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"Queremos somente o que é nosso"
Por GUARANI-KAIWÁ - MS 22/01/2004 às 16:15

A Polícia Estadual do Mato Grosso do Sul, a Polícia Federal e o Exército montaram uma mega-operação de guerra com 600 homens, dois helicópteros e duas aeronaves para retirar cerca de 3000 índios Guarani-Nhandeva e Guarani-Caiová que retomaram 14 fazendas em área reconhecida como indígena pela Funai e Ministério Público Federal no município de Japorã, no sul do Estado. Os índios são da aldeia de Porto Lindo, onde 3200 guaranis vivem espremidos em apenas 1600 hectares - 0,5 hectare por pessoa, quando um lote do Incra na região tem 50 hectares. A área exígua torna impossível a sobrevivência mesmo utilizando as técnicas mais modernas de agricultura, o que faz com que os guaranis do MS tenham as mais altas taxas de suicídio do Brasil. O próprio prefeito de Japorã, Sebastião Aparecido de Sousa, defende a justeza dos pleitos dos índios - "Qualquer brasileiro, qualquer ser humano com um mínimo de senso de justiça, não pode ser contra a causa indígena...Tem de olhar situação dos índios também, coisa que não faz a grande imprensa".

Os índios prometem resistir até a morte na defesa de suas terras ancestrais. Em carta entregue às autoridades, declaram: "Queremos somente aquilo que é nosso, que nos pertence de direito, que é a nossa terra, não estamos invadindo as fazendas, estamos apenas ocupando a nossa terra, queremos apenas plantar e colher, e viver em paz nesse nosso yvy katu. Se for preciso iremos dar a nossa própria vida, lavar de sangue esse nosso yvy katu, porque sempre foi assim, não há lugar no Brasil, que não tenha marcas de sangue de índios que deram suas vidas e derramaram seu sangue na luta para conquistar seus direitos e pela sua terra"

No dia 21 à tarde cerca de 300 fazendeiros fortemente armados atacaram os índios. Um indígena teria sido baleado. No mesmo dia a noite, informações desencontradas dão conta de que a desembargadora federal Consuelo Yoshida teria suspendido a reintegração de posse.

Breve histórico dos guaranis:

Os Guaranis foram juntamente com seus irmãos Tupis (com quem compartilham praticamente a mesma língua), as duas maiores e mais poderosas nações do território brasileiro antes da chegada dos portugueses. Eram os senhores do Paraguai, do sul do Brasil e da Bolívia e do norte da Argentina e do Uruguai, guerreiros e agricultores plantadores de milho.

Século XVI - conquistadores liderados pelo basco Martínez de Irala chegam ao Paraguai e são bem recebidos pelos Guaranis. Da mestiçagem tem origem o povo paraguaio.
Século XVII - dezenas de milhares de Guaranis das missões jesuíticas são escravizados pelos bandeirantes até a derrota definitiva destes na batalha de Mboboré (1641)
Século XVIII - a República Jesuítica dos Guaranis floresce e atrai a admiração do mundo inteiro até ser destruída na Guerra dos Sete Povos das Missões (1754-1756).
Século XIX - terceiro holocausto Guarani - a população masculina é praticamente exterminada na Guerra do Paraguai (1864-1870).
Início do século XX - graças aos esforços do Marechal Rondon e do etnólogo Nimuendaju, os Guaranis do Brasil começam a se recuperar

Links relacionados:

[ Fotos do confronto entre índios e fazendeiros no MS - 21/01 | Cartum | Moção de repúdio do Sintusp ao despejo | Inminente represión sobre miles de indígenas en la frontera con Paraguay (CMI Argentina) | Guaranis - Instituto Socioambiental | Funai | Página sobre os guaranis em português | Página sobre os guaranis em espanhol ]

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Comentários


Força para os povos Guaranis!
v 22/01/2004 20:37

Toda a força do mundo para os povos Guaranis!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
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Sem fronteiras
maria 22/01/2004 21:01

ouvi uma pessoa reclamando sobre haverem indios la que sao do paraguai. mataram: "nao interessa se brasil ou do paraguai, somos guarani", disse um indigena.

eh uma guerra pelo fim das fronteiras impostas e pelo fim dos sequestro de terras!!! chega da justiça branca e nojenta. eles sabem o que lhes pertence como povo.

força!!!!


Só um detalhe
Pensador 23/01/2004 02:20

Tenho acompanhado de perto a evolução dos acontecimentos no Mato Grosso e Roraima, não apenas pelos jormais como por sites indígenas. Não tenho notícias de que o Exército já tenha sido chamado a participar das operações, embora esta seja uma possibilidade.


deformação na página
@ 23/01/2004 05:54

Desculpem-me, mas acho que os voluntários do CMI podiam editar comentários que deformam a página, dificultando a leitura, como é o caso da mensagem acima (com um monte de "!!!!!!!!!!!" sem espaço). É só colocar uma(s) quebra(s), ou pausa(s).

Eu sei que às vezes é sem querer, mas quem posta comentários também deveria colaborar, evitando estas palavras ou amontoados de sinais imensos sem quebra.


Resposta ao pensador
Guarânia Guarani 23/01/2004 18:21

Segundo notícia do Campo Grande News "o Exército dará apoio logístico à operação, oferecendo estadia e alimentação aos policiais envolvidos"

 http://www.campogrande.com/view.htm?id=212226


Vamos agir!
Igor 29/01/2004 21:47
icfaria@yahoo.com.br

ESSE ACONTECIMENTO NÃO É COISA PARA SE DISCUTIR, E SIM PARA SE AGIR! F-A-Ç-A A-L-G-U-M-A C-O-I-S-A ! ISSO NÃO PODE FICAR ASSIM!

Se deixarmos que apenas a grande mídia divulgue o caso, o povo vai continuar recebendo notícia da seguinte maneira (como ontem assisti na TV o Jornal da Record): cinco minutos para noticiar a São Paulo Fashion Week, e trinta segundos para noticiar "Indígenas Guaranis não desocuparam fazendas invadidas no Mato Grosso do Sul. Juíza nega reintegração de posse".

Mas O QUE FAZER??

Também estou me fazendo esta pergunta. Se você tiver sugestões, como por exemplo elaborar cartas de apoio aos Guaranis (como fez o Sindicato dos Trabalhadores da Universidade de São Paulo - Sintusp) ou manifestações, me comunique ( icfaria@yahoo.com.br). Minhas sugestões iniciais pra você:

-Imprima, e distribua um cartaz (em preto-e-branco, do tamanho de uma folha comum) com (ou sobre) o texto "Queremos somente o que é nosso" com aquela GENIAL CHARGE sobre a situação indígena.

-Reenvie esta mensagem (ou escreva seu próprio texto de indignação) para os seguintes endereços:
-Ministério da Justiça (para o Ministro Márcio Thomaz Bastos:  gabinetemj@mj.gov.br Fax(61)322-6817)
-Presidência da República (para o Presidente Luiz Inácio da Silva:  pr@planalto.gov Fax(61)411-2222);
-Câmara Federal (para João Paulo Cunha:>> Fax(61)225-3495);
-Senado Federal (para José Sarney: >>Fax(61)321-7333).

Igor Cirilo
Movimento Estudantil pela Conscientização Cultural e Política
( meccp@bol.com.br)


Força
Marcos 31/01/2004 13:44

Muito amor e muita força para os Guaranís e os Kiowas! O CMI bem que podia publicar a página no idioma guaraní além do português e abrir um CMI lá na fronteira com o Paraguai.
 
 
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