http://www.novae.inf.br/pensadores/anti_estadunidense.htm Anti-norteamericano declarado, jornalista Breno Altman assegura que política imperialista é a causa da desmoralização dos EUA
"Sou plenamente favorável ao cancelamento do visto do jornalista Larry Rohter". Com afirmações polêmicas e um conhecimento profundo do processo de americanização mundial, o jornalista Breno Altman, da Revista Reportagem, não tem papas na língua.
Diferente da mídia brasileira que se mostrou unânime no caso do jornalista americano, Breno afirma que "a matéria do correspondente do New York Times foi manipulada pelo governo de George Bush". Paranóia ou não, sua posição favorável à decisão do governo brasileiro de expulsar o jornalista do New York Times, por ter difamado o presidente Luís Inácio Lula da Silva chamando-o de alcoólatra - decisão revogada alguns dias depois pelo próprio Itamaraty - é completada pelo questionamento: "cadê os casos de jornalistas estrangeiros que foram expulsos dos EUA?".
Para Altman, a decisão de Lula não se diferencia em nada da experiência americana, que expulsou em fevereiro do ano passado, o único jornalista iraquiano nos EUA, Hassan Allawi. Na época, o presidente da Associação dos Correspondentes de Imprensa, Tony Jenkins, explicou que nenhuma prova foi apresentada contra Allawi que provasse que era um agente iraquiano e não um jornalista.
A relação imperialista do governo dos EUA com os países sub-desenvolvidos sempre foi alvo de interesse de Altman. No seu currículo consta uma entrevista de 12 horas seguidas com o símbolo da resistência à americanização mundial, o presidente cubano Fidel Castro. Na conversa que durou uma madrugada e uma manhã o líder cubano afirma, "foram os ianques que me fizeram famoso como demônio". Segundo Altman, Cuba tem uma importância simbólica para os EUA: "é um alvo a ser derrotado". Mas não é o único. A disputa alcança também as relações comerciais, com países como o Brasil. Embora historicamente os EUA vençam a maioria das disputas, o jornalista lembra da vitória do algodão brasileiro. A Organização Mundial do Comércio (OMC) considerou ilegal o subsídio do governo dos EUA à sua indústria algodoeira e deu voz ao Brasil. "Os EUA pensavam que cantavam de galo na OMC", provoca Altman.
Nem mesmo as imagens de terror da destruição do World Trade Center escapam das críticas de Breno. "Eu fiquei até feliz em ver o 11 de setembro". O jornalista, conhecido pelas posições de esquerda, não esconde que sua primeira reação, "instintiva" ele afirma, era de alegria. "Pela primeira vez os EUA estavam sentindo na pele o que sempre fizeram durante anos com outros países". Breno diz que os atentados, que ele nem considera atos terroristas, são uma reação ao imperialismo, que mudou o modo de operar do presidente George Bush. Os slogans da "guerra contra a liga do mal" pregados logo após a queda das torres, refletem a mudança de uma política "hegemônica para uma militarista". Segundo o jornalista os atentados serviram como desculpa para a invasão do Iraque. Mas as promessas de Bush de uma guerra rápida e cirúrgica não levavam em conta a força de resistência das milícias iraquianas.
Frustração da ofensiva militar no Iraque, dívida externa de mais de 5% do PIB, acirramento da briga com o bloco do comércio europeu e sucessivas derrotas da elite latina nas campanhas eleitorais - como na eleição de Lula e do presidente venezuelano Hugo Chávez - são as marcas principais do atoleiro em que os EUA estariam se afundando, segundo o jornalista-ativista. Na tentativa de se tornarem "xerifes do mundo", enviam forças de paz para os conflitos internos causados pelo golpe de Estado no Haiti, mas continuam perdendo espaço em território iraquiano. A ocupação norte-americana no Iraque é vista por Altman como uma agressão à autonomia nacional. Ele defende: "toda ação contra bases militares, hotéis ou qualquer cidadão americano é uma ação legítima dos iraquianos". Opinião de um jornalista brasileiro que não tem medo de afirmar que o "sentimento anti-norteamericano é bom".
Renata Sturm Faggion é estudante de jornalismo pela Faculdade Cásper Líbero

