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| | Hardware livre?
Será mesmo???
Hardware livre? Por Deck Cowboy. O movimento do software livre pode estar dificultando a vida das empresas que desenvolvem programas comerciais de computador.Mas será que ele consegue fazer o mesmo com o hardware? De acordo com Damjan Lampret,fundador da OpenCores.org,um consórcio de desenvolvedores dedicado a aplicar o conceito de código-fonte aberto ao design de hardware,a resposta é sim. Falando diante de um grupo de 30 representantes da indústria de hardware presentes no Centro de Liberdade e Tecnologia de Mountain View,Califórnia,na última segunda-feira à noite,Lampret apresentou o mais recente desenvolvimento da companhia:um microprocessador desenvolvido exclusivamente a partir de projetos disponíveis abertamente. Esta,afirma Lampret,é a primeira vez que uma organização ultrapassa a barreira imposta pelas tecnologias patenteadas para desenvolver um chip completo do tipo system-on.Esses microprocessadores são desejáveis porque contêm diversas unidades de controle com as quais é possível construir computadores com menos componentes separados. Para Lampret,a novidade pode levar a indústria de hardware a desenvolver dispositivos mais baratos e avançados nos próximos anos."O hardware sempre foi muito fechado,até mais do que o software", disse ele numa entrevista concedida esta segunda."Mas nosso chip mostra que a tecnologia aberta pode competir com sucesso no espaço do hardware". Distribuído com a crença de que a tecnologia deve ser livre de patentes e taxas de licenciamento, nos últimos dez anos o software livre deixou de ser um hobby de nerds para se tornar uma atividade que preocupa nomes estabelecidos da indústria.Os defensores desse tipo de desenvolvimento esperam poder alcançar os mesmos resultados das empresas de hardware ao estimular os fabricantes a incorporar os projetos de várias tecnologias da OpenCores em seus próprios produtos, o que lhes permitiria economizar tempo e dinheiro nas operações de pesquisa e desenvolvimento. Isto, por sua vez, deve reduzir o custo do hardware e impulsionar o desenvolvimento de novas tecnologias livres. "Isto tem o potencial de resolver um número razoável de problemas da comunidade de código-fonte aberto", afirma Bruce Perens,autor da Definição de Software Livre."Por exemplo,os desenvolvedores de Linux tiveram problemas para conseguir o apoio de fabricantes de placas 3D e Wi-Fi no passado.Hoje,a comunidade tem meios para desenvolver alternativas aos hardwares fechados". De acordo com Lampret,um importante distribuidor de equipamentos, cujo nome ele não quis identificar, já pensa em colocar o sistema da OpenCores em produção. Apesar disso, a Intel diz não se sentir ameaçada com a novidade."Os processadores desenvolvidos pela Intel são muito mais complexos do que esses", disse o porta-voz Chuck Malloy. "Desenvolvemos chips para alta performance, e parece que eles estão mais preocupados com dispositivos integrados de baixa potência". De fato,a CPU atualmente incluída no sistema da OpenCores roda apenas a 160 MHz, e não oferece suporte a operações de ponto flutuante, uma necessidade para a realização de cálculos complexos. Para fazer uma comparação, os processadores Intel Pentium mais rápidos do mercado oferecem velocidades de até 3,2 GHz e são usados na construção de supercomputadores que realizam trilhões de operações e ponto flutuante por segundo. Malloy também destaca que o objetivo de desenvolver um processador aberto provavelmente será prejudicado pelas atuais tecnologias patenteadas. "É importante ter em mente que existem, hoje em dia, cerca de 100 mil patentes cobrindo tecnologias usadas nas CPUs atuais", afirma. "Seria difícil construir um projeto de processador totalmente livre". Durante as últimas duas décadas, as empresas de hardware trabalharam duro para patentear até seus processos tecnológicos mais básicos. Um exemplo disso, a empresa californiana Cadtrak, possui uma disputada patente cobrindo o uso de uma operação matemática simples, conhecida como XOR, para controlar o ato de arrastar cursores sobre imagens. Mesmo que uma empresa chegasse ao mesmo processo através de seus próprios esforços, poderia ser levada à justiça por violar registros de patente. Ações judiciais assim não são baratas. De acordo com a Associação Americana de Propriedade Intelectual, um processo por violação de patente custa, em média, de US$ 500 mil a US$ 2,5 milhões - cifras que organizações pouco centralizadas de desenvolvedores independentes normalmente não têm. Perens, que estava presente na apresentação de segunda-feira, admitiu que as patentes serão um desafio para os desenvolvedores da OpenCores, mas destacou que o processo de contornar tecnologias controladas por interesses privados pode levar a mais inovações. "Com os projetos da OpenCores, os engenheiros terão a oportunidade de fazer mais experimentos com o hardware do que nunca", ressaltou Perens. "Nesse sentido, isto representa o mesmo tipo de mudança que vimos em 1994 no mundo do software. Os desenvolvedores, de uma hora para outra, passaram a poder programar em suas horas vagas, e veja só as implicações que isso teve".
