Nestes anos de luta foi possível constatar a viabilidade de nossa proposta, através de experiências de tratamento substitutivas ao hospital psiquiátrico, com êxito e sem excluir o indivíduo da sociedade, do convívio familiar, do exercício de direito de sua cidadania. A partir da atuação do MNLA foi deflagrado em nosso país um processo de reforma psiquiátrica, da qual os tratamentos substitutivos são fruto, que se muitas conquistas teve, muito ainda tem a fazer pelas pessoas que se deparam com a experiência do enlouquecimento. Ainda hoje há mais de 60.000 pessoas encarceradas em hospícios no Brasil, em condição de descaso e abandono, trancadas mas não tratadas. Este grave desrespeito aos direitos humanos, como outros tantos em nosso país, passa longe da percepção do cidadão comum, pois que não é notícia, mas continua enchendo os bolsos dos empresários da loucura. A população em geral, incluindo-se aí as classes mais favorecidas, é carente de informação sobre como procurar ajuda em caso de uma crise emocional na família ou na comunidade, e a idéia da internação psiquiátrica ainda é a primeira que aparece como alternativa. Este é atualmente o desafio que nos colocamos: amplificar esta discussão para parcelas mais amplas da sociedade, garantindo acesso à informação e assistência nas necessidades, pressionando governo e iniciativa privada a investirem na transformação desse cenário vergonhoso.

O Forum Paulista de Luta Antimanicomial, instância estadual de organização do MNLA, discutindo o atual momento da atenção em saúde mental no estado, propõe a reflexão sobre quais as alternativas em nossa sociedade para as pessoas que, em algum momento de sua existência, se deparam com o fenômeno do enloquecimento - em si, na família, na comunidade. "Enlouqueci! E aí?" é o tema escolhido por este Forum para apontar essa reflexão: o que fazer perante a 'loucura', ou melhor, às pessoas que vivem essa experiência? Quais as respostas da sociedade em tempos de falência do modelo manicomial e insuficiência dos atuais serviços?Além disso, aponta para a possibilidade de qualquer um de nós de "enlouquecer", e que fará a sociedade, ou nossa família, ou o sistema de saúde? Internar-nos? Por que não ser cuidado de forma alternativa? Por que não conviver com a loucura? Na contemporaneidade assistimos à falta de espaço para a vivência da dor, da crise, do enlouquecimento... É preciso repensar o cuidado para com essas 'existências-sofrimento', respeitando as diferenças e ao mesmo tempo combatendo o preconceito.

Assim, estamos organizando um grande ato público no dia 18 de maio, Dia Nacional de Luta Antimanicomial, no vão livre do MASP, a partir das 11:00h, que contará com a participação de diversos grupos artísticos ligados às formas substitutivas de atenção em saúde mental, bem como artistas , outros movimentos sociais e apoiadores em geral. Sempre acreditamos na arte como forma privilegiada de troca, encontro e disseminação da convivência entre diferentes como fonte de riqueza, e ela tem sido uma grande aliada neste caminho. Por isso, o ato público terá o caráter de intervenção cultural, estética, política e sobretudo ética - propondo uma nova maneira de se relacionar com o outro, através do respeito, da solidariedade, da beleza.

Esperamos poder contar com sua participação nessa luta, ajudando a ampliar a visibilidade e o alcance do movimento e da cultura antimanicomial!!

Até o dia 30 de abril estaremos enviando nova correpondência confirmando os aspectos técnicos do evento, que deve contar com carro de som equipado com microfones, captação e amplificação, retorno etc. bem como estrutura para performances no chão e intervenções com o público do ato e passantes da Av. Paulista. Forneceremos ainda transporte e alimentação aos artistas e personalidades convidados.

Maiores informações com Patricia Villas-Bôas pelo e-mail  patvillasboas@ig.com.br ou pelo fone (11)9154-4984.

SAUDAÇÕES ANTIMANICOMIAIS!!!

Forum Paulista de Luta Antimanicomial
Comissão Organizadora do Ato Público em 18 de maio