A cor de Deus não importa Ele jamais vai mudar Deus Pai nunca deu direito Para ninguém explorar Qualquer outro cidadão Porque ele é seu irmão E Deus só mandou lhe amar.
Varneci Santos do Nascimento
18 de Novembro de 2008 03:53
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