A história não pode esquecer e muito menos ignorar o lado autoritário e repressor do Estado Novo, inaugurado em 1937 por Getúlio Vargas, depois de um golpe militar. No novo regime, que tinha inspiração no fascismo europeu, foram abolidas as liberdades democráticas e criados mecanismos para o controle e a censura à imprensa, ao teatro e ao cinema. Através do DIP, Departamento de Imprensa e Propaganda, o Estado Novo controlava com mão de ferro qualquer crítica ao sistema político, apelando para a prisão de quem ousasse divergir. A imprensa foi declarada de utilidade pública, o que obrigava todos os jornais a publicar comunicados do governo. Para dificultar ainda mais o seu trabalho, o DIP exigiu o registro dos jornais e dos jornalistas e baixou decreto determinando o mesmo para a importação de papel de imprensa. Dezenas de jornais tiveram que fechar as portas uma vez que não conseguiam o registro. Até o sisudo jornal O Estado de São Paulo chegou a ser confiscado, levando ao exílio seu dono Júlio de Mesquita.
Mas o papel do DIP era muito mais amplo do que cercear a imprensa e as artes. Ele tinha também como finalidade difundir a ideologia do Estado Novo junto à população, sendo responsável pela propaganda interna e externa, organizando manifestações cívicas, festas patrióticas e outros eventos governistas. Ele igualmente foi responsável pelo programa "Hora do Brasil", criado para divulgar as ações do governo e que existe até hoje.
Para bombardear a imprensa escrita com notícias favoráveis ao governo foi criada a Agência Nacional, que através do DIP, eram distribuídas gratuitamente, o que garantia a predominância na mídia.
No cinema, foi introduzido o "Cinejornal Brasileiro", que obrigava as salas a exibir filmes em curta-metragens antes das sessões. Através dele, eram veiculadas campanhas favoráveis ao Estado Novo.
Nem o samba escapava. O DIP chegou a mudar a letra de “O bonde São Januário”, que julgava ofensiva aos valores morais.
Mesmo com a repressão, chegaram a circular clandestinamente jornais e tablóides. Entre eles, o carioca Liberdade, que denunciava o amordaçamento da imprensa. Em São Paulo, sob a orientação de professores e estudantes da USP, eram editadas a Folha Dobrada (1939) e Resistência (1944).
O Estado Novo ainda proibia o direito de greve e a livre organização sindical. Através da instituição do Imposto Sindical, cobrado compulsóriamente e anualmente de todos os trabalhadores, a autonomia sindical desapareceu pois os sindicatos foram colocados sob o controle do Estado, que repassava os recursos para eles. Daí o surgimento dos “pelegos”, lideranças atreladas ao governo.
O principal braço armado do DIP era a polícia secreta chefiada por F' Filinto Müller. Este órgão, sob o controle direto do gabinete de Getúlio Vargas, era especializado em reprimir violentamente qualquer adversário do governo, através de torturas e assassinatos, alegando risco à ordem pública. Entre as vítimas estavam o escritor Graciliano Ramos que ficou onze meses preso, chegando a escrever “Memórias do Cárcere”, a escritora e militante comunista Patrícia Galvão, a Pagu, que ficou cinco anos na cadeia (onde foi brutalmente torturada) e o líder comunista Luís Carlos Prestes.
Entre 1939 e 1942 o DIP esteve sob a direção de Lourival Fontes, tendo como sucessores o major Coelho dos Reis, de agosto de 1942 até julho de 1943, e o capitão Amilcar Dutra de Menezes, que atuou até a extinção do DIP, em maio de 1945.
O Estado Novo durou oito anos, só terminando em 1945 com a vitória das democracias sobre o nazismo na Segunda Guerra Mundial. Getúlio foi deposto por militares insatisfeitos com seu governo.