Um longo e difícil caminho É uma ideia que deve ser levada a sério, seria um grande passo para a inclusão digital pois o hardware ficaria mais barato e possibilitaria que muitas pessoas que hoje não possuem um computador devido ao preço pudessem te-lo. Mas fica a pergunta: é viavel? Creio que não seja tão fácil assim. A pesquisa para desenvolver um software é muito mais fácil, rapido e barato do que para desenvolver um hardware. Mais difícil ainda é torna-lo popular, haja vista o amplo domínio das atuais arquiteturas de hardware. Tem que se lembrar que a internet via rede de energia elétrica foi apresentada como alternativa para o barateamento e distribuição, e embora testes de laboratório tenham mostrado que era possível, na prática mostrou-se impossível. Nem sempre boas idéias tornam-se soluções reais, mas não custa tentar. Ronja Olá,
Um grande exemplo de hardware livre é o projeto desenvolvido por estudantes da Universidade de Praga, República Tcheca, chamado Ronja. O que é o Ronja? Trata-se de um transceptor de dados sem fio para interligar 2 redes (ou computadores)à uma distância de até 1,4KM (ou 2KM usando também wi-fi)via feixe de luz (não é laser, mas sim luz comum, mono cromática emitida por um led de alta potência). A velocidade do link é de 10MBit/s Full-Duplex (velocidade normal de rede caseira) e a interface com o PC é uma simples e comum placa de rede RJ45 ou uma rara placa de rede AUI (padrão utilizado pelos tchecos). Até pouco tempo o projeto era inviável para os brasileiros pois só tinha interface projetada para placas de rede AUI (cujo plugue é igual ao de porta de joystick, com 15 pinos, DB15, e não como a RJ45, semelhante a do telefone). Como o projeto é aberto, aceita colaboração de qualquer pessoa do mundo, há várias modificações propostas, entre elas a do croata Silvije, que ajudou muito os brasileiros, mesmo sem saber, adicionando a interface RJ45 ao projeto. Deste então podemos montá-lo sem problemas. O Ronja é altamente desenvolvido, conta com uma forte mail list de discussão com aproximadamente 15 mensagens/dia. Ele é utilizado para conectar casas de amigos, dormitórios de universidades até o servidor internet e alguns provedores inclusive o utilizam para conectar os seus clientes ao servidor internet, resolvendo então o velho problema da última milha. Por enquanto ele foi apenas montado nos países centro-europeus, todos não são ricos ( República Tcheca, Eslováquia, Hungria, Croácia e outros). Á única excessão é a Espanha, no oeste e rica. A proposta do Ronja é que você monte ele em casa, comprando componentes de baixo custo e de fácil acesso com o suporte técnico dos desenvolvedores e colaboradores (também usuários do projeto) na Mail List. Eu já comprei todos os componentes para montá-lo e estou prestes à fazê-lo. Deverei me tornar o primeiro fora da Europa a montá-lo. Devo instalar ele na cidade de Matinhos-PR ou Curitiba-PR para interligar o meu PC ao de outros amigos. Sem dúvidas vale apena montar um. O custo/benefício é ótimo. Estimo (ATENÇÃO: AINDA NÃO CALCULEI, MAS DEVO CALCULAR NOS PRÓXIMOS DIAS) que cada transceptor Ronja custe em torno de 70 reais pronto no máximo(feito em casa). Para se ter idéia, para se montar um link de 1,4KM utilizando a tecnologia comercial mais barata para tal, a Wi-Fi (2,4GHz), você irá gastar no mínimo 130reais sem contar com as antenas, além de estar