O Programa de Combate ao Racismo Institucional do Ministério Britânico para o Desenvolvimento Internacional (DFID), realizou uma pesquisa sobre o acesso da população negra aos serviços de saúde, revelando a grande desigualdade entre negros e brancos em relação às taxas de mortalidade infantil e materna, muito maior entre os negros.
Segundo o estudo, a expectativa de vida entre os negros é seis anos mais baixa que a do branco, sendo de 67 anos. Em relação aos brancos, a expectativa de vida chega a 73 anos.
Em um dos resultados apontados pela pesquisa, foi observado o crescimento das taxas de mortalidade infantil.
Nas últimas duas décadas, o número de mortes entre crianças de até um ano de idade obteve uma expressiva redução.O número de mortes registradas entre crianças negras de até um ano de idade, em 1980, detinha uma porcentagem de 21% superiores à taxa de mortalidade entre crianças brancas de mesma faixa etária.
A exclusão da população negra fica mais evidente ainda nos dias de hoje. Em 2000, por exemplo, esta diferença em relação à taxa de mortalidade subiu para 40% entre negros e brancos.
"A esmagadora maioria das crianças negras que morreram dependia do Sistema Único de Saúde para ser atendida", disse Fernanda Lopes, a coordenadora do programa.
Além disso, foi constatado também que 85% das mortes registradas eram completamente fáceis de serem evitadas.
Uma das causas de morte entre as crianças negras se dá no período de pré-natal, onde o principal fator é o atendimento precário que as mulheres negras recebem durante a gestação.
As mulheres negras fazem bem menos consultas que as brancas e ainda encontram muito mais dificuldades em serem atendidas.
Nestes dados é demonstrada a taxa de mortalidade materna, apontando para um número três vezes maior do que ente as mulheres brancas.
A situação da população negra, ainda mais da mulher negra, vem de uma opressão histórica, sendo uma população economicamente superexplorada, vivendo em locais completamente desprovidos de qualquer tipo de serviço social.
O sistema de saúde no Brasil é um verdadeiro negócio financeiro, onde todo o orçamento que deveria ser destinado à saúde pública é desviado para os grandes empresários.
O Estado, como uma instituição capitalista, não pretende atender às necessidades da população trabalhadora e muito menos entre os negros.
Somente com a estatização de todo o sistema de saúde, a população pobre, cuja maioria é composta por negros, poderá ser completamente atendida.