(...20 a 22(?)... no SUBA)
Resumo pessoal: viajens!
energias muito boas!
sem explicações!
mas vou divagar um pouco...
Na quinta chegaram os primeiros participantes. Como novato do CMI fui atrás das fichas de inscrição para saber quem estava ali: rádios Tróia (www.radiodetroia.hpg.com.br), Boca Libre, Magnífica, Grilo, Interferência, além do Instituto SomoS (www.somos.org.br), CMIs São Paulo e Goiânia e SUBA. Apesar da taxa de inscrição não ser obrigatória, apenas 31 pessoas preencheram as fichas de inscrição: nenhum da Muda e nenhum do CMI-Campinas! Perguntando um pouco deu para saber que já estavam também as rádios Ra.La.Co.Co., Xiado, Radioativa (ou rádio X... indefinido), o CMI-Brasília e os Confeiteiros Sem Fronteiras. E no dia seguinte vi aparecerem uns caras de uma rádio de uma escola pública da periferia de Sampa e os “buscadores anarquistas tropicais para docu-fiction no Brasil, do Asilosquat (Torino - www.tutto.squat.net) e amigos da rádio Blackout. E teve a galera da TV... enfim... nem sei direito pois parei de tentar descobrir quem estava...
ahhhh tava também o assessor do Gil, o Cláudio Prado (é isso mesmo né?)
As fichas ficaram lá jogadas...
Curti quando vi na ficha de inscrição um espaço para se colocar o “estado mental”, como no livro de presença dos programadores da Muda..., um espaço para redação (tema livre) e outro para palpites (temas, objetivos)...
“Ju” (Brasília): estado mental “radioativo”
Redação: “Quem fala? Pode? O que é livre... livre, livre, livre. Quem vai na rede vai pra onde? Uma rede pra asas, uma rede para realizações radiantes. De muitos ares, de muitos mares, ouve, fala, Muda!”
Palpites: “Radioatividade plena, trocas, organizar livremente desorganizar, tamos juntos, força sempre!”
“Toya” (mundo): estado “moderado”
“e-mail da rádio
bocalibre@riseup.net p/ contato direto com a rádio” “apresentação das rádios... mas acho que isso vai terminar acontecendo...”
“Philippe” (Floripa): “muy loco no momento”
“Vamos fortalecer o movimento de caráter nacional, como também propor novas alternativas, trocando experiências e idéias!”
“Respondido na redação”
“Paulo” (Floripa): “até onde sei normal (ou quase)”
“Seja diferente de uma pedra [trecho ilegível] seja livre!”
“Até aqui...”
“Rick?” (Goiânia): “meio mané”
Redação: “Pô, muito massa esse encontro!”
“Daniel” (Floripa): “sei lá”
“Rádio de Tróia, programa anomia, rola som de bandas da ilha e sons que não são divulgadas na mídia. A nossa mídia.”
“Boca” (Floripa): “suficientemente anestesiado”
“Transfusão de experiências do dia a dia... seria ótimo, ao menos para mim.”
“Léo” (Floripa): “bem”
“Ainda não”
“Maré” (Floripa): “livre”
“Espero que este seja um encontro parcial, para depois organizarmos outros maiores em outros lugares como Floripa. Há há é nóis!”
“Moreno!” (Floripa): “descontraído”
“Encontros: faz bem saber que não estamos sozinhos no mundo. Faz bem ter força para continuar vivendo.”
“Pedrinho” (SUBA): “pampa”
“É um movimento de apropriação do espaço público, contra o espaço privado.”
“Má” (Goiânia): “período de fortes chuvas (tempo instável que antecede a fertilidade – espero!)”
“Já vi isso antes... custa, mas pega no tranco e vai longe!”
“Lycia” (Floripa): “introspectiva – curiosa”
Palpites: “Qual a relação das rádios livres com o movimento da comunidade?”
“Lucas” (Floripa): “são”
“Discussão sobre a questão do passe livre estudantil. Questão que toma importância cada vez maior nacionalmente.”
“Tomás” (Jundiaí/Floripa): “saudável”
“Articular uma rede nacional de rádios livres a fim de direcionar as atividades, formular uma agenda para o movimento.”
“Tiaraju” (Floripa): “aberto (à troca de experiências)”
“Eu acredito que o grande objetivo deste encontro é que as rádios se conheçam e troquem experiência. Acho que é possível que se crie uma rede de comunicação entre rádios livres, a nível nacional, e discutir formas práticas de articular isto poderia ser uma das pautas do encontro.”
“Moscão” (Floripa): “pilhado...”
“Troca de experiências com os outros coletivos (org. interna, finanças, caráter, dúvidas) com o objetivo de formação do movimento.
“Marcos” (Rio): “sóbrio [ou sábio?], como sempre”
“Sem um centro, sem uma padronização, sem conceitos compartilhados, formar uma rede de auxílio”.
Outros estados mentais:
bom!
não sei
são
??particular??
careta, no momento...
apropriado
desconheço
bom humor
louco
“normal” pero no mucho!
Apenas na quinta a galera preencheu fichas, mas quando já estava claro o domingo apareceu um cara com um papel amassado: era a última ficha, do Vinícius, estado mental: indignado.
