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Estudo mostra que acupuntura estimula memória

Brasília - Trabalho desenvolvido pelos estudantes Fernando Kawano e Márcio Makoto Nishida, do quinto ano de medicina da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), mostra que ratos submetidos à aplicação de acupuntura nos pontos E-36 (Zusanli) e BP-6 (Sanyinjiao) tiveram a memória potencializada, mesmo depois de submetidos a estresse por choque e imobilização.

"A acupuntura foi eficaz em avaliações realizadas logo após a experiência e até uma semana depois", comenta Angela Tabosa, professora do Setor de Medicina Chinesa da disciplina de Ortopedia e Traumatologia da universidade e orientadora da pesquisa. O estudo, que foi apresentado no 11º Congresso de Iniciação Científica da Unifesp, analisou os índices de fugas bem-sucedidas dos animais. Eles foram confinados num local fechado e passaram por um processo para aprender como fugir.

Os pesquisadores separaram os ratos em dois grupos. O primeiro foi submetido a estresse na caixa de esquiva – compartimento composto por dois recintos distintos, no qual, em um deles, uma corrente elétrica de baixa intensidade era acionada em intervalos fixos. Os ratos do segundo grupo, considerado controle, não foram expostos aos estímulos elétricos. Eles permaneceram no mesmo compartimento por uma hora para se familiarizarem com o ambiente.

A segunda parte do experimento envolveu o aprendizado da fuga. Todos os animais avaliados, inclusive os do grupo controle, foram colocados na caixa de esquiva. Eles ficaram num compartimento com uma porta de intercomunicação para possibilitar que fugisse m do choque. A abertura da porta ocorria assim que uma luz fosse acesa, como uma espécie de alerta.

Antes dessa fase, entretanto, os ratos do primeiro grupo foram divididos em quatro subgrupos, sendo que cada um deles recebeu choque; choque e imobilização; choque, imobilização e acupuntura; e choque, imobilização e acupuntura em pontos falsos, respectivamente. Todos os animais foram avaliados após os estímulos nocivos nos intervalos de uma hora, 48 horas e uma semana, para verificar a memorização do aprendizado.

Os ratos que receberam acupuntura nos pontos relacionados à memória logo após os estímulos estressantes conseguiram fugir em 80% dos 30 testes realizados. Esse desempenho se aproxima ao do grupo controle, que teve 77% de fugas bem-sucedidas. Entre os que não receberam acupuntura após o estresse, o maior índice de sucesso foi de 62%.

"A idéia agora é analisar os efeitos das agulhas na memória e no aprendizado de seres humanos", afirma Angela Tabosa. Segundo ela, já está em andamento a criação de um protocolo de pesquisa, que será realizada na Unifesp com essa finalidade.

Referência: Estadão

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Comparação entre a acupuntura superficial e profunda no tratamento da dor lombar miofascial: um estudo duplo-cego randômico:

Comparou-se neste estudo prospectivo, randomizado, duplo cego, os efeitos terapêuticos da acupuntura de superfície (na qual se insere a agulha a 2mm de profundidade) e a profunda (com inserção profunda no músculo) em 42 pacientes com dor miofascial lombar. Os pacientes foram divididos em dois grupos, com duração do tratamento de oito sessões, tendo-se utilizado o questionário de McGill na avaliação da dor. Ao término do estudo, não houve diferença significativa da dor entre os grupos. No entanto, estes pacientes continuaram a ser acompanhados por mais 3 meses e foi observada uma redução maior da dor naqueles tratados com acupuntura profunda, passando a ser significativa a diferença entre os grupos. Os resultados sugerem um melhor efeito analgésico com a estimulação profunda quando comparada com a superficial. (ALLA)

Referência: Clin J Pain 2002 May-June; 18(3):149-53

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Conflito de Paradigmas
Trata-se de uma questão intrigante: por que a Acupuntura, cujas virtudes terapêuticas são reconhecidas, não está ainda amplamente integrada no sistema médico ocidental, e apesar de no Brasil ser uma Especialidade Médica, não está no currículo normal das Faculdades de Medicina, e não é objeto de pesquisa científica mais intensa.

A dificuldade é bilateral. Há obstáculos propostos pelo discurso da Acupuntura, que apresenta conceitos dificilmente avalizados pela lógica científica, como o de energia vital circulante nos meridianos, relacionado com a tradução do conceito de Qi, para energia. O desconhecimento do Sistema Nervoso, e de outros fatos relacionados com os organismos vivos, como a informação biológica, levou a uma noção equivocada do Qi, que confunde diferentes funções orgânicas sob um mesmo título.

Além disso, devido às grandes diferenças conceituais, as traduções dos termos médicos chineses são bastante prejudicadas no significado, subordinadas ao acervo de conceitos do tradutor, às metáforas vigentes na época da tradução.

