Máfia dos desmanches é investigada por CPI
Agência Anhangüera ? Campinas/SP
A Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do Desmanche se articula para investigar a atuação de uma megaquadrilha especializada em desmanche, clonagem e adulteração de veículos, além de receptação de carga roubada na região. O caso já está sendo investigado pela Polícia Civil de Campinas e pelo Ministério Público de Campinas e de Indaiatuba. A data da vinda da CPMI, formada por deputados federais e senadores, será definida nas próximas semanas, após o fim do recesso parlamentar. Segundo o relator da comissão mista, deputado federal Hidekazu Takayama (PMDB-PR), a verificação in loco ganhou força nos últimos dias, depois da apreensão de veículos e cargas roubados em propriedades particulares da região.

O parlamentar tem também como base dados da Polícia Civil de São Paulo que apontam Campinas como principal ponto de desmanche no Estado. Dados do relatório preliminar da comissão ainda não foram divulgados. Dados da Secretaria de Segurança Pública do Estado apontam que, em 2003, foram registrados 10.907 furtos e roubos de veículos em Campinas - em 2002, foram 10.377. Nos três primeiros meses de 2004 ocorreram 2.409 roubos e furtos, uma média de 803 veículos por mês

Em abril de 2002, policiais do Departamento de Investigações Sobre o Crime Organizado (Deic), da Capital, estouraram em Campinas o maior desmanche do Estado, segundo o diretor do departamento, Godofredo Bittencourt Filho. O Autopeças Tancredão, na Avenida Amoreiras, tinha cerca de mil veículos nacionais e importados desmanchados, a maioria proveniente de furtos e roubos. Em 2001, segundo dados da Delegacia de Furtos e Roubos de Veículos, existiam em Campinas cerca de 8 mil automóveis clonados.

Nos casos mais recentes, há a suspeita de participação de políticos e empresários da região. O delegado Paulo Henrique Correia Alves, titular do Setor de Furto e Roubo de Veículos da Delegacia de Investigações Gerais (DIG) de Campinas ainda aguarda laudos do Instituto de Criminalítica (IC), cópias de contratos sociais e depoimentos. "Será um inquérito longo", disse. Alves declarou ainda que a quadrilha "é muito bem organizada" e que é formada por, pelo menos, dez integrantes. Cinco deles já estariam identificados, sendo três de Hortolândia e dois de Indaiatuba, segundo Alves.

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CPMI DO DESMANCHE
Relator investiga crimes de São Paulo e Rio de Janeiro


Brasília ? Apesar do recesso parlamentar, o deputado federal Hidekazu Takayama (PMDB-PR), relator da CPMI ? Comissão Parlamentar Mista de Inquérito, viajou para Brasília, Rio de Janeiro, São Paulo e Belo Horizonte, para investigar e coletar dados sobre o envolvimento de políticos da região de Campinas (SP) no roubo de veículos, a morte de um executivo da Bradesco Seguros no Rio de Janeiro e até mesmo a utilização de carros roubados recolhidos nos pátios do Detran por policiais em São Paulo.
O parlamentar já tinha concluído a primeira parte de seu relatório quando surgiram fatos novos, como o caso do gerente-geral da Bradesco Seguros, João Fernandez Muniz, 42 anos, no Rio de Janeiro, que foi assassinado quando aparentemente investigava fraudes no pagamento de seguros. ?Existem algumas coisas estranhas relacionadas ao caso. Tanto que fiz questão de acompanhar tudo ?in loco?. No bolso do executivo, foi encontrada uma reportagem sobre fraudes em seguro. Tudo leva a crer que o executivo do Bradesco foi vítima do crime organizado, que sentiu-se incomodado por suas investigações. Pretendo voltar ao Rio para ouvir Carlos Eduardo Nascimento, suspeito da morte do executivo. O mais estranho de tudo é que o crime aconteceu a poucos metros da empresa Autofrontin, cujo proprietário deveria ser ouvido pela CPMI?, disse.
Outro fato que despertou o interesse do relator da CPMI foi a descoberta de veículos roubados em propriedades de políticos de Indaiatuba, região de Campinas. O empresário Emilio Carlos Angelieri, irmão do vereador Carlos Angelieri, conhecido por ?Kiko D?água?, foi preso em flagrante por agentes da Delegacia de Investigações Gerais (DIG) sob acusação de receptação e adulteração de chassis de caminhões roubados, que segundo ele seriam usados no transporte de água da empresa do vereador. Dias depois, numa nova operação policial, foi encontrado um outro caminhão roubado na propriedade do pai e do tio do prefeito Reinaldo Nogueira Lopes Cruz e do deputado estadual Rogério Nogueira Lopes Cruz, ambos do PDT. A polícia de Campinas investiga se há alguma ligação entre os dois casos.
Estão na mira do relator da CPMI as lojas de desmanches de Suzano, Mogi das Cruz e Itaquaquecetuba, bem como quatro distritos policiais da Grande São Paulo, onde policiais teriam fraudado boletins de ocorrência para vender os veículos roubados recuperados. ?Nos desmanches foram encontradas agendas com nomes de policiais, com clara alusão as propinas pagas por um longo período. Entre os envolvidos está o delegado Mauro Reinaldo, a quem pretendo ouvir assim que terminar o recesso parlamentar?.
Ao tomar conhecimento desses fatos, o deputado Takayama revelou que pretende realizar algumas diligências, juntamente com a Polícia Federal, e que vai pleitear junto aos demais integrantes da CPMI a realização de uma audiência pública em Campinas. Segundo ele, na próxima semana, os deputados e senadores que integram a CPMI pretendem se reunir com promotores para um levantamento das provas conseguidas até aqui pelo Ministério Público nesses três casos. ?Aliás, é bom que se diga que, no caso de envolvimento de policiais com o roubo e desmanche de veículos, a investigação poderá se estender por todo país, inclusive em Brasília?, garantiu.
Ele fez questão de frisar que ?nós deputados não temos o poder de policia, mas, como legisladores, estamos fazendo a mossa parte. Estamos criando leis que vão fechar as brechas que, ao longo dos anos, permitiram o crescimento da ?indústria? do roubo de veículos e a quantidade de desmanches ilegais. Ao todo são oito projetos que vão desde a regulamentação do setor de desmanches e ?salvados? ? veículos considerados perda total pelas seguradores após acidentes, até a confecção do número do chassis em alto relevo e sua impressão em vários itens do veículo. Acredito que com isso vamos conter e reduzir em muito o número de carros roubados em todo país?, finalizou.