A primeira reunião, na quinta, era para discutir como seria o Encontro a partir da proposta inicial formulada pela Muda e colocada na internet para outras sugestões. A reunião serviu para aquecer o debate de alguns temas, como a relação entre as comunidades e as rádios, e a relação entre o ser humano e as técnologias: o momento mais tenso foi quando alguns mudeiros estavam pedindo para as pessoas irem até o microfone, pois o debate estava sendo gravado e transmitido ao vivo, e a galera tava afim de ficar sentada, até que um mudeiro gritou: agora a máquina é mais importante que o ser humano?
O gerador de luz parou de funcionar duas vezes (a reitoria da Unicamp cortou a luz do SUBA logo no começo da ocupação), e na segunda vez a reunião se dispersou de vez. Nada ficou resolvido, e a oficina de rádio arte acabou não acontecendo com o prolongamento da reunião. O apagão me lembrou as histórias da primeira Convenção Nacional Democrática, quando 6 mil pessoas da sociedade civil foram à Selva Lacandona para dialogarem entre si a convite dos zapatistas (México). Os participantes contam que o primeiro dia de discussões foi marcado por divergências e disputas de poder, o que diminuiu após a primeira noite, quando os deuses lançaram sobre eles um temporal que atingiu a todos que dormiam a céu aberto.
O Encontro de Rádios Livres não teve horários. No segundo dia eu saí para dar uns beijos em lugares bonitos de manhã e só voltei de tarde. Vi o assessor do Gil, o começo da roda de softwer livre e fui na reunião informal do CMI-Brasil. A programação já estava toda bagunçada e a roda sobre autogestão e controle editorial começo apenas às 23h e foi até 2:30 da madruga, quando começou a oficina de rádio arte que terminou em programa coletivo indo até umas 7h (teve também a participação especial do lendário Burovick, de uma roda de samba, e dos programas Comuna – da Muda - e Debate em Debate proposto pelo pessoal de Goiânia – uma viajem!!), quando o mixer se encheu e misteriosamente parou de funcionar. Pelo o que dizem, e eu gostei muito também, a roda de autogestão foi a mais bonita. Fluiu lindamente, calmamente, e o local era bem gostoso: o palco circular do Teatro de Arena com uma agradável luz amarelada e som de fundo vindo do programa gláubicos da Muda e depois do programa da galera da Interferência (ao menos eles tavam lá).
No terceiro dia acabei dormindo o dia todo e só acordei às 22:30. Mas deu para chegar para o climax do encontro, a noite da balada. Dá para dizer que tinha separação entre a hora da balada e a hora de debates? Dois ambientes principais: som de roda na fogueira do SUBA, e mecânico feito pelas mulheres em frente à Muda (sem falar que dentro do estúdio tava rolando a transmissão do polêmico Opus Obscurus). A energia tava tão boa que rolou de tudo nessa noite. Não me perguntem! Minha mente já estava em vertigens com tantas impressões contagiosas.
Me lembro por exemplo de uma rodinha de debate ao lado da barraca do povo da Interfência, em que estavam também mudeiros e troianos, com o debate sendo filmado por todos com a filmadora passando de mão em mão. Nessa noite tinha 30 barracas no SUBA e um cara dormindo num lençol sob as estrelas. Teve o pessoal brincando de roda, atentados terroristas, e de manhã o povo ainda estava com a corda toda e não queria ir embora. Já de dia um happening improvisado: uma barraca se insurgiu contra o acampamento no SUBA, com direito até a discursos barracais inflamados, e foi duramente reprimida com pessoas pulando e jogando tralha sobre a barraca. Mas a barraca resistiu heroicamente antes de pegar no sono. O cara dormindo no lençol continuava inacordável e inabalável. Alguns tinham passado três dias sem dormir...
Eu senti que esse encontro serviu para descobrirmos as enormes afinidades existentes entre as rádios livres – movimento que tem ressurgido como um fênix nos últimos tempos – e como os coletivos locais são plurais e participativos, no encontro eles se misturaram como rios trocando águas – diversidade e encontros. Alguns chegaram a se assustar com algumas diferenças nas práticas das rádios, como por exemplo a questão de se ter ou não uma carta de princípios formais numa rádio, mas na minha opinião não houve polarização e o “susto” foi mais pelo “trauma” que temos com práticas políticas tradicionais. Nesse encontro ninguém estava querendo “conscientizar” ninguém. Também não foi preciso uma “decisão geral” da organização do encontro: ele fluiu naturalmente com os ritmos e tempos de cada um e do coletivo dos grupos presentes.
Ai ai... que sono...
Que energia boa! Sinal disso é estar escutando agora o programa Nave Mãe que está debatendo as rádios alternativas (puta debate!)... e o telefone não para! Ligou até o Moreno da Tróia que está escutando a Muda em Floripa...
Encontro de uma diversidade de histórias... e caminhos...
No “programa” do encontro está www.radiolivre.org ... pô ainda não olhei esse site.. o que será isso?
A rede podia chamar “Babel”, a rede de redes ou sei lá o que, sem fronteiras hehehe