Por outro lado, os paradigmas culturais e científicos ainda prevalentes no Ocidente, igualmente anacrônicos, ainda presos a noções atomistas, analíticas, reducionistas e mecanicistas, não relativísticas, não sistêmicas, também impedem uma compreensão mais clara do enorme potencial da Ciência Médica Chinesa Tradicional.

Dado que a Acupuntura é admiravelmente coerente com a ciência contemporânea, é forçoso que se busquem razões que justifiquem o ceticismo, resultante de uma compreensão parcial.

Os resultados analgésicos da Acupuntura não são mais contestados. Mas ouvimos dizer que “Acupuntura só tira a dor”, como se fosse banal. Causa uma certa impaciência em quem conhece a Acupuntura, não serem considerados os importantes resultados clínicos da sua aplicação, e seu potencial terapêutico ainda ser pouco explorado. Parece que um dos fatores é se atribuírem às agulhas um caráter mágico.

Ao Oriente se atribui um caráter mágico - um “Oriente místico” habita o imaginário do Ocidente. Isso e resultado da carência de informação. Chama-se de Oriente tudo o que não pertence à Civilização Européia – num mesmo “Oriente” estão o mundo árabe, há um Oriente Próximo, um Oriente Médio, o Irã, a Turquia, todo o continente asiático, incluindo a Índia, e um Extremo Oriente. Não se faz distinção entre civilizações e culturas tão diferentes entre si. Da China pouco se sabe ainda hoje, e quase nada até há pouco tempo.

Quando se associam as agulhas de Acupuntura a alguma prática mágica, o que se faz é usar os modelos ocidentais para avaliar uma técnica produzida numa cultura muito mais diversa do que imagina quem não a conhece. Na verdade, a profundidade teórica e o imenso potencial clínico da Medicina Chinesa permanecem virtualmente desconhecidos.

Ted Kaptchuk1 levantou um outro aspecto da questão: segundo ele, “muitos ocidentais decerto ainda têm estranhas noções da Medicina Chinesa, vendo-a como uma espécie de passe de mágica, algum vodú, produto de um pensamento mágico ou primitivo, e só admitem duas possibilidades para as curas efetuadas resultantes de tratamentos por Acupuntura: ou a cura foi psicossomática, ou acidental - um resultado feliz de um procedimento casual, do qual o praticante nada entendeu. Pensam que a Ciência e a Medicina Ocidentais correntes têm um domínio único da verdade, e o resto é superstição”.

“Outros ocidentais têm uma visão mais favorável mas igualmente errônea da Medicina Chinesa: acham que o Sistema Chinês, porque o sentem como mais antigo, mais espiritual, ou mais holístico, é mais “verdade” que a Medicina Ocidental. Esta atitude leva a tornar a Medicina Chinesa num sistema de fé religiosa. Ambas as atitudes mistificam o assunto - uma por subvalorizá-lo arrogantemente, e a outra por sacralizá-lo, colocando-o num pedestal”.

É preciso que se diga que a Medicina Chinesa é um sistema coerente e independente de pensamento e prática que se desenvolve há mais de dois milênios. Resulta de um processo contínuo de pensamento crítico, tanto quanto de exaustivas observações clínicas e testes. Representa uma criteriosa formulação e reformulação de temas por clínicos e teóricos respeitados. Ao mesmo tempo, está enraizada na Filosofia, Lógica, sensibilidade e hábitos de uma civilização estranha ao Ocidente, que desenvolveu sua própria percepção do organismo, da saúde, da doença e da cura.

Referência: Norton Moritz Carneiro, Fundamentos da Acupuntura Médica.

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Cientistas na Universidade de Medicina e Odontologia de Nova Jersey (UMDNJ) compararam imagens cerebrais de 12 pessoas experimentando dor com imagens após as mesmas tendo recebido tratamento com acupuntura. Nas imagens cerebrais, o cérebro "se acende" ou mostra atividade, em áreas específicas quando uma pessoa exerimenta dor. Após a acupuntura, os pesquisadores encontraram uma acentuada diminuição desta atividade.

"Encontramos que a atividade diminui em 60 a 70% de todo o cérebro," disse Wen-Ching Liu, Ph.D., co-autor do estudo e professor assistente de radiologia na UMDNJ.

Apresentado em uma conferência da Sociedade Norte-Americana de Radiologia, o estudo também encontrou que a quantidade da diminuição da dor pode variar de uma pessoa para outra, e que algumas das pessoas no estudo experimentaram uma mudança no seu limiar de dor. "A pessoa (que estava sendo testada) atualmente experimenta uma maior tolerância à dor. Nós aplicamos um estímulo doloroso e após a acupuntura apicamos o mesmo grau de estimulação dolorosa. Ele não a sentiu," disse o Dr. Huey-Jen Lee, chefe da neuroradilogia da UMDNJ.

Referência: CNN

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Estes são alguns dos estudos que eu conheço, e dos que conheço não chega a ser nem a metade.

Legalização de acupuntura ajuda a diminuir os curstos da saúde!

Seja coerente, defenda a acupuntura em hospitais públucos!