sujeito às regras da Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações), que neste caso libera o uso desde que a potência dos transmissores não ultrapasse 1W, se eu não me engano. O Ronja utiliza feixe de luz para transmitir os dados, ou seja, a mesma radio-frequencia que a luz do Sol. É praticamente impossível que algum governo no mundo tente regulamentar o uso desta frenquência (da luz), que neste caso tem comprimento de onda de 625-630nm (vermelho-alaranjado, visível). O colaborador Silvije já fez testes com um chaveiro laser comum modificado, destes de camelô, e comprovou que ele pode ser utilizado para a transmissão dos dados a 10Mbit/s sem percas. Bom, aproveitando o assunto, quero falar um pouco sobre a grande explosão de redes abertas sem fio que utilizam a tecnologia wi-fi (2,4Ghz): Em todo o mundo estão surgindo, já há alguns anos, redes sem fio abertas com o intuito de interligar numa só rede os computadores caseiros da região. A metodologia é a seguinte: compre a sua placa de rede sem fio, monte a sua antena em casa, ou monte-a e aponte a mesma para o servidor central de sua região gratuitamente. Assim você poderá, por exemplo, compartilhar arquivos, fazer video-conferências, conversas por voz, jogar online e outras coisas em alta velocidade com o seu amigo do outro lado da cidade e o melhor de tudo: 24 horas sem pagar nada! Este é o caso da CzFree, que inicialmente funcionava apenas na capital da República Tcheca mas que logo se expandiu para todo o país, permitindo que você, na fronteira com a Aústria, mande um arquivo, fale ou jogue gratuitamente e por tempo indeterminado, com um amigo na fronteira com a Eslováquia, por exemplo. É ou não é incrível? Há redes menores ,que não englobam todo o país, mas que também fazem sucesso, como por exemplo: MadridWireless (Madrid-Espanha), ZaragozaWireless (Espanha), GuadaWireless (Guadalajara, México), SantiagoWireless (Santiago, Chile), FreeBaires (Buenos Aires, Argentina), RedLibre(Argentina). Como pode-se observar, está ao alcance dos brasileiros pois muitos dos países desta pequena lista acima estão em condições econômicas semelhantes ao Brasil, como o Chile, México e Argentina. Este tipo de rede, aberta, tem um benefício muito grande para todos os que a utilizam, com possibilidades tremendas e, com a expansão delas no Brasil, poderiam ser interligadas formando uma rede nacional. Algo como uma BrWireless. Imagine poder gratuitamente se conectar de Fortaleza com alguém de Porto Alegre! Sim, é possível, desde que nos unamos. Pois como se diz "Sonho que se sonha só, é só um sonho que se sonha só, mas um sonho que se sonha junto é um sonho que irá se realizar". Você dirá que eu sou um sonhador, mas eu não sou o único ;-) Sites: Ronja: http://ronja.twibright.com Silvije: http://www.silvije.tk Autor deste texto: http://www.canalaser.tk OBS: Se você se interessou pelo assunto (informações) não se preocupe: eu estou reunindo todas as informações que obtive durante estes últimos anos de pesquisa sobre o assunto (Ronja, FSO e Wi-Fi) e estou reunido-as em um novo site. O Canal Laser está muito desatualizado. Obrigado pela atenção e interesse. Acho que se você leu tudo até aqui eu posso te considerar mais um de nós. Obrigado. Alexandre Hoffmann Ventura 6 de janeiro de 2004 alexandre@vcs.com.br www.canalaser.tk